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Polícia descobriu serial killer através de carro 'perdido', DNA e uma fatia de pizza

Caso aconteceu em Nova York, e reviravolta aconteceu uma década após os crimes

22 jul 2023 - 10h07
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As crostas de pizza continham material genético que ligava diretamente o suspeito aos crimes
As crostas de pizza continham material genético que ligava diretamente o suspeito aos crimes
Foto: Tribunal do Condado de Suffolk / NYT

A polícia de Nova York, nos Estados Unidos conseguiu reunir provas para identificar um serial killer 10 anos após os crimes que ele cometeu. Utilizando dados telefônicos e um sistema avançado que mapeia a cobertura das torres celulares, uma equipe de investigadores desenhou um polígono em um mapa de Massapequa Park, em Long Island. Desde 2021, os investigadores foram reduzindo gradualmente a área, até que ela abrangia apenas algumas centenas de casas. Em uma delas, vivia o assassino em série. As informações foram divulgadas pelo jornal New York Times.

Em 2011, 11 corpos foram encontrados no meio da vegetação rasteira perto da praia de Gilgo, uma área remota de 8km de extensão na costa de Nova York. As vítimas eram todas mulheres que trabalhavam como garotas de programa, e haviam desaparecido após atenderem um cliente. Elas foram amarradas com fita adesiva, cintos ou envoltas em mortalhas com padrão de camuflagem.

Uma das primeiras descobertas importantes foi que cada uma das vítimas fez ligações para diferentes celulares descartáveis pouco antes de desaparecerem. Os investigadores perceberam que durante o dia de trabalho, alguns desses telefones estavam ativos em uma área específica próxima à Penn Station, no coração de Manhattan. Durante a noite, os sinais dos celulares descartáveis continuavam sendo emitidos na região em torno de Gilgo Beach.

Na semana passada, as autoridades do condado de Suffolk anunciaram a prisão de um homem suspeito de ser o responsável por pelo menos quatro desses assassinatos: Rex Heuermann, um arquiteto de 59 anos que tinha seu escritório perto da Penn Station. Ele morava em uma rua tranquila exatamente onde os investigadores acreditavam que o assassino vivesse. Heuermann foi acusado de três dos assassinatos, mas se declarou inocente, sendo apontado como o principal suspeito do quarto, segundo o New York Times.

A prisão pode ter encerrado anos de angústia para as famílias das vítimas, mas também levantou a questão do por quê as autoridades levaram tanto tempo para resolver o caso. Um novo Comissário de Polícia e sua força-tarefa levaram apenas seis semanas para descobrir uma pista crucial no extenso arquivo do caso.

Vítimas tinham semelhanças

A suspeita de que um serial killer estava atuando em Long Island surgiu em dezembro de 2010, quando um policial de Suffolk chamado John Mallia e seu parceiro, um cão pastor alemão Blue, estavam tentando encontrar uma jovem chamada Shannan Gilbert, de 24 anos, que havia desaparecido. No entanto, ao invés disso, eles acabaram encontrando quatro corpos perto da praia de Gilgo.

Os corpos eram todos de mulheres de cerca de 20 anos que haviam desaparecido nos anos anteriores. Os investigadores suspeitaram que elas foram assassinadas pelo mesmo homem, devido à forma como os corpos foram encontrados e à proximidade das descobertas.

Uma das últimas vítimas a desaparecer foi Amber Costello, de 27 anos. Pouco antes de seu desaparecimento em setembro de 2010, ela foi contatada por um cliente através de um celular descartável e o recebeu em sua casa em West Babylon. O cliente dirigia um veículo com uma aparência peculiar, com um SUV na frente e uma picape atrás. Ele era corpulento, de meia-idade, cabelos escuros e óculos com estilo dos anos 70, sendo descrito por uma testemunha como um "ogro".

Após pagar a Costello, uma cena caótica aconteceu quando um homem fingindo ser seu namorado entrou correndo na casa, na verdade, parte de um plano para roubá-la. Assustado, o cliente saiu correndo da casa. No entanto, ele não ficou longe por muito tempo, entrou em contato com Costello pedindo crédito para a próxima vez e marcou um novo encontro. A última vez que Costello foi vista viva foi na noite seguinte, saindo de sua casa, aparentemente para encontrar esse mesmo homem.

Alguns relatos mencionavam a presença de um caminhão escuro na área, mas essa informação acabou perdida no arquivo do caso por anos, como se fosse insignificante. Porém, mais tarde, essa pista foi de extrema importância.

Em busca de pistas

O novo chefe de polícia de Suffolk, Tim Sini, assumiu o caso e concentrou-se em rastrear os celulares descartáveis para obter mais pistas, segundo o New York Times. Em meados de 2016, obteve uma ordem judicial para obter informações detalhadas de todos os telefones conectados a torres específicas em um determinado período de tempo na região.

Uma grande oportunidade surgiu em março do ano passado, quando um investigador encontrou a descrição do veículo mencionado por uma testemunha no arquivo do caso. Usando um banco de dados capaz de pesquisar veículos por marca e modelo, sem a necessidade de números de placas, o investigador encontrou um Chevrolet Avalanche de Heuermann em 2010, ano em que Costello desapareceu.

Curiosamente, o nome do dono do carro nunca havia sido considerado suspeito na investigação, embora sua descrição física combinasse com a do "ogro" que havia sido visto correndo da casa. Ele tinha 1,80m de altura e era corpulento, e morava na área de Massapequa Park, onde os investigadores acreditavam que o serial killer vivia, de acordo com o polígono traçado durante as investigações.

A pista do carro estava presente desde o início do caso, mas não havia sido considerada pelos investigadores. O detalhe não foi considerado confiável ou havia sido ignorado diante de outras pistas.

Finalmente, quando os investigadores conectaram o veículo de Heuermann ao caso, a investigação entrou em sua fase mais crítica. No entanto, o tempo passado havia apagado os dados precisos de localização do celular de Heuermann. Ainda assim, seus registros de cobrança mostraram a localização geral do telefone durante as ligações, colocando-o na cidade de Nova York na mesma época em que ligações cruéis e insultuosas foram feitas a Melissa Barthelemy, outra das vítimas. No entanto, ainda faltava uma prova concreta.

Provas

Ao longo dos primeiros dias da investigação, foram coletados cabelos das vítimas, presos às mantas ou fitas adesivas que as envolviam. Contudo, essas amostras não foram consideradas adequadas para análises detalhadas de DNA. Mas, ao longo dos últimos três anos, avanços na ciência forense permitiram a dois laboratórios gerar relatórios completos de DNA a partir dessas amostras. Três das amostras de DNA provavelmente pertenciam à esposa do assassino, mas a quarta tinha quase 100% de chances de ser dele, conforme mostrou o New York Times.

Os investigadores precisavam do material genético de Heuermann para confirmar suas suspeitas. Em julho do ano passado, um detetive disfarçado revirou o lixo reciclado de Heuermann em busca de garrafas vazias. Em janeiro deste ano, o suspeito descartou uma caixa de pizza em uma lixeira na calçada em frente ao seu escritório em Manhattan. Foram as crostas deixadas para trás que finalmente deram aos investigadores o que precisavam.

A investigação também revelou que o suspeito estava buscando informações sobre o que os investigadores estavam fazendo, realizando pesquisas online sobre serial killers em geral e a investigação sobre as vítimas de Gilgo Beach.

Em 13 de julho, detetives à paisana abordaram Heuermann após ele sair de seu escritório. Embora ele tenha coberto cuidadosamente seus rastros e acompanhado de perto a investigação, sua reação ao ser preso foi de "surpresa genuína", segundo os promotores. Assim terminou uma perseguição de 12 anos.

Fonte: Redação Terra
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