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Perfil/Messina Denaro, o líder mafioso 'fantasma' por 30 anos

Chefe da Cosa Nostra morreu de tumor no cólon

25 set 2023 - 00h05
(atualizado às 00h14)
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Por Franco Nicastro e Francesco Nuccio - "Cedo ou tarde, o pegaremos." Ao longo das últimas décadas, ministros do Interior, investigadores e magistrados se revezaram na promessa de capturar Matteo Messina Denaro, o poderoso líder da Cosa Nostra preso em 16 de janeiro de 2023, após quase 30 anos foragido, e morto em função de um tumor no cólon.

Matteo Messina Denaro foi preso em janeiro de 2023, em Palermo
Matteo Messina Denaro foi preso em janeiro de 2023, em Palermo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

E enquanto a polícia científica se encarregava de atualizar e envelhecer o retrato do mafioso, seu império bilionário era desmontado e apreendido pedaço por pedaço, fragilizando também sua cadeia de proteção e financiamento.

É assim que foi demolido o mito de um "padrino" que administrava um poder infinito, mas vivia como um fantasma, ainda que essa invisibilidade não o tenha impedido de ter dois filhos. Sobre uma delas, sabe-se tudo: o nome (Lorenza), a mãe, as escolhas que a levaram a separar a própria vida da sombra pesada de um pai que, ao menos oficialmente, ela só conheceria na cadeia.

A filha passou a infância e a adolescência na casa da avó, depois mudou de residência com a mãe. Do outro filho, no entanto, o pouco que se sabe é fruto de grampos da polícia: ele se chama Francesco e nasceu entre 2004 e 2005, na província de Trapani, base do clã de Messina Denaro.

Sempre atento para manter seu paradeiro desconhecido, um dos mafiosos mais procurados do mundo deixou de si apenas a imagem de um implacável playboy com Ray Ban, camisas de grife e estilo elegante. Essa figura criada no imaginário italiano também carrega uma série de lendas: grande conquistador de corações femininos, apaixonado por Porsche e Rolex de ouro, maníaco por videogames e leitor de quadrinhos, sobretudo "Diabolik", nome pelo qual seus colaboradores mais próximos o chamavam.

Messina Denaro personificava a dupla face de um chefe capaz de unir a dimensão tradicional e familiar da máfia com sua versão mais moderna. O "padrino" sempre se moveu entre a ferocidade criminal e o pragmatismo político. Por isso, era considerado o herdeiro de Bernardo Provenzano (1933-2016), que havia sucedido o poderoso Salvatore "Totò" Riina (1930-2017), mas também do pai Don Ciccio, outro chefe tradicional que morreu como foragido em 1998.

Na época da morte do velho patriarca, o jovem Messina Denaro já estava foragido havia cinco anos, antes mesmo de ter sido envolvido nas investigações sobre os massacres promovidos pela máfia no início daquela década.

Para cercá-lo de terra arrasada, os investigadores pressionaram a rede de apoiadores de Messina Denaro, e nem os familiares foram poupados. A irmã Patrizia, por exemplo, acabou presa e acusada de comandar uma rede de extorsão.

O "fantasma" do chefe da Cosa Nostra era perseguido por uma montanha de mandados de captura e condenações à prisão perpétua por associação mafiosa, homicídios, atentados e posse e transporte de explosivos.

Suas mãos passaram por alguns dos piores crimes do país nos últimos 30 anos, a começar pelos atentados contra os juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. O próprio Messina Denaro se vangloriava de ter "matado pessoas suficientes para encher um cemitério".

Mas se a reputação de homem implacável é justificada, existiam dúvidas sobre sua real capacidade de reconstruir, após as prisões de Riina e Provenzano, a estrutura unitária da Cosa Nostra, afetada por seguidas detenções e por um processo de fragmentação.

Um "boss" que levou a máfia siciliana para o século 21, sem, no entanto, conseguir evitar o mesmo fim dos velhos chefões.   

Ansa - Brasil
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