Meloni rebate Trump sobre popularidade e responde: 'Ser sua amiga certamente não ajudou'
Reação ocorre em meio a nova troca de farpas entre a premiê italiana e o presidente norte-americano
Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, voltou a criticar neste sábado, 20, o que classificou como ataques "sem sentido" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reação ocorreu após o líder norte-americano reiterar, em uma publicação feita horas antes, a versão apresentada em entrevista a uma emissora italiana de que Meloni teria pedido insistentemente uma foto com ele durante a cúpula do G7 por causa de sua baixa popularidade. A premiê já havia negado a alegação.
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"Presidente Trump, esses ataques constantes e não provocados são sem sentido. Quanto à minha popularidade, ser sua amiga certamente não ajudou, nem depende da minha relação com você. [...] De qualquer forma, minha popularidade não é da sua conta. Sugiro que você se concentre na sua", rebateu ela em publicação feita no Instagram.
A manifestação de Meloni ocorre em um momento delicado para Trump. Impactado pelos elevados custos da guerra contra o Irã e pelos efeitos da inflação nos Estados Unidos, agravados pela crise econômica global decorrente do conflito, o presidente viu sua taxa de aprovação cair para 35%, segundo pesquisas recentes. A queda foi impulsionada, principalmente, pela perda de apoio entre eleitores republicanos.
Postagem de Trump nas redes sociais
As declarações mais recentes de Trump, que aumentaram o atrito com Meloni, foram publicadas na rede Truth Social. Na postagem, o presidente norte-americano afirmou que o "nível de popularidade dela está em baixa na Itália" e criticou o governo italiano por não autorizar o uso de bases militares do país pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã.
"A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu várias vezes para tirar uma foto comigo durante a reunião do G7 na França. O nível de popularidade dela está em baixa na Itália, provavelmente porque rejeitou os Estados Unidos, um país que realmente ama e protege a Itália, quando se tratou de impedir o Irã de obter ou desenvolver uma arma nuclear (o mesmo aconteceu com a OTAN)", escreveu Trump.
Ainda na mesma publicação, o presidente dos EUA acrescentou: "Ela nem sequer nos deixou usar as pistas ou áreas de pouso da Itália, o que gerou um grande inconveniente logístico, e isso apesar de os EUA contribuírem com centenas de bilhões de dólares por ano para proteger a Itália e outros 'chamados' aliados da OTAN. Agora, depois que os Estados Unidos derrotaram o Irã militarmente, ela quer voltar a ser amiga para melhorar seus 'números'. Não, obrigado!!!".
Meloni também respondeu às críticas do ex-aliado e afirmou que sua prioridade é "defender o interesse nacional da Itália". A premiê ressaltou ainda que a "Itália continua sendo uma nação soberana".
Relação entre Trump e Meloni se deteriora
As declarações de Trump, classificadas por Meloni como "completamente inventadas", ampliaram o desgaste entre os dois líderes, cuja relação já vinha enfrentando turbulências. Como reflexo da crise diplomática, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou na sexta-feira, 19, o cancelamento de uma viagem que faria aos Estados Unidos na semana seguinte para se reunir com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
"As palavras graves e ofensivas do presidente Trump em relação à primeira-ministra Giorgia Meloni ofendem toda a Itália", afirmou o chanceler em publicação na rede social X.
Outro aliado próximo da premiê a se manifestar foi Giovanbattista Fazzolari, subsecretário de seu gabinete. Em comunicado, ele criticou a postura do presidente dos EUA e afirmou que, "com seus rompantes inadequados", Trump conseguiu "tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os Estados Unidos".
Imagens registradas durante a cúpula do G7, realizada na França, mostraram Meloni e Trump sentados lado a lado em um sofá, em uma conversa reservada. Posteriormente, o presidente norte-americano afirmou que o diálogo teria ocorrido apenas como uma forma de agradar a líder italiana.
De aliados a críticos: como começou o desgaste entre Trump e Meloni
Em abril, Donald Trump e Giorgia Meloni, que antes mantinham uma relação de proximidade política, passaram a trocar críticas públicas. A primeira-ministra italiana se manifestou após o presidente norte-americano classificar o papa Leão XIV como "fraco" por condenar a guerra no Irã. “Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra".
A réplica veio no dia seguinte. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Trump afirmou estar "chocado" com a reação da líder italiana e disse acreditar que ela teria perdido a postura firme. “Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país."
Mesmo que o episódio envolvendo Leão XIV tenha ampliado a tensão, o distanciamento entre os dois líderes já vinha se formando anteriormente. De acordo com analistas ouvidos pelo The New York Times, Meloni teria aproveitado o contexto para marcar publicamente um afastamento em relação a Trump, em meio a pesquisas que indicam queda na popularidade de ambos entre eleitores italianos.
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