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ONG transforma lixo eletrônico em bijuterias e capacita mulheres em programação

14 de outubro é o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, e a Tech Girls une reciclagem, inclusão social e aperfeiçoamento profissional

13 out 2026 - 04h59
(atualizado em 13/1/2026 às 13h47)
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Resumo
ONG Tech Girls, em Curitiba, transforma lixo eletrônico em bijuterias, capacita mulheres em tecnologia e empreendedorismo, promovendo inclusão, sustentabilidade e impacto social positivo no setor de TI.
Gisele Lasserre fundou a ONG Tech Girls, que capacita artesãs para reciclar lixo eletrônico e dá aulas de programação
Gisele Lasserre fundou a ONG Tech Girls, que capacita artesãs para reciclar lixo eletrônico e dá aulas de programação
Foto: Divulgação/Tech Girls

Placas-mãe quebradas, cabos esquecidos no fundo de gavetas e até teclados sem uso se transformam nas mãos de mulheres que fazem parte da Tech Girls, iniciativa criada por Gisele Lasserre em Curitiba, Paraná. A ONG une a sustentabilidade à inclusão digital, já que transforma resíduos eletrônicos em bijuterias super diferentes. Ao mesmo tempo, o trabalho abre caminhos: as mulheres em situação de vulnerabilidade atendidas passam a ser capacitadas e mergulham no universo da tecnologia.

“Nós desenvolvemos uma metodologia afetiva de ensino em tecnologia, que consiste em alguns módulos lúdicos para que a tecnologia faça sentido para essas mulheres que nunca ligaram um computador antes. Então, a gente traz algo que já é familiar para essas mulheres no primeiro momento, que são as atividades manuais”, conta Gisele.

As 'bijouxtechs' são bijuterias feitas a partir da reciclagem de lixo eletrônico
As 'bijouxtechs' são bijuterias feitas a partir da reciclagem de lixo eletrônico
Foto: Divulgação/Tech Girls

Fundadora da Tech Girls, Gisele trocou uma carreira executiva em São Paulo para entrar de cabeça no projeto social, motivada pela desigualdade de oportunidades para mulheres na área da tecnologia. Ela conta que seu trabalho já foi diminuído apenas por ser mulher, além do etarismo. Assim, ela passou a combater os preconceitos através da iniciativa social e solidária.

Da bijuteria ao mercado de TI

Na Tech Girls, as oficinas começam com um módulo que ensina a transformar lixo eletrônico em arte. As participantes aprendem a  fazer brincos, colares e até decorações para a casa usando sucata digital. São as “bijouxtechs”.

Peças são vendidas pelas próprias artesãs, como fonte de renda
Peças são vendidas pelas próprias artesãs, como fonte de renda
Foto: Divulgação/Tech Girls

Nas exposições e feiras em que elas vendem seus produtos, as bijuterias são o verdadeiro destaque, e são vendidas por R$ 50 até R$ 200 reais. A renda é totalmente revertida para as próprias artesãs, que são capacitadas em empreendedorismo. A ideia é que elas aprendam por conta própria a gerir a nova fonte de renda.

E o aprendizado não para nas bijuterias. Após o primeiro contato com as peças de computadores, as alunas passam para a manutenção de notebooks, aprendem a identificar as peças e começam a fazer reparos. O ciclo é finalizado quando elas iniciam o curso de HTML e CSS, linguagens de programação que iniciam mulheres em carreiras de TI, setor com grande déficit de mão de obra e que é dominado por homens, segundo a empresária.

Captação e reaproveitamento

O lixo eletrônico chega até a ONG através de doações de pessoas físicas e também de empresas. Algumas procuram a Tech Girls para destinar os equipamentos que já ficaram obsoletos de forma segura. A ONG tem licença ambiental e tem certificados de destinação correta e de limpeza de dados.

Mulheres atendidas pela ONG recebem capacitação em programação
Mulheres atendidas pela ONG recebem capacitação em programação
Foto: Divulgação/Tech Girls

Tudo que não pode ser transformado nas ‘bijouxtechs’, vai para as aulas de manutenção ou então é destinado para a reciclagem, com 100% de reaproveitamento de todo o material.

Para produzir cada peça, o tempo varia: alguns colares podem ser montados em menos de uma hora. Já peças maiores e autorais, como abajures, podem levar dias. Independentemente do produto, a transformação é o passo mais importante — e o que mais impressiona.

“Nosso objetivo é derrubar o mito de que tecnologia não é para mulheres. Muitas chegam sem nunca ter ligado um computador, e saem com confiança, capacitação e até mesmo com um notebook recuperado pelo projeto para iniciar sua jornada profissional”, afirma a fundadora.

Desde a fundação em 2017, a ONG já formou 670 mulheres, fez 450 doações de notebooks recuperados, e já garantiu prêmios internacionais unindo a inclusão digital, empregabilidade e sustentabilidade. O modelo cresceu no Brasil e, em 2026, as turmas serão formadas também em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além da sede em Curitiba.

Atualmente, as mulheres são apenas 20% dos profissionais em áreas de tecnologia. A disparidade é ainda mais evidente quando consideramos que as mulheres correspondem a 52,2% da população brasileira.

Em um País que terá um déficit de mais de meio milhão de profissionais de TI até 2027, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), iniciativas como a Tech Girls apontam para soluções criativas e inclusivas.

Computadores são dados às mulheres para que elas possam ter uma nova fonte de renda
Computadores são dados às mulheres para que elas possam ter uma nova fonte de renda
Foto: Divulgação/Tech Girls

Impacto social e ambiental

Amanhã, 14 de outubro, é celebrado o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, uma data que reforça a importância de descartar corretamente aparelhos eletrônicos usados ou quebrados. No dia a dia, esse descarte pode ser feito de forma simples e prática.

A Vivo, por meio do programa 'Vivo Recicle', incentiva a reciclagem de celulares, cabos, teclados e outros itens eletrônicos. É só levar esses materiais até os pontos de coleta disponíveis nas lojas da operadora em todo o país e não precisa ser cliente Vivo para participar.

Implantado em 2006, o 'Vivo Recicle' já recolheu mais de 5,2 milhões de itens de lixo eletrônico. Apenas nos últimos oito anos, mais de 10 milhões de modems/decoders foram reutilizados/recondicionados  e 7,5 milhões de equipamentos sem condição de reuso foram reciclados.

Fonte: Portal Terra
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