Papa encerra visita à Espanha com apelo à acolhida e à valorização dos migrantes
Leão XIV celebrou missa para mais de 40 mil fiéis em Tenerife em último compromisso
Em seu último compromisso da viagem apostólica à Espanha, o papa Leão XIV celebrou nesta sexta-feira (12) uma missa no Porto de Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias, reunindo mais de 40 mil fiéis, segundo dados divulgados pela prefeitura local.
A participação superou as expectativas dos organizadores e marcou o encerramento de uma visita que também passou por Madri e Barcelona.
Durante a celebração, o pontífice fez um forte apelo à acolhida, à solidariedade e à valorização dos mais vulneráveis, especialmente dos migrantes que chegam ao arquipélago em busca de uma vida melhor.
"Diante daqueles que especulam sobre o desespero dos cristãos, a maior graça é nos deixarmos evangelizar por aqueles a quem ajudamos reconhecer a misteriosa sabedoria de Deus escrita em sua própria carne", afirmou o Papa na homilia.
O Porto de Santa Cruz de Tenerife, principal escala comercial e turística da ilha, foi transformado em um grande espaço litúrgico de cerca de 9 mil metros quadrados.
O altar, inspirado na planta original da Basílica de São Pedro, incorporava elementos simbólicos das Ilhas Canárias, como rochas vulcânicas e vegetação nativa. Três embarcações tradicionais do Senegal foram posicionadas ao lado do espaço em memória dos migrantes que atravessam o Atlântico rumo à Europa.
Ao refletir sobre a localização das ilhas no centro das rotas migratórias, Leão XIV destacou que "nenhum ser humano é uma ilha" e que a vocação cristã passa necessariamente pelo encontro e pela comunhão.
Segundo o líder da Igreja Católica, os pobres e os migrantes possuem uma riqueza espiritual que deve ser reconhecida pela Igreja e pela sociedade.
"O coração humano não pode ser reduzido ao comércio e ao lucro", disse o Papa, advertindo contra uma visão materialista da existência. Para ele, a verdadeira felicidade está na capacidade de valorizar as pessoas, as coisas simples e o dom de si mesmo.
Leão XIV explicou ainda que os mais vulneráveis aprenderam muitas coisas que guardam no mistério dos seus corações. Tendo crescido em extrema precariedade, aprenderam a sobreviver nas condições mais adversas, confiando em Deus com a certeza de que mais ninguém os leva a sério.
Nesse caminho, sustentam-se uns aos outros e encontram amparo recíproco nos momentos mais sombrios. "Aqueles de entre nós que não fizeram experiências semelhantes, de viver à margem, certamente têm muito a receber da fonte de sabedoria que é a experiência dos pobres", observou Leão XV.
Por fim, o pontífice agradeceu à população local pela hospitalidade demonstrada durante sua visita. "Obrigado pelo que sois e pelo que fazeis, transformando esta ilha num lugar onde se encontra o coração de Cristo no rosto amigo e hospitaleiro de pessoas e comunidades fraternas", concluiu.
Antes da missa, Leão XIV fez uma aparição surpresa na residência do arcebispo de Tenerife. Diante de uma multidão reunida do lado de fora, dirigiu uma breve mensagem de fraternidade. "Somos todos irmãos, alguns colombianos, alguns venezuelanos, alguns de Tenerife; somos todos uma só família", afirmou.
A celebração encerra oficialmente a visita apostólica do Papa à Espanha, marcada por encontros com comunidades locais, celebrações e mensagens de acolhida, esperança e solidariedade, especialmente voltadas para os desafios migratórios enfrentados pelas Ilhas Canárias.
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