EUA congelam novos vistos de imigração para Brasil e mais 74 países: entenda quem é afetado
Medida afeta vistos para quem quer residir nos EUA, mas vistos de turismo, negócios e estudo não são afetados.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos vai suspender, a partir de 21 de janeiro, o processamento de vistos de imigração para o Brasil e outros 74 países.
A suspensão não afeta vistos de turismo ou outros vistos temporários. De acordo com o governo dos EUA, a medida se aplica exclusivamente a vistos de imigração, enquanto vistos de turismo, estudo e negócios seguem enquadrados na categoria de vistos de não imigrante e permanecem válidos. (Leia abaixo mais detalhes sobre quem será afetado pela medida.)
A informação foi primeiro divulgada na quarta-feira (15/1) pela emissora Fox News com base em documentos obtidos com o Departamento de Estado e confirmada à BBC News Brasil por uma fonte do órgão.
Mais tarde, o Departamento de Estado americano divulgou uma nota oficial confirmando a medida e divulgando a relação de países que serão afetados.
Além do Brasil, constam da lista países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Iêmen e outros.
No comunicado, o governo americano afirma que vai suspender a emissão de vistos de imigração para cidadãos de uma lista de países considerados de "alto risco", como parte de uma revisão mais ampla das políticas migratórias do país.
Segundo o Departamento de Estado, a medida reflete a posição do presidente americano Donald Trump de que imigrantes "devem ser financeiramente autossuficientes e não representar um fardo financeiro para os americanos".
O texto afirma ainda que o órgão está conduzindo uma revisão completa de políticas, regulamentos e diretrizes para impedir que imigrantes desses países utilizem programas de assistência social nos Estados Unidos ou se tornem um "encargo público".
Na rede social X, o perfil do Departamento de Estado afirmou que suspenderá vistos de 75 países "cujos migrantes recorrem a benefícios sociais pagos pelo povo americano em taxas consideradas inaceitáveis".
"A suspensão permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano", afirmou o órgão.
A nota diz também que a suspensão afeta países cujos imigrantes frequentemente se tornam "dependentes de assistência pública nos EUA logo após a chegada".
"Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo americano não seja mais explorada", continua a nota. "O governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar."
O memorando do Departamento de Estado, ao qual a Fox News teve acesso, orienta ainda os funcionários dos consulados americanos nos países afetados a negarem vistos com base na legislação vigente, enquanto o departamento reavalia os procedimentos de triagem e verificação.
A medida se soma a outras muitas ações anti-imigratórias do governo de Donald Trump e seria uma forma de impedir que pessoas fiquem no país e se tornem um encargo público, segundo a emissora.
A reportagem procurou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro sobre a decisão, mas o órgão não se posicionou até o momento.
"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um ônus para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott.
"A imigração desses 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de estrangeiros que se beneficiariam de programas de assistência social e benefícios públicos."
Quem será afetado?
A partir de 21 de janeiro de 2026, a suspensão passa a valer para solicitantes de vistos de imigração — ou seja, de residência permanente — que sejam cidadãos dos seguintes países:
Afeganistão, Albânia, Argélia, Antígua e Barbuda, Armênia, Azerbaijão, Bahamas, Bangladesh, Barbados, Belarus, Belize, Bósnia, Brasil, Butão, Cabo Verde, Camarões, Camboja, Cazaquistão, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba, Dominica, Egito, Eritreia, Etiópia, Fiji, Gâmbia, Gana, Geórgia, Granada, Guatemala, Guiné, Haiti, Iêmen, Irã, Iraque, Jamaica, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Laos, Líbano, Libéria, Líbia, Macedônia do Norte, Marrocos, Mianmar, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Quirguistão, República Democrática do Congo, República do Congo, Ruanda, Rússia, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Senegal, Serra Leoa, Síria, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Tailândia, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Uruguai e Uzbequistão.
Não são impactados os chamados vistos de não imigrante, destinados a estadias temporárias no país.
Assim, devem permanecer em processamento, por exemplo, os vistos de turismo e negócios, usados por viajantes a lazer, visitantes ocasionais ou, por exemplo, torcedores que pretendem ir aos Estados Unidos para eventos como a Copa do Mundo de 2026.
Nesta categoria também estão estudantes, jornalistas, intercambistas, atletas e artistas em atividades temporárias, diplomatas, trabalhadores temporários, profissionais transferidos por empresas, entre outras categorias de viagem de caráter temporário.
A restrição anunciada se aplica exclusivamente a vistos de imigração, concedidos a estrangeiros que pretendem residir permanentemente nos Estados Unidos.
Entram nessa categoria os vistos para familiares imediatos de cidadãos americanos, como cônjuges, filhos e pais; vistos patrocinados por empregadores para residência permanente; vistos de investidores; além do visto de diversidade cultural, conhecido como "loteria do green card", modalidade que dá o direito à residência permanente para imigrantes de países com pouca representatividade nos EUA.
Apesar da suspensão, o Departamento de Estado informou que os pedidos de visto de imigração continuarão sendo aceitos e que as entrevistas consulares seguirão sendo realizadas normalmente.
No entanto, nenhum visto de imigração será efetivamente emitido para cidadãos desses países enquanto a medida estiver em vigor.
O governo americano afirmou que há exceções. Pessoas com dupla nacionalidade poderão obter o visto de imigração caso utilizem um passaporte válido de um país que não esteja incluído na lista da suspensão.
Segundo o Departamento de Estado, a diretriz não revoga vistos de imigração já concedidos.
Em dezembro, os EUA já haviam anunciado a suspensão dos pedidos de imigração apresentados por cidadãos da Venezuela, de Cuba, do Haiti e de outros 16 países não europeus.
Um mês antes, Trump prometeu "interromper permanentemente a imigração" para os Estados Unidos de pessoas de todos os "países do Terceiro Mundo", ao se manifestar contra o "ônus dos refugiados" do seu país.
A mais nova determinação do Departamento de Estado representa um endurecimento ainda maior da posição do presidente republicano em relação aos migrantes, durante seu segundo mandato.
Entre outras medidas, Trump procurou realizar deportações em massa de migrantes que entraram no país ilegalmente, reduzir drasticamente o número de refugiados e eliminar os direitos à cidadania automática que se aplicam atualmente a quase todos os nascidos em território americano.
O governo também promove um endurecimento das ações de fiscalização por meio do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). Como consequência, aumentaram os episódios violentos envolvendo agentes da organização.
Na semana passada, a morte de uma mulher de 37 anos por um agente do ICE em Minneapolis provocou protestos e muita indignação.
Renee Nicole Good foi baleada em seu carro em 7 de janeiro. Autoridades federais alegam que ela teria atropelado agentes com seu carro, mas o prefeito de Minneapolis diz que um agente agiu de forma imprudente.
Centenas de agentes do ICE foram enviados para a cidade no Estado de Minnesota como parte da política de repressão da Casa Branca contra a imigração ilegal.