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Tensões EUA-Irã crescem às vésperas de nova rodada de negociações em Omã

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltaram a aumentar nesta semana, apesar dos esforços de ambos os países para retomar uma agenda diplomática voltada à contenção nuclear e à redução de riscos na região. Uma nova rodada de negociações está agendada para sexta-feira (6), em Omã, a pedido de Teerã, que deseja limitar as conversas exclusivamente ao seu programa nuclear. O anúncio do novo encontro entre representantes dos dois países foi feito nesta quarta-feira (4).

4 fev 2026 - 08h52
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Washington, por outro lado, tenta ampliar a pauta para incluir temas considerados sensíveis pelo regime iraniano, como o programa de mísseis balísticos — classificado por autoridades do país como uma "linha vermelha" — e o apoio militar de Teerã a grupos aliados na região, incluindo o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iêmen.

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Foto: © The Jerusalem Institute for Strategy and Security / jiss.org.il / RFI

Segundo uma autoridade regional, o Irã pediu que a reunião fosse transferida da Turquia para Omã justamente para tentar manter o foco no dossiê nuclear. Fontes americanas afirmam que o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, participarão das negociações com o chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Os Estados Unidos chegaram a convidar representantes de diversos países do Oriente Médio, como Paquistão, Arábia Saudita, Catar, Egito e Emirados Árabes Unidos. Teerã, porém, insiste em um formato estritamente bilateral.

Drone abatido aumenta pressão no Golfo

Na véspera do encontro, um novo incidente militar elevou a tensão no Golfo de Omã. Um caça F-35C do porta-aviões USS Abraham Lincoln derrubou um drone iraniano Shahed-139 que se aproximava "agressivamente", segundo o Comando Central americano.

O episódio ocorreu horas depois de forças iranianas tentarem interceptar um navio com bandeira americana no Estreito de Ormuz, ampliando os temores de escalada militar.

Os Estados Unidos afirmam que o drone continuou avançando em direção ao porta-aviões apesar de sinais de advertência. O Irã respondeu que o equipamento cumpria uma missão "rotineira e legal de reconhecimento" e que a perda de comunicação ainda estava sendo investigada.

A Casa Branca declarou que o incidente não altera os planos para a reunião. Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, o compromisso de diálogo permanece.

Pezeshkian pede negociações "equitativas"

Em Teerã, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou ter orientado o chanceler Araqchi a conduzir negociações "equitativas", desde que ocorram em ambiente "sem ameaças nem exigências insensatas". A declaração foi divulgada após Donald Trump reiterar que o Irã enfrentará "consequências sérias" caso um acordo não seja alcançado.

Os dois países já haviam tentado uma aproximação em 2025, mas as conversas fracassaram diante do impasse em torno do enriquecimento de urânio. Washington exige a suspensão total do processo, enquanto o Irã afirma exercer seu direito previsto no Tratado de Não Proliferação Nuclear.

O acordo nuclear de 2015 permanece desativado desde a retirada unilateral dos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Trump.

Contexto interno: repressão continua

No Irã, a repressão aos protestos antigovernamentais segue intensa. Segundo a organização HRANA, mais de 50 mil pessoas foram detidas, e quase sete mil mortes foram confirmadas desde o início das manifestações. O governo iraniano reconhece mais de três mil mortes, atribuindo a maioria a ataques "terroristas".

A TV estatal anunciou, nesta semana, a prisão de quatro estrangeiros acusados de envolvimento nos distúrbios.

Apesar da retórica agressiva, fontes regionais afirmam que nem Estados Unidos nem Irã têm interesse real em um conflito militar direto, que poderia desestabilizar toda a região e pressionar ainda mais os mercados de energia. Ainda assim, a sucessão de incidentes militares e as fortes divergências políticas colocam a delicada negociação sob risco.

O drone abatido na terça-feira (3) reforça o quão frágil é a margem para erro no atual cenário.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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