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Planalto exonera seis auxiliares do ministro Vélez Rodríguez

Na lista de demitidos do Ministério da Educação estão discípulos do 'guru' bolsonarista Olavo de Carvalho

11 mar 2019
22h16
atualizado em 12/3/2019 às 07h38
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BRASÍLIA - O governo exonerou nesta segunda-feira (11) seis auxiliares do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Na lista, estão nomes de discípulos do autor de livros Olavo de Carvalho - guru bolsonarista -, como Tiago Tondinelli e Sílvio Grimaldo.

 O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, foi convidado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal para expor nesta terça-feira, 26, em audiência pública, em Brasília, as diretrizes que seu ministério pretende seguir ao longo dos próximos quatro anos.
O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, foi convidado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal para expor nesta terça-feira, 26, em audiência pública, em Brasília, as diretrizes que seu ministério pretende seguir ao longo dos próximos quatro anos.
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

As demissões ocorrem em meio a uma disputa interna na pasta. Também foi exonerado o coronel Ricardo Wagner Roquetti, militar que se tornou braço direito de Vélez, opositor de "olavistas" e que teve sua saída exigida pelo presidente Jair Bolsonaro, em uma reunião realizada no domingo.

A briga no ministério começou na semana passada, quando o ministro resolveu afastar funcionários que defendiam políticas de viés ideológico. A mais importante delas, revelada pelo Estado, uma carta enviada às escolas pedindo que o slogan de campanha de Bolsonaro fosse lido e que crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional.

Vélez deixou os "olavistas" de lado e passou a se aconselhar com seus ex-alunos e com o secretário executivo Luiz Antonio Tozi, que foi diretor do Centro Paula Souza, administrador das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) em São Paulo.

O grupo defende o foco do MEC em políticas educacionais de evidência comprovada e o abandono do discurso ideógico. "Olavistas", por sua vez, dizem que o grupo é "tucano" e não segue as ideias de Bolsonaro. Os técnicos rivalizam com outros dois segmentos dentro do MEC, o de seguidores de Olavo e o de alguns militares.

'Lava Jato da Educação'

Nesta segunda-feira, pelo segundo dia seguido, Vélez se reuniu com Bolsonaro. Questionado na saída do encontro, não quis comentar as exonerações.

Em nota publicada à tarde, o MEC classificou as mudanças como "movimentação de pessoal" e "reorganização administrativa". No mesmo texto, faz menção às investigações da "Lava Jato da Educação".

"O combate à corrupção está sendo gerido pelo MEC, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Advocacia-Geral da União e Controladoria-Geral da União, e, portanto, deve ser tratado com a isenção e impessoalidade que se exigem das atuações estatais", diz a nota.

Em entrevista ao jornal O Globo na semana passada, Olavo de Carvalho atribuiu as saídas à tentativa de parar a apuração de irregularidades na pasta. /COLABOROU JULIA LINDNER

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Estadão

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