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"Vamos parar com os jogos de guerra", diz Trump

12 jun 2018
07h25
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Presidente americano diz que entendimento foi abrangente e que caminho para distensão na península está aberto. Mas ainda não está claro quais são os próximos passos - e quanto cada parte está disposta a ceder.Após o encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, o presidente americano, Donald Trump, foi a público nesta terça-feira (12/06) explicar o que exatamente ficou acordado durante as quatro horas da reunião histórica em Cingapura.

Donald Trump durante entrevista coletiva em Cingapura, antes de embarcar para Washington
Donald Trump durante entrevista coletiva em Cingapura, antes de embarcar para Washington
Foto: DW / Deutsche Welle

Os dois assinaram um comunicado conjunto, que de fato representa uma guinada na política americana para a Península Coreana. Mas é, acima de tudo, mais um entendimento do que qualquer tipo de acordo, como deu a entender Trump em entrevista coletiva.

O texto foi chamado por Trump de "bastante abrangente", mas tem poucos detalhes. Fala num "comprometimento firme e decidido" de Kim para desnuclearizar a península e numa promessa do presidente americano de "prover garantir de segurança" à Coreia do Norte.

Também está mencionada no texto a intenção de "construir um regime de paz robusto e duradouro na região", mas não como isso seria feito. Na linguagem diplomática: o caminho às negociações está aberto e, levando em conta a retórica, pode levar à paz definitiva que não é alcançada desde a Guerra da Coreia, mas não há indicações ainda de quanto cada parte está disposta a ceder.

"Vamos parar com os jogos de guerra", disse Trump aos jornalistas ainda em Cingapura, em referência às manobras militares realizadas com a Coreia do Sul, que costumam irritar Pyongyang. "E isso vai nos poupar uma imensa quantidade de dinheiro."

Não há previsões ainda, afirmou Trump, de que os EUA vão revogar sanções contra a Coreia Norte. Segundo ele, isso acontecerá quando as ogivas "não forem mais um fator". O que isso significa não ficou claro, assim como o calendário para a prevista desnuclearização.

"Tivemos um encontro histórico e decidimos deixar o passado para trás", disse Kim Jong-un na cerimônia de assinatura do comunicado, que já vem sendo chamado de Documento de Cingapura. "O mundo vai ver uma grande mudança."

O presidente americano antecipou já para a próxima semana uma nova reunião sobre a questão coreana, mas, novamente, não deu especificações - "Vamos nos reunir na próxima semana para entrar nos detalhes". Não ficou especificado, por exemplo, onde será o encontro e se norte-coreanos estarão envolvidos. O secretário de Estado, Mike Pompeo, comandaria as negociações.

Muitos observadores são céticos em relação à possibilidade de Kim abandonar totalmente as armas nucleares, que funcionam como garantia para seu regime, e apostam que o ditador está em busca de conseguir que os EUA aliviem as pesadas sanções contra o empobrecido país.

Trump e Kim se reuniram por cerca de quatro horas num hotel de luxo em Cingapura, na primeira reunião da história entre um presidente americano em exercício e um líder norte-coreano.

Perante as câmeras, Trump tratou o ditador norte-coreano como um par, chegou a chamá-lo de "talentoso", falou ser uma honra conhecê-lo e previu uma "relação fantástica" entre ambos.

A reunião se deu apenas poucos dias depois de Trump entrar amplamente em confronto com tradicionais aliados americanos, como Canadá, França e Alemanha, durante a cúpula do G7.

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