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Para Kim Jong‑un, 'boas relações' com EUA dependem de reconhecer Coreia do Norte como potência nuclear

O líder norte‑coreano Kim Jong‑un afirmou que Pyongyang poderia "ter boas relações" com os Estados Unidos caso Washington reconheça o país como potência nuclear. A informação foi divulgada nesta quinta‑feira (26) pela mídia estatal norte-coreana.

26 fev 2026 - 13h18
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Se Washington "respeitar o status atual de potência nuclear do nosso país, conforme estipulado na Constituição e abandonar sua política hostil, não há razão para que não possamos nos dar bem com os Estados Unidos", declarou Kim Jong‑un, segundo a agência oficial KCNA.

O líder norte‑coreano Kim Jong‑un, em 26 de fevereiro de 2026, durante o 9º congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em Pyongyang.
O líder norte‑coreano Kim Jong‑un, em 26 de fevereiro de 2026, durante o 9º congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em Pyongyang.
Foto: © KCNA via REUTERS / RFI

Em 2021, Kim designou os EUA como o "maior inimigo" de sua nação durante o congresso do partido, mas o presidente americano Donald Trump vem multiplicando elogios ao líder norte‑coreano. Durante uma viagem pela Ásia no ano passado, Trump afirmou estar "100% aberto" a um encontro com Kim Jong‑un e chegou a admitir que a Coreia do Norte é, "de certa forma, uma potência nuclear".

Há especulações sobre a possibilidade de uma reunião entre ambos à margem da visita de Trump à China, prevista para abril. Em seu primeiro mandato, o presidente americano se encontrou três vezes com Kim Jong‑un na tentativa de alcançar um acordo de desnuclearização, sem sucesso.

Kim passou a considerar a vizinha Coreia do Sul como seu "pior inimigo". No fim do 9º congresso do Partido dos Trabalhadores, que terminou na noite de quarta‑feira (25), Kim Jong‑un rejeitou as ofertas de diálogo de Seul, aliada de Washington em segurança.

A Coreia do Norte "não tem absolutamente nada a ver com a Coreia do Sul, seu inimigo mais hostil, e excluirá para sempre a Coreia do Sul da categoria de compatriotas", afirmou Kim, segundo a KCNA. O presidente sul‑coreano Lee Jae Myung trabalha, desde sua posse em junho, para retomar o diálogo bilateral — até agora sem resposta do regime norte‑coreano.

Em janeiro, Pyongyang anunciou ter abatido um drone vindo do sul perto da cidade de Kaesong, próxima da fronteira entre os dois países, e cobrou explicações de Seul. Lee condenou o episódio, alertando que ações desse tipo podem desencadear uma guerra entre países que nunca assinaram um tratado de paz após o conflito de 1950-1953.

A Coreia do Norte, que possui armas nucleares, é alvo de várias séries de sanções por seus programas militares. Pyongyang produz, inclusive, material nuclear suficiente para montar até 20 armas atômicas por ano, segundo estimativas da presidência sul‑coreana divulgadas em janeiro.

Ajuda humanitária

Fontes diplomáticas sul‑coreanas afirmam que o Comitê de Sanções da ONU sobre a Coreia do Norte planejava conceder isenções para projetos de ajuda humanitária — medida que permitiria a Washington e Seul retirar o pretexto usado por Pyongyang para evitar o diálogo, segundo analistas.

Pyongyang alterou sua Constituição em 2024 para definir a Coreia do Sul como um "Estado hostil", pela primeira vez. O congresso do partido único, que ocorre tradicionalmente a cada cinco anos, começou em 19 de fevereiro. É o evento político mais importante da Coreia do Norte, destinado a reforçar a autoridade do regime.

Kim Jong‑un foi reconduzido por unanimidade ao posto máximo de secretário‑geral do partido, que dirige o país comunista desde os anos 1940. Altos oficiais do Exército prestaram a ele "um juramento de lealdade", segundo a agência estatal. A influente Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong‑un, foi promovida pelo partido durante o congresso quinquenal, tornando‑se diretora de departamento plena — e não mais diretora‑adjunta.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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