Os sinais de que os EUA podem atacar o Irã
Trump ordena reforço da presença militar americana no Oriente Médio, com dois porta-aviões, incluindo o USS Gerald R. Ford, que estava no Caribe na ação contra Maduro.O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (19/02), na reunião inaugural do seu Conselho da Paz, que o Irã precisa chegar a um "acordo significativo" em suas negociações com os EUA nos próximos dez dias, caso contrário "coisas ruins acontecerão".
Ele alertou que Washington "terá que dar um passo além" se não houver acordo. "Vocês provavelmente descobrirão nos próximos dez dias", disse.
A presença militar americana no Oriente Médio chegou ao ponto de os EUA estarem preparados para atacar o Irã já neste fim de semana, embora Trump ainda não tenha tomado uma decisão sobre autorizar ou não tal ação, noticiou nesta quinta-feira a imprensa americana, incluindo as emissoras CNN e CBS e o jornal The New York Times.
O jornal The Wall Street Journal afirmou na quarta-feira que Trump foi informado sobre suas opções militares, "todas elas projetadas para maximizar os danos", incluindo uma campanha para "matar dezenas de líderes políticos e militares iranianos, com o objetivo de derrubar o governo", disseram autoridades americanas não identificadas ao jornal.
"Seria muito sensato da parte do Irã fechar um acordo com o presidente Trump e seu governo", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Nova postagem de Trump
Trump sugeriu novamente, nesta quarta-feira, numa postagem na sua rede social Truth Social, que os Estados Unidos poderiam atacar o Irã, ao alertar o Reino Unido contra a renúncia à soberania sobre as Ilhas Chagos, no Oceano Índico.
"Caso o Irã decida não fazer um acordo, pode ser necessário que os Estados Unidos usem Diego Garcia e a pista aérea em Fairford para erradicar um possível ataque de um regime altamente instável e perigoso", disse Trump, referindo-se à base aérea em Diego Garcia, nas Ilhas Chagos.
Retirada de pessoal
De acordo com a CBS, o Pentágono começou a retirar parte de seu pessoal do Oriente Médio, principalmente em direção à Europa e aos Estados Unidos, como medida preventiva diante de possíveis ações ou contra-ataques iranianos.
Polônia alerta cidadãos
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, pediu nesta quinta-feira aos cidadãos poloneses no Irã que deixem imediatamente o país do Oriente Médio e que, "em hipótese alguma", alguém viaje para lá. Segundo ele, a possibilidade de um conflito armado é "muito real".
"Daqui a algumas horas, daqui a 12 horas ou a algumas dezenas de horas, ninguém poderá garantir opções de retirada", alertou Tusk. "Aconselho a todos a levarem isso muito a sério", insistiu.
Negociações com "pequenos avanços"
Estados Unidos e Irã retomaram recentemente negociações, mediadas por Omã, depois de Trump ter seguidamente ameaçado com ação militar contra o Irã devido à violenta repressão contra manifestantes em janeiro. Uma segunda rodada de negociações ocorreu na terça-feira, em Genebra, e a Casa Branca comunicou que foram registrados "pequenos avanços" diplomáticos.
A força militar dos EUA perto do Irã
Washington mantém 13 navios de guerra no Oriente Médio: um porta-aviões (o USS Abraham Lincoln), nove destroieres e três navios de combate litorâneo, com mais a caminho, segundo um oficial americano.
Os navios de combate estão equipados com mísseis Tomahawk, os mesmos utilizados para atacar duas instalações nucleares iranianas em junho passado, segundo o New York Times. Os navios também possuem sistemas de defesa aérea.
O USS Abraham Lincoln, com suas quase 80 aeronaves, está posicionado a cerca de 700 quilômetros da costa iraniana, conforme mostraram imagens de satélite no domingo.
O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, que fez parte da frota do Caribe durante a operação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, aproximava-se nesta quarta-feira do Estreito de Gibraltar para se unir ao USS Abraham Lincoln, detalhou o New York Times. Ele é acompanhado por três destroieres e deverá chegar ao seu destino até o fim de semana.
É raro haver dois porta-aviões dos Estados Unidos (que transportam dezenas de aviões de guerra e são tripulados por milhares de marinheiros) no Oriente Médio.
Os Estados Unidos tinham dois desses enormes navios de guerra na região em junho de 2025, quando atacaram três instalações nucleares iranianas durante a campanha de 12 dias de ataques de Israel contra o Irã.
A frota inclui ainda os caças furtivos F-22 Raptor, os caças F-15 e F-16 e as aeronaves de reabastecimento aéreo KC-135, necessárias para sustentar operações, de acordo com contas de inteligência de código aberto (Osint) na rede social X e o site de rastreamento de voos Flightradar24.
Na quarta-feira, o Flightradar24 mostrou vários KC-135 voando perto ou no Oriente Médio, bem como aeronaves de alerta e controle (Awacs) E3 Sentry e aviões de carga operando na região.
Repressão pelo regime iraniano
Trump ordenou o envio do USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio enquanto o Irã reprimia protestos que foram inicialmente motivados por queixas econômicas, mas que se transformaram num movimento de massa contra a República Islâmica.
A liderança clerical, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, respondeu às manifestações com força letal, e parte da oposição considera uma intervenção externa como o fator mais provável de mudança.
Trump havia alertado repetidamente o regime iraniano de que, se matasse manifestantes, os Estados Unidos interviriam militarmente, e encorajou os manifestantes iranianos dizendo que "a ajuda está a caminho".
Ele recuou da ordem de ataques no mês passado, dizendo que Teerã havia suspendido mais de 800 execuções sob pressão de Washington, mas desde então renovou as ameaças ao Irã.
Exercício militar com a Rússia
O Irã tem buscado demonstrar seu poderio militar e realizou exercícios militares anuais com a Rússia nesta quinta-feira.
Forças iranianas e militares russos realizaram os exercícios anuais no Golfo de Omã e no Oceano Índico, com o objetivo de "aprimorar a coordenação operacional, bem como a troca de experiências militares", informou a agência de notícias estatal iraniana Irna.
Imagens divulgadas posteriormente pelo Irã mostraram membros das forças especiais navais da Guarda Revolucionária embarcando num navio durante o exercício. Acredita-se que essas forças tenham sido usadas no passado para apreender embarcações em importantes vias navegáveis internacionais.
A Guarda Revolucionária havia iniciado uma série de exercícios militares com munição real nesta segunda-feira no Estreito de Ormuz, a estreita passagem do Golfo Pérsico por onde passa um quinto do petróleo comercializado no mundo. Políticos iranianos têm ameaçado seguidamente bloquear o estreito, que é uma importante via navegável global para petróleo e gás. Na terça-feira, a TV estatal noticiou que Teerã fecharia partes da hidrovia como medida de segurança durante os exercícios.
A teocracia iraniana está mais vulnerável do que nunca, após 12 dias de ataques israelenses e americanos contra suas instalações nucleares e militares em 2025 bem como protestos em massa em janeiro que foram violentamente reprimidos.
Mas o país ainda é capaz de atacar Israel e bases americanas na região e alertou que qualquer ataque desencadearia uma guerra regional.
as/md (AFP, Efe, Lusa, OTS)