Muro subterrâneo de 6 km reforça proteção em praia famosa para conter erosão
Balneário Camboriú inicia construção de muro subterrâneo para conter erosão na Praia Central, que passou por alargamento. Projeto aposta em inovação para preservar orla.
Balneário Camboriú, em Santa Catarina, está implantando um muro subterrâneo de concreto armado com 6 km de extensão na Praia Central, principal orla da cidade, visando conter a erosão e proteger a nova faixa de areia obtida por meio do alargamento artificial realizado em 2021. A intervenção surge após a ampliação da praia, que expandiu a faixa de areia de 25 para 70 metros, mas enfrentou consequências hidrológicas e processos erosivos em pontos críticos.
Alargamento da Praia Central: o contexto
Em 2021, a Praia Central passou por uma megaobra de engorda artificial que ampliou significativamente a orla, utilizando areia retirada de uma jazida a 15 km da costa, com rigoroso critério para manter características naturais do sedimento, garantindo estabilidade. A obra buscou aumentar a proteção da orla contra o avanço do mar e melhorar a infraestrutura para lazer e mobilidade urbana.
Riscos e desequilíbrios após o alargamento
Apesar do sucesso inicial, a ampliação gerou desafios, como a formação de poças d'água temporárias em dias de maré alta e o aumento de alagamentos em até 40% na região, devido ao novo perfil costeiro. Ademais, setores específicos da praia, especialmente na ponta da Barra Sul, sofreram erosão intensa, perdendo até 70 metros de faixa de areia em dois anos, o que evidenciou a necessidade de intervenções complementares.
Características do muro subterrâneo
O muro está sendo construído desde agosto de 2025, iniciando-se no trecho entre a Rua 3920 e o molhe da Barra Sul, totalizando inicialmente 1,5 km de extensão com previsão de alcançar os 6 km ao final. Feito de concreto armado com mais de 2 metros de profundidade e estrutura base de pedras basálticas (rachão), o muro funcionará como barreira física subterrânea contra o avanço da maré alta e processos erosivos.
Integração com o projeto de reurbanização
A obra do muro integra um amplo projeto orçado em R$ 31 a 35 milhões que engloba reurbanização da orla com ampliação do calçadão, criação de ciclovias, estações de exercícios, dog parks, quiosques e áreas verdes com plantas nativas resistentes à salinidade. A iniciativa busca aliar proteção costeira com maior qualidade de vida para moradores e turistas.
Sistema de macrodrenagem complementar
Para resolver o aumento dos alagamentos, foi instalado um complexo sistema de macrodrenagem, incluindo galerias pluviais de 8 km com grandes diâmetros e extravasores capazes de escoar até 12 mil litros por segundo, garantido melhor escoamento das águas pluviais frente às mudanças no relevo da praia.
Monitoramento e sustentabilidade
Sensores geotécnicos distribuídos ao longo do muro medem pressão hidrostática e movimentação dos sedimentos em tempo real, permitindo ajustes rápidos na estrutura. Institutos especializados em oceanografia também avaliam os possíveis impactos ambientais, assegurando que a obra preserve os ecossistemas marinhos. O paisagismo contempla espécies nativas para recuperação da restinga.
Impacto econômico e turístico
Balneário Camboriú se consolida como um dos destinos turísticos mais valorizados do Brasil, tendo o metro quadrado mais caro no país. A obra fortalece a segurança da praia em meio a esse cenário, garantindo a preservação da orla e atraindo visitantes, além de ancorar a cidade como ponto de embarque de cruzeiros internacionais.
Engajamento local e ambiental
O projeto contou com licenças ambientais rigorosas e autorização da Secretaria do Patrimônio da União, demonstrando um compromisso com o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e respeito ambiental. Os investimentos reforçam o cuidado com o patrimônio público e a cobrança por transparência em processos de engenharia costeira.
Perspectivas futuras
O muro subterrâneo e as medidas de reurbanização fazem parte de um plano maior que visa consolidar Balneário Camboriú entre as cinco maiores orlas lineares do Brasil, com 600 mil metros quadrados de área útil. O investimento total está estimado em cerca de R$ 250 milhões até 2030, prometendo uma orla mais extensa, moderna e protegida contra os efeitos das mudanças climáticas e erosão.