Protesto contra regime iraniano reúne 200 mil pessoas em Munique
Cerca de 200 mil pessoas se reuniram na tarde deste sábado (14) em Munique, na Alemanha, para protestar contra as autoridades iranianas, informou a polícia local. O ato acontece em paralelo à Conferência de Segurança de Munique, que reúne líderes mundiais até domingo (15) na cidade.
Entre as demandas, os manifestantes exigiam a queda da República Islâmica, após a violenta repressão que sufocou uma onda generalizada de protestos desde o final de dezembro.
Os participantes do ato marcharam até a Theresienwiese, uma grande praça na zona oeste da cidade, em uma atmosfera pacífica e tranquila. Manifestantes chegaram a oferecer tulipas e rosas aos policiais.
Alguns agitavam bandeiras com as cores verde, branca e vermelha, estampada com o emblema da monarquia derrubada em 1979. Vários militantes entrevistados pela AFP apontaram a falta de legitimidade do governo iraniano e denunciaram as negociações conduzidas pelos Estados Unidos no conflito.
"Quando um governo mata seu próprio povo nas ruas, não é confiável", disse Razieh Shahverdi, uma iraniana de 34 anos que viajou de Paris para participar do ato.
ONGs de direitos humanos denunciam a morte de milhares de manifestantes no Irã durante a onda de protestos, que começou em 28 de dezembro de 2025, motivada inicialmente pela desvalorização do rial iraniano, moeda local.
Apelos à volta da monarquia
Alguns manifestantes no protesto exibiam retratos do filho exilado do deposto Xá, Reza Pahlavi, e entoavam slogans como "Javid Shah" (Viva o Xá), "Pahlavi bar migarde" (Pahlavi retorna) e "Reza II", conclamando este opositor do regime atual a se tornar o sucessor do fundador da dinastia Pahlavi, seu avô Reza Shah.
"É a melhor opção para o nosso país porque conhecemos a família Pahlavi", argumentou uma médica iraniana de 40 anos que vive na Alemanha e não quis ter seu nome divulgado.
Durante seu discurso no Conselho de Segurança Marítima na manhã deste sábado, Reza Pahlavi pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "ajude" o povo iraniano, afirmando que "era hora de pôr um fim à República Islâmica".
"Esta é a reivindicação que ecoa desde o derramamento de sangue dos meus compatriotas, que não nos pedem para reformar o regime, mas para ajudá-los a enterrá-lo", acrescentou Pahlavi, personagem proeminente da oposição iraniana que vive exilado em Nova York.
Manifestações pedindo ação internacional contra Teerã também estão planejadas para este sábado em Toronto, no Canadá, e Los Angeles, nos Estados Unidos.
Na semana passada, cerca de 10 mil pessoas já haviam se reunido em Berlim, de acordo com a polícia alemã, em resposta a uma convocação do Conselho Nacional da Resistência do Irã, braço político do grupo de oposição exilado Mujahedin do Povo do Irã, que Teerã considera uma organização "terrorista".
Com AFP