Vendas no varejo do Brasil têm mais um ano de alta em 2025, mas mostram perda de força
As vendas varejistas no Brasil encerraram 2025 com alta acumulada de 1,6%, mas mostraram forte perda de força em relação ao ano anterior e registraram em dezembro a maior queda do ano diante da antecipação com a Black Friday das compras de Natal.
O resultado do acumulado de 2025, divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, ficou bem abaixo do aumento excepcional de 4,1% visto em 2024, voltando aos níveis dos anos anteriores. No quarto trimestre, o setor encerrou com alta de 1% sobre os três meses anteriores, após queda de 0,3% no terceiro.
Em dezembro, as vendas tiveram retração de 0,4% na comparação com o mês anterior, interrompendo dois meses de ganhos, em um resultado que também foi pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters de queda de 0,2%.
Os dados mostram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas apresentaram alta de 2,3%, contra expectativa de avanço de 2,5%..
"O que dá para dizer é que em 2025 muita gente aproveitou as promoções da Black Friday e antecipou as compras de Natal, por isso um resultado menor em dezembro", disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. Em novembro, as vendas aumentaram 1,0%.
A política monetária restritiva pesou sobre a economia no ano passado, embora o mercado de trabalho forte e a renda em alta tenham ajudado o desempenho das vendas varejistas. Ainda assim, os resultados do setor foram fracos durante a maior parte de 2025, com seis quedas mensais.
Segmentos mais sensíveis ao crédito, como veículos, móveis e eletrodomésticos, sentem mais os efeitos da taxa Selic elevada. No mês passado, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março.
"O crescimento de 2025 foi razoavelmente distribuído, puxado pela farmacêutica (4,5%), por móveis e eletrodomésticos (4,5%), e equipamentos para escritório, informática e comunicação (4,1%), essa última fortemente influenciada pela forte desvalorização do dólar frente ao real, que ajudou nas vendas de produtos eletrônicos importados, como celulares e laptops", disse Santos.
Em dezembro, entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, seis tiveram resultados negativos na comparação com novembro, com destaque para artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%).
As altas vieram de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,3%).
"O dado confirma perda de fôlego ao fim de 2025. Segmentos ligados a bens duráveis e discricionários mostraram maior volatilidade, enquanto parte do consumo essencial perdeu tração na margem, o que pode sinalizar um ambiente de demanda mais contido na virada para 2026", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA.
No comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve recuo de 1,2% nas vendas em dezembro sobre o mês anterior.
No acumulado de 2025, o varejo ampliado fechou com ganho de 0,1%, depois de expansão de 3,7% em 2024.
"Isso se deve às perdas de setores importantes, como de revenda de veículos, motos, partes e peças e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que teve queda na distribuição de cereais e leguminosas, produtos ofertados normalmente nos Ceasas", afirmou Santos.