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UE investiga Grok por criação de fotos íntimas e manda X preservar dados

9 jan 2026 - 11h50
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Bloco europeu endurece fiscalização contra rede social de Musk após IA da plataforma permitir a fabricação de cenas falsas de nudez e apologia ao nazismo com base em imagens reais de mulheres e crianças.A União Europeia (UE) exigiu nesta quinta-feira (08/01) que o X preserve todos os dados de interação com o Grok, ferramenta de inteligência artificial integrada à plataforma de Elon Musk. A medida foi tomada após usuários utilizarem o sistema para gerar material erótico envolvendo mulheres e crianças, além de deepfakes com cenas de violência.

Plataforma de Musk enfrenta diversas investigações na UE
Plataforma de Musk enfrenta diversas investigações na UE
Foto: DW / Deutsche Welle

Com a ordem, o braço executivo do bloco poderá solicitar ao X o acesso aos registros, enquanto conduz uma investigação sobre a plataforma e o Grok por suposta disseminação de conteúdo ilegal e manipulação de informações. As denúncias surgiram após o lançamento de um novo botão que permite alterar imagens publicadas na rede social com um único comando.

O recurso provocou uma onda de montagens que passaram a exibir mulheres de biquíni ou sem roupa. Um levantamento da organização francesa AI Forensic, que examinou 20 mil criações do Grok e 50 mil solicitações, apontou que 53% das imagens alteradas envolviam nudez, pessoas seminuas ou material pornográfico, produzidas sem a autorização da pessoa retratada.

Comandos que convertiam fotos reais em cenas de teor sexual foram atendidos sem restrições pelo X, diz a AI Forensic. A investigação ainda identificou manipulações desse tipo feitas a partir de imagens de crianças com menos de cinco anos, além da produção de material com apologia ao nazismo e ao Estado Islâmico, o que é considerado crime em diversos países europeus.

Após a pressão, o X limitou o uso da ferramenta de geração de imagens do Grok apenas aos usuários pagos da plataforma. Desta forma, a interação com a IA passa a estar vinculada a um usuário com informações de nome e dados bancários.

UE aponta prática "ilegal"

A União Europeia descreveu a produção do chatbot como "ilegal" e "inaceitável" e afirmou que o Grok enfrentará um maior escrutínio.

Segundo o porta-voz da Comissão Europeia Thomas Regnier, o X deverá reter os dados sobre pedidos e produções do Grok até o final de 2026.

A ordem amplia uma determinação anterior enviada ao X no ano passado que mirava "algoritmos e sistemas de recomendação sobre a disseminação de conteúdo ilegal". Desde dezembro de 2023, a plataforma de Musk é investigada pela UE, que avalia a legalidade do conteúdo digital produzido na rede.

O bloco chegou a aplicar ao X uma multa de 120 milhões de euros (R$ 754 milhões) por violação da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que estabelece regras rígidas de transparência às plataformas digitais.

Segundo a Comissão Europeia, as infrações da empresa de Musk incluem "design enganoso" de seu selo de verificação azul, falta de transparência de seu repositório de publicidade e falta de acesso a dados públicos para pesquisadores.

"A DSA é muito clara na Europa. Todas as plataformas precisam colocar a casa em ordem, porque o que estão gerando aqui é inaceitável, e o cumprimento da legislação da UE não é uma opção. É uma obrigação", disse Regnier.

Mais de 30 legisladores pertencentes ao grupo liberal Renew do Parlamento Europeu pressionam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , por ações mais agressivas contra o X.

"Não se enganem, não é apenas uma questão de pessoas famosas, não é apenas uma questão de mulheres. Todas as fotos suas ou de seus filhos postadas no Facebook ou Instagram estão a apenas um clique de se tornarem pornografia no Grok", disse a legisladora da UE Veronika Cifrova.

Reino Unido e Itália também miram a plataforma

Em resposta ao escândalo, vários grupos irlandeses de direitos das mulheres e proteção à criança também anunciaram na quinta-feira que estavam deixando o X.

"A organização tem observado com crescente inquietação e preocupação o aumento dos níveis de ódio, misoginia, racismo e conteúdo anti-LGBTI+ não controlados na plataforma", afirmou a Women's Aid in Ireland.

O sindicato Irish National Teachers' Organisation também pediu ao governo e à UE que tomem "medidas imediatas" para proteger a segurança e o bem-estar de crianças e mulheres.

No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, instou o órgão regulador britânico a investigar a ferramenta do X. "É ilegal, nós não vamos tolerar. Eu pedi para todas as opções estarem na mesa", disse Starmer sobre a possibilidade de banimento da rede social.

A autoridade italiana de proteção de dados também alertou os usuários sobre o risco de o Grok gerar conteúdos sem consentimento.

O país trabalha ao lado da Comissão de Proteção de Dados da Irlanda, onde estão sediadas as operações do X na UE, e reservou o direito de tomar outras medidas.

Os serviços que permitem aos usuários "despir" digitalmente pessoas podem constituir infrações criminais e violações graves de privacidade sob a legislação da UE, afirmou o órgão regulador italiano.

gq/le (AFP, Reuters, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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