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Produzir conteúdo durante a Copa nos EUA pode gerar problemas migratórios? Especialista explica

Autoridades americanas alertaram influenciadores sobre possíveis violações migratórias

21 jun 2026 - 04h59
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Torcedores fazem a festa em NY
Torcedores fazem a festa em NY
Foto: Leandro Carneiro / Terra

A realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos trouxe para o centro do debate diversos questionamentos devido ao envolvimento em guerras, legislação endurecida e, agora, uma questão que afeta criadores de conteúdo diretamente: afinal, é permitido produzir conteúdo no país utilizando apenas um visto de turismo?

A discussão ganhou força após autoridades americanas alertarem que determinadas atividades realizadas por influenciadores estrangeiros podem ser consideradas trabalho e, portanto, incompatíveis com o visto de visitante. O posicionamento provocou dúvidas e gerou interpretações divergentes nas redes sociais.

Em nota enviada ao jornal espanhol El País, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) e o Departamento de Segurança Interna reforçaram que a atividade pode exigir autorização migratória específica.

Seleção do Irã chega aos EUA sob protestos e tensão antes da estreia na Copa do Mundo:

"Entrar nos Estados Unidos com o único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda a partir dos Estados Unidos enquanto estiver no país é considerado trabalho e exige o visto apropriado", afirma a nota. "Pessoas que entram nos Estados Unidos por meio de programas de visitação e recebem renda de uma fonte americana estariam violando as condições de sua admissão."

Segundo a advogada de imigração Dra. Larissa Salvador, a questão não possui uma resposta simples porque envolve uma área relativamente nova dentro do Direito Migratório. Ela destaca que o visto de turismo B1/B2 permite viagens temporárias para lazer, turismo, visitas familiares, reuniões de negócios limitadas e tratamentos médicos, mas não autoriza o exercício de atividades profissionais nos Estados Unidos. "Ele não autoriza o exercício do trabalho nos Estados Unidos, nem atividades que gerem remuneração de fonte (conteúdo) americana. Então a palavra-chave aí é fonte americana", afirma ao Terra.

A especialista ressalta que muitas pessoas associam trabalho apenas a um emprego formal, mas a legislação migratória americana possui interpretação mais ampla. De acordo com Larissa, atividades relacionadas à prestação de serviços, execução de trabalhos para clientes, participação em operações comerciais ou recebimento de remuneração podem levantar questionamentos das autoridades migratórias, mesmo sem vínculo empregatício tradicional.

"Produzir conteúdo pessoal durante uma viagem turística, como fotos, vídeos, registros de passeios ou experiências pessoais, normalmente não é o que preocupa as autoridades migratórias. O problema surge quando a viagem tem finalidade predominantemente profissional, comercial ou promocional." A advogada destaca que a análise costuma considerar diversos fatores, como contratos, patrocinadores, forma de monetização e o objetivo principal da viagem.

Uma dúvida frequente entre criadores é se a publicação do material apenas após o retorno ao país de origem eliminaria eventuais problemas migratórios. Segundo a especialista, não necessariamente.

"Não existe uma regra automática sobre publicar o conteúdo, depois resolve a questão migratória. O que as autoridades costumam analisar é a natureza da atividade realizada durante a permanência dos Estados Unidos." Ela acrescenta que o foco da fiscalização costuma estar na atividade desempenhada durante a estadia, e não apenas no momento em que o conteúdo é divulgado.

Caso as autoridades entendam que houve exercício de trabalho sem autorização, as consequências podem ser significativas. "Pode resultar no cancelamento do visto, negativa de entrada em viagens futuras, questionamentos em pedidos imigratórios posteriores, alegações de violação de status ou até representação incorreta dos objetivos da viagem."

Por isso, a recomendação da especialista é que profissionais que pretendam desenvolver atividades com finalidade comercial nos Estados Unidos busquem orientação jurídica antes da viagem.

"Parece uma simples produção de conteúdo, mas pode em determinadas situações ser interpretado pelas autoridades como atividade profissional e pode fazer com que aquela pessoa seja sujeita a autorização migratória específica."

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Fonte: Portal Terra
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