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Jeff Bezos acusa tabloide de chantagem e extorsão

Fundador da Amazon diz que 'National Enquirer' fez ameaças caso ele não interrompesse investigação sobre o vazamento de suas fotos e mensagens

8 fev 2019
01h15
atualizado às 15h33
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Na noite desta quinta-feira, 8, o fundador da Amazon Jeff Bezos revelou que está sendo vítima de "extorsão e chantagem" pela companhia dona do jornal National Enquirer, que divulgou a traição e o fim do casamento do dono da Amazon no início de janeiro. Esta história é praticamente de filme: envolve Donald Trump, Arábia Saudita, a morte de um jornalista, nudes e mensagens amorosas. Jeff Bezos publicou um texto bastante pessoal no Medium.com em que explicou como tudo isso se relaciona.

No mês passado, o homem mais rico do mundo, segundo a lista da revista Forbes, e sua então mulher, MacKenzie Bezos, anunciaram que iriam se divorciar após 25 anos de casados. Logo após o anúncio da separação, o jornal National Enquirer publicou um artigo expondo que Bezos estaria tendo um caso com a ex-apresentadora Lauren Sánchez - a publicação tinha, inclusive, mensagens de texto trocadas entre os dois. Quando viu o artigo, Bezos decidiu iniciar uma investigação contra a editora do National Enquirer, que se chama American Media Inc (AMI), para descobrir como as mensagens em questão vazaram.

O clímax é a parte seguinte da história, contada no texto publicado por Bezos nesta quinta-feira, 7, chamado "Não, obrigada, Mr. Pecker", uma referência a David J. Pecker, chefe da editora AMI. O fundador da Amazon, que também é dono do jornal The Washington Post, disse que representantes da AMI o abordaram pedindo que o executivo parasse de investigar como a editoria tinha conseguido as informações usadas na reportagem. Em contrapartida, a AMI deixaria de publicar uma nova notícia, dessa vez, recheada de fotos íntimas trocadas entre Bezos e a amante.

Razão. Para Bezos, a investigação do National Enquirer sobre sua vida privada tinha motivações políticas e foi feita por retaliação. O executivo citou uma série de reportagens publicadas no jornal The Washington Post sobre a morte do colunista Jamal Khashoggi, um dissidente saudita assassinado ao entrar no consulado do seu país de origem, em Istambul. Na publicação, Jeff citou a aproximação da direção do AMI e do presidente dos EUA, Donald Trump, além da conexões de ambos com o governo da Arábia Saudita, acusado do assassinato. O jornal também é alvo constante de críticas do presidente norte-americano.

"Obviamente não quero fotos pessoais publicadas, mas também não participarei de sua conhecida prática de chantagem, favores políticos, ataques políticos e corrupção", escreveu Bezos sobre a AMI. "Se na minha posição não posso resistir a esse tipo de extorsão, quantas pessoas podem."

De acordo com o jornal Financial Times, um porta-voz da Amazon confirmou que o texto escrito por Bezos é verdadeiro. Segundo a agência de notícias Reuters, a AMI afirmou nesta sexta-feira, 8, que agiu legalmente em sua reportagem sobre o caso de Jeff Bezos com Lauren Sánchez, e que investigaria minuciosamente suas alegações de chantagem e tomaria qualquer medida necessária.

Estadão
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