Fumaça volta a cobrir cidades do Amazonas, e Manaus registra pior qualidade do ar
Capital registrou o pior índice de qualidade do ar do Brasil, de acordo com a plataforma internacional IQAir
Uma camada de fumaça voltou a cobrir municípios do Amazonas nesta sexta-feira, 9, após Manaus atingir a pior qualidade do nível do ar do Brasil na quinta-feira, 8, de acordo com o sistema de monitoramento internacional IQAir.
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A contadora Camila Mustafa, de 29 anos, relatou ao Terra que os moradores da capital têm sofrido bastante com a fumaça nos últimos dias. "Todas as regiões, basicamente, têm a presença de fumaça. Também temos sofrido com a falta de água, às vezes, até queda de energia. Sinto que é o pior verão da história", conta.
A manauara se refere ao verão amazônico, período que costuma ocorrer entre os meses de julho e novembro, e configura um tempo de estiagem maior com menor volume de chuvas na Região Amazônica. Entre os municípios mais atingidos, além de Manaus, estão Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.
"Dificilmente você vê pessoas fazendo atividade ao ar livre. Como a fumaça é tóxica, a gente sente os olhos ardendo. Tem muita gente com dificuldade de respirar, percebo também muitas pessoas nas ruas usando máscaras. A Defesa Civil tem emitido alertas sobre a qualidade do ar para a população", acrescenta.
O alerta emitido pela Defesa Civil na manhã desta sexta-feira classifica a qualidade do ar como "péssima", com 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas poluentes. Além disso, o nível do Rio Negro encontra-se em 17,92 m, em situação de vazante. Somente nas últimas 24 horas, as águas baixaram cerca de 7 cm. O rio está a 0,08 m abaixo da cota de alerta de estiagem.
O órgão afirma que podem ocorrer efeitos nos moradores, tais como, tosse e falta de ar, risco respiratório e irritação nos olhos. As recomendações para a população são hidratação, uso de máscara PFF2, evitar exercícios físicos e acompanhar os alertas.
Em algumas cidades do Amazonas, foi constatado o índice de qualidade do ar de 320 µg/m³, uma faixa considerada perigosa. Na madrugada de quinta-feira, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) chegou a registrar 490,1 µg/m³. Foi o maior volume divulgado pela plataforma este ano.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu as aulas nesta sexta-feira nos períodos vespertino e noturno. A instituição alega que considerou a qualidade do ar em Manaus como prejudicial à saúde. "A medida visa resguardar a saúde da comunidade acadêmica diante do cenário de poluição atmosférica severa", informou.
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