ET de Varginha era apenas homem de cócoras? Relembre a história que marcou a cidade mineira
Caso que marcou Varginha nos anos 1990 ganhou explicação oficial do Superior Tribunal Militar
Em uma tarde chuvosa de janeiro de 1996, três jovens decidiram cortar caminho por uma rua pouco movimentada de Varginha, no sul de Minas Gerais. Era para ser apenas um atalho. Mas, 20 anos depois, aquele encontro improvável ainda rende debates, livros, palestras e memes -- e segue como um dos episódios mais famosos da ufologia brasileira, o ET de Varginha.
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As irmãs Liliane e Valquíria Fátima Silva caminhavam ao lado da amiga Kátia Andrade Xavier quando avistaram algo fora do comum. Agachada, com olhos vermelhos, a criatura provocou pânico. As três correram para casa. Ao relatar o que viram, disseram à mãe que tinham encontrado "o diabo".
Desconfiada, a mulher foi até o local indicada pelas filhas. A criatura havia desaparecido. Restava apenas um cheiro forte e difícil de descrever, segundo ela. A história se espalhou rápido: primeiro entre familiares e amigos, depois pela cidade inteira. Não demorou para chegar aos ouvidos do ufólogo Ubirajara Rodrigues, que entrou em contato com as jovens. A partir daí, Varginha nunca mais seria a mesma.
Relatos de Objetos Não Voadores Identificados (ONVIs), supostas capturas de extraterrestres e uma intensa movimentação militar passaram a circular. Um dos depoimentos mais comentados veio de um casal de fazendeiros. Oralina e Eurico afirmaram ter visto um ONVI pairando sobre o pasto após perceberem a agitação dos animais. Segundo eles, observaram o objeto no local por cerca de 40 minutos.
Inquérito do caso desmente boatos
O mistério, no entanto, teve um fim decretado com um Inquérito Policial Militar (IPM). De acordo com o documento, "o episódio não passou de uma história fictícia, surgida em um dia de forte chuva". A investigação concluiu que a suposta criatura era, na verdade, um homem com transtornos mentais, conhecido na cidade por perambular pelas ruas, frequentemente agachado, de apelido "Mudinho". O inquérito incluiu, inclusive, fotos do homem.
Instaurada em março de 1997, a apuração buscou esclarecer boatos sobre o envolvimento do Exército na captura e transporte do ser misterioso. Os militares também ouviram os dois ufólogos responsáveis por um livro que ajudou a projetar o caso nacionalmente. A movimentação de viaturas, segundo o IPM, ocorreu porque veículos estavam em manutenção e porque as fortes chuvas provocaram diversas ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, nenhuma delas envolvendo criaturas estranhas.
Hoje, Valquíria trabalha com a venda de mão de queijo, Liliane é professora, e Kátia atua como palestrante em ufologia. A história, no entanto, ainda as acompanha. O documento foi ofertado ao público para confrontar as versões populares. Hoje, Valquíria trabalha com a venda de mão de queijo, Liliane é professora, e Kátia atua como palestrante em ufologia. A história, no entanto, ainda as acompanha.