Saúde mental e inteligência emocional fortalecem aprendizado
Ações pedagógicas para desenvolvimento de competências socioemocionais fortalecem o bem-estar emocional e social de crianças e adolescentes. Bruna Elias, diretora pedagógica da escola bilíngue Brasil Canadá, destaca importância de reconhecer diversidade individual dos estudantes
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), saúde mental envolve fatores emocionais, psicológicos e sociais que influenciam o bem-estar ao longo da vida, e não se limita à ausência de transtornos mentais. A entidade reconhece que a saúde mental é essencial ao desenvolvimento humano, com impacto na aprendizagem, no enfrentamento das pressões cotidianas, nas relações sociais e na participação na vida em sociedade.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) avalia que, embora a pandemia tenha agravado desafios relacionados à saúde mental de crianças e adolescentes, o período também evidenciou a importância das circunstâncias de vida e das conexões afetivas para o fortalecimento do bem-estar emocional da infância à juventude. Um relatório da organização indica que mais de um em cada seis jovens entre dez e 19 anos vive com algum transtorno mental.
Bruna Elias, formada em Letras e Pedagogia, especialista em bilinguismo e diretora pedagógica da escola bilíngue Brasil Canadá, explica que fatores do ambiente escolar como relações interpessoais fragilizadas, excesso de demandas acadêmicas, conflitos não mediados, falta de pertencimento e ausência de espaços seguros de escuta impactam diretamente a saúde mental dos estudantes.
"Iniciativas que promovem atividades intencionais de autoconhecimento, regulação emocional e cooperação — com especialistas no Ensino Fundamental e abordagens lúdicas na Educação Infantil — contribuem para a criação de ambientes escolares baseados na comunicação aberta, no respeito e na empatia, reduzindo o risco de agravamento de dificuldades emocionais", afirma a profissional.
A pedagoga afirma que ignorar sinais de fragilidade emocional no contexto pedagógico pode levar a queda de desempenho, dificuldades de concentração, retraimento social, aumento de conflitos, ansiedade e depressão. Segundo ela, a atuação preventiva da escola evita que essas questões se tornem barreiras permanentes no desenvolvimento global dos alunos.
"No âmbito cognitivo, a aprendizagem é comprometida quando o estudante não se sente emocionalmente seguro. Do ponto de vista social, a falta de acolhimento pode intensificar comportamentos agressivos ou de isolamento", detalha Bruna Elias.
Professor é capaz de identificar dificuldades
Segundo a diretora pedagógica, a formação continuada de professores é fundamental para desenvolver um olhar sensível e qualificado para identificar sinais precoces de sofrimento, dialogar com empatia e aplicar estratégias socioemocionais adequadas.
"O fortalecimento dessa formação — seja com o especialista do Ensino Fundamental, seja com os titulares da Educação Infantil — garante que todos os educadores estejam alinhados a práticas atualizadas, pautadas em evidências e integradas ao cotidiano pedagógico", comenta a especialista.
A exemplo, um guia orientativo do Ministério da Educação indica que a escola deve atuar como um espaço estratégico para o fortalecimento emocional e social de crianças e adolescentes, integrando ações que desenvolvem competências socioemocionais essenciais, como autoconsciência, regulação emocional e efetividade interpessoal.
Inteligência emocional integrada ao currículo escolar
A professora pontua que a inteligência emocional permite que o aluno reconheça sentimentos, entenda gatilhos e utilize estratégias de regulação, o que reduz impulsividade, melhora a convivência e aumenta a capacidade de negociação.
"Alunos que desenvolvem essas habilidades tornam-se mais autônomos, colaborativos e resilientes, características essenciais tanto para o convívio escolar quanto para a vida em sociedade".
Bruna Elias destaca que a inteligência emocional pode ser incorporada ao programa pedagógico por meio de objetivos claros de aprendizagem, indicadores observáveis de progresso e atividades semanais específicas. Entretanto, a avaliação deve priorizar trajetórias individuais, respeitando ritmos e contextos.
"Uma escola pode trabalhar, por exemplo, dinâmicas lúdicas, rodas de conversa, projetos temáticos e intervenções planejadas pelo professor especialista, sempre preservando a sensibilidade e a subjetividade envolvidas. Essas ações reforçam o senso de pertencimento e tornam a escola um ambiente favorável ao desenvolvimento integral dos alunos", observa a pedagoga.
Segundo a especialista, os professores podem promover ambientes escolares mais seguros e emocionalmente acolhedores por meio de estratégias como a construção de rotinas claras e previsíveis, a criação de espaços de escuta ativa e diálogo, o uso de metodologias participativas e colaborativas, e a mediação de conflitos com foco na empatia e no respeito.
"Além disso, práticas que valorizem as emoções — incluindo momentos de checagem emocional, dinâmicas de cooperação, jogos simbólicos, pausas estratégicas ao longo da rotina e exercícios de mindfulness adaptados à faixa etária — contribuem para o desenvolvimento da autorregulação, da consciência corporal e do bem-estar emocional", orienta a profissional.
Para a diretora pedagógica da escola bilíngue Brasil Canadá, a comunicação integrada entre escola, família e profissionais de saúde possibilita que todos atuem com a mesma intenção e compreendam o contexto completo do estudante, funcionando como uma rede de apoio que torna as intervenções mais ágeis, consistentes e eficazes.
"O trabalho conjunto é contínuo, exige cuidado, constância e sensibilidade para respeitar o tempo, o ritmo e a forma como cada estudante lida com as questões que o cercam. Cada criança e cada adolescente vivenciam suas emoções de maneira singular, e o processo educativo precisa acolher essa diversidade", conclui Bruna Elias.
Para mais informações, basta acessar: colegiobrasilcanada.com.br/