Por que 2025 se tornou o ano dos caminhões médios: o maior volume em uma década
Enquanto pesados e leves encolhem sob o peso dos juros, o segmento intermediário cresce 32,5% impulsionado por e-commerce e distribuição de bebidas
Os caminhões pesados continuam sendo a "galinha dos ovos de ouro" das montadoras, mas em 2025 quem segurou o caixa das fabricantes foram os modelos médios. Em um ano de crédito restrito, o segmento intermediário não apenas resistiu à crise, como atingiu seu maior volume de vendas dos últimos dez anos.
Segundo dados da Anfavea, as vendas de caminhões médios somaram 11,7 mil unidades até novembro de 2025. O salto é de 69% quando comparado a 2015, quando o volume anual foi de apenas 6,9 mil unidades. Desde então, o mercado de médios nunca havia rompido o teto registrado agora.
O "pulo do gato" da logística urbana
Os caminhões médios (com PBT entre 10 e 15 toneladas) encontraram o cenário perfeito em 2025. Com a massificação do e-commerce, esses veículos se tornaram os favoritos para a operação de "última milha" (last mile). Eles combinam a capacidade de carga superior aos leves com a agilidade de manobra que os pesados não possuem nos centros urbanos.
Os números da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) explicam essa demanda: em 2024, o setor movimentou R$ 204,27 bilhões em mais de 414 milhões de pedidos. Essa montanha de pacotes pavimentou o caminho para os médios equipados com baú ou sider.
Eficiência operacional vs. juros altos
A disparidade entre as categorias em 2025 revela uma mudança na estratégia do frotista:
- Pesados (queda de 20% sobre 2024): o alto valor de aquisição e a Selic elevada forçaram o transportador de commodities a esticar a vida útil da frota.
- Médios (alta de 32,5%): surgiram como a alternativa econômica. No atual contexto de juros altos, tornou-se mais lógico investir em um caminhão médio do que operar vários veículos leves, gerando economia real de combustível e manutenção.
- Leves (queda de 14%): Perderam espaço para os médios, que transportam mais carga com custo operacional proporcionalmente menor.
Renovação de frota e o setor de bebidas
Para David Wong, consultor da Alvarez & Marsal, o fenômeno também é uma questão de ciclo. "A frota de médios estava mais envelhecida em comparação aos pesados, que foram renovados recentemente com a chegada do Euro 6. Era natural que esse movimento de troca ocorresse agora", analisa.
O setor de distribuição de bebidas e as compras governamentais foram outros pilares desse crescimento. Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América do Sul, destaca que grandes frotistas de bebidas — que historicamente utilizam modelos médios para o "porta a porta" urbano — foram às compras em 2025. "As prefeituras também deram ritmo aos negócios ao longo do ano", completa o executivo.