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Quais são os destinos sem visto que separam o passaporte brasileiro do mais poderoso do mundo

Brasil está no top 20 em ranking que classifica os países conforme o número de destinos acessíveis sem a exigência de visto antecipado

17 jan 2026 - 04h59
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Resumo
O passaporte brasileiro ocupa o 16º lugar no Henley Passport Index 2026, permitindo acesso sem visto a 169 destinos, empatado com a Argentina, e continua entre os mais poderosos da América do Sul.
Passaporte brasileiro permanece como um dos mais poderosos do mundo em 2026, segundo ranking
Passaporte brasileiro permanece como um dos mais poderosos do mundo em 2026, segundo ranking
Foto: Gemini

O passaporte brasileiro permanece como um dos mais poderosos do mundo em 2026. Ocupando a 16ª colocação no índice Henley Passport Index, o País oferece livre acesso a 169 localidades, empatado com a Argentina. O desempenho mantém o Brasil no top 20 global e destaca sua liderança em termos de liberdade de viagem na América do Sul.

O levantamento é produzido pela consultoria britânica Henley & Partners com base em dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) e avalia 227 destinos globais. Com mais de 20 anos de série histórica, o índice é considerado uma das principais referências internacionais sobre mobilidade global.

Para Leo Braga, professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, a posição do Brasil no ranking deve ser interpretada de forma positiva. “Podemos considerar o Brasil como muito bem colocado no ranking global: acesso a 169 países sem necessidade de visto indica que o brasileiro é visto como visitante de baixo risco”, afirma.

Esse reconhecimento internacional se apoia em dois fatores centrais. “Em primeiro lugar, o Brasil não é visto como um país de emigrantes, de onde as pessoas querem sair definitivamente. Em segundo, o comportamento consensual da diplomacia brasileira, com tradição na construção de acordos e respeito mútuo, faz com que o país seja bem-visto.”

O Henley Passport Index classifica os países conforme o número de destinos acessíveis sem a exigência de visto antecipado. O estudo também é utilizado como indicador indireto de estabilidade política, força diplomática e acordos internacionais, além de refletir mudanças no cenário geopolítico ao longo do tempo.

Ásia lidera, Europa mantém força e EUA têm queda 

A liderança do ranking em 2026 está concentrada na Ásia. Singapura aparece isolada no primeiro lugar, com acesso a 192 destinos, seguida por Japão e Coreia do Sul, que dividem a segunda posição, com 188. Países europeus ocupam de forma expressiva as colocações seguintes, preenchendo integralmente o terceiro e o quarto lugares, com acesso entre 185 e 186 destinos.

Portugal figura no quinto lugar, ao lado de Hungria, Eslováquia, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos, todos com acesso a 184 destinos. Os Emirados, inclusive, são apontados no relatório como o país que apresentou a evolução mais significativa desde 2006, impulsionado por políticas de ampliação de acordos diplomáticos e flexibilização de vistos.

Braga avalia que o Brasil poderia aprender com esse modelo dos Emirados, mas ressalta diferenças importantes. Segundo ele, a participação brasileira no BRICS pode, em alguns contextos, limitar a percepção de neutralidade internacional. Ainda assim, destaca fatores positivos. “A praticamente garantida assinatura do acordo Mercosul-União Europeia tende a impulsionar a credibilidade do Brasil. Se a Europa confia no Brasil, quem há de desconfiar seriamente?”, questiona.

Os Estados Unidos retornaram ao top 10 em 2026, ocupando a décima posição, com acesso sem visto a 179 destinos. Ainda assim, o país continua em trajetória de perda relativa. Apenas no último ano, deixou de ter acesso facilitado a sete destinos e acumula uma das maiores quedas no ranking desde o início da série histórica.

Na outra ponta da lista, Afeganistão, Síria e Iraque permanecem nas últimas posições, com menos de 30 destinos acessíveis sem visto. A diferença entre o passaporte mais poderoso e o mais fraco chega a 168 destinos, evidenciando a desigualdade no direito de circulação internacional, segundo a Henley & Partners.

Ranking dos passaportes mais poderosos do mundo em 2026

  • 1º. Singapura – 192 destinos
  • 2º. Japão e Coreia do Sul – 188 destinos
  • 3º. Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça – 186 destinos
  • 4º. Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos e Noruega – 185 destinos
  • 5º. Hungria, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos – 184 destinos
  • 6º. Croácia, República Checa, Estónia, Malta, Nova Zelândia e Polónia – 183 destinos
  • 7º. Austrália, Letónia, Liechtenstein e Reino Unido – 182 destinos
  • 8º. Canadá, Islândia e Lituânia – 181 destinos
  • 9º. Malásia – 180 destinos
  • 10º. Estados Unidos – 179 destinos
  • 11º. Bulgária e Romênia – 178 destinos
  • 12º. Mônaco – 177 destinos
  • 13º. Chile – 175 destinos
  • 14º. Chipre – 174 destinos
  • 15º. Andorra e Hong Kong (RAE da China) – 171 destinos
  • 16º. Argentina e Brasil – 169 destinos
  • 17º. San Marino – 168 destinos
  • 18º. Israel – 165 destinos
  • 19º. Barbados e Brunei – 162 destinos
  • 20º. Bahamas – 158 destinos

Por que o Brasil ainda não está no top 10?

Apesar da boa colocação do Brasil, Leo Braga pondera que há limites estruturais para o avanço brasileiro no ranking. “Sendo o Brasil um país em desenvolvimento, ele não dispõe das mesmas condições socioeconômicas que os países mais ricos do mundo. Isso gera uma camada adicional de atenção por parte de alguns Estados”, diz. Ainda assim, o professor reforça que a 16ª posição “é sinônimo de credibilidade, e não de desconfiança”.

Mesmo com ampla circulação pela Europa e pela América Latina, brasileiros ainda precisam de visto para destinos estratégicos como Estados Unidos, Canadá e Austrália. De acordo com o especialista, a exigência tem origem principalmente em decisões diplomáticas recentes.

“O ponto central é a retomada do controle de vistos para cidadãos desses países pelo Brasil em abril de 2025”, explica Braga. Segundo ele, a política de isenção adotada durante o governo Bolsonaro não seguia o princípio da reciprocidade. “Com a mudança de governo, o Itamaraty entendeu que a relação estava desigual e retomou os controles. Isso reflete muito mais uma medida diplomática do que qualquer percepção negativa sobre o brasileiro.”

O professor destaca ainda que o Brasil conseguiu negociar isenção de vistos com o Japão, o que demonstra capacidade de articulação com países desenvolvidos. “Isso indica um nível de confiança que transborda para outros Estados”, afirma.

Etias vai mudar a experiência do viajante, mas sem impacto no ranking

A partir do final de 2026, brasileiros que desejarem entrar na Europa precisarão solicitar o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (Etias), uma autorização eletrônica prévia. Embora não seja um visto, a exigência adiciona uma etapa ao planejamento da viagem.

Para Braga, a mudança traz mais burocracia, mas também benefícios. “Na prática, altera sim, porque deixa o processo um pouco mais burocrático. Por outro lado, sistemas eletrônicos rápidos indicam prestígio e confiança”, avalia. Segundo ele, o Etias tende a tornar a experiência mais previsível. “O viajante saberá ainda no Brasil se foi autorizado, reduzindo aquele ‘frio na barriga’ na imigração.”

O especialista afirma que a nova exigência não deve afetar negativamente a posição do Brasil no ranking e pode até tornar a experiência prática de viagem mais tranquila.

O que o brasileiro precisa para não ser barrado na imigração

Viajar sem visto não elimina o risco de ser impedido de entrar em um país. Por isso, o professor recomenda o que chama de “kit de sobrevivência” do viajante. Entre os itens essenciais estão passaporte com validade mínima de seis meses, seguro-viagem, passagem de volta, comprovante de hospedagem e, quando aplicável, aprovação do ETIAS.

Outro ponto de atenção é a comprovação financeira e o domínio básico do idioma. “É comum que o viajante seja questionado sobre o roteiro e os pontos turísticos. Isso é esperado de qualquer pessoa que viaja de boa-fé”, afirma Braga.

O ranking considera como acesso livre também países que oferecem visto na chegada ou autorizações simplificadas. Segundo Braga, esse tipo de entrada exige cuidados adicionais. “Nem sempre os processos são rápidos. É preciso estar preparado para filas, burocracia e eventuais dificuldades com idioma”, alerta.

Ele também chama atenção para taxas cobradas na imigração e para o risco de golpes em autorizações online. “É fundamental verificar se a empresa é séria e preencher todos os dados corretamente. Uma simples letra trocada pode impedir a entrada no país”, conclui.

Fonte: Portal Terra
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