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EUA revogam visto da embaixadora brasileira em meio à disputa diplomática

4 ago 2026 - 17h37
(atualizado em 5/8/2026 às 20h12)
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Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do ‌Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o Brasil não conceder aprovação diplomática formal ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília e depois de negativa de vistos a diplomatas norte-americanos, disse nesta terça-feira uma autoridade sênior do Departamento de Estado dos EUA.

A medida marca uma escalada no distanciamento cada vez mais profundo entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que abalou o comércio entre os países e se tornou um fator na disputa presidencial brasileira de outubro.

O visto da embaixadora Maria Luiza ⁠Ribeiro Viotti será restabelecido se a situação for resolvida, disse a autoridade norte-americana, que falou com repórteres sob condição de anonimato.

"A medida consistiu ‌na revogação ou cancelamento do visto de uma diplomata sênior aqui. Isso não é o mesmo que expulsar a pessoa do país", disse a autoridade.

"Isso significa que ela está aqui, mas sem visto, e teria seu visto restabelecido se o equilíbrio fosse restaurado ‌por meio da concessão do agrément ao nosso candidato a embaixador", disse a autoridade, ‌referindo-se ao procedimento diplomático de aceitação de um embaixador, que geralmente é uma formalidade.

O Brasil vem, há semanas, retendo a ⁠aprovação formal de Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado próximo do secretário de Estado, Marco Rubio, que foi indicado por Trump para o cargo de embaixador em 1º de junho.

O governo brasileiro rejeitou a decisão dos EUA em um comunicado na noite desta terça-feira, classificando-a como baseada em alegações "falsas" e argumentando que sua análise da candidatura de Perez estava ocorrendo em conformidade com as normas diplomáticas internacionais, entre as quais a de que Washington deveria ter obtido a aprovação do Brasil antes de anunciar a indicação.

A ‌Reuters informou na semana passada, citando fontes, que algumas autoridades do governo Trump estavam cada vez mais exasperadas com a demora de Brasília. Uma ‌fonte afirmou que poderia haver medidas punitivas ⁠caso o Brasil continuasse a negar ⁠a aprovação necessária para que o próximo embaixador dos EUA assumisse o cargo.

O Brasil também negou vistos no mês passado a dois funcionários do ⁠Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. O governo ‌defendeu essa decisão nesta terça-feira, afirmando que ‌ela se justificava porque esses funcionários "planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional".     

Pesquisas recentes apontam Lula com vantagem na corrida presidencial sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente e fervoroso aliado de Trump, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar depois de ser ⁠condenado por tentativa de golpe de Estado.

"Basicamente, tivemos uma situação em que nossos diplomatas estavam sendo impedidos de realizar o trabalho rotineiro comum entre os dois países e, portanto, nessas circunstâncias, com o longo atraso e sem promessa de fim do impasse do agrément, tomamos uma medida recíproca em relação a um diplomata brasileiro aqui para deixar claro que isso não pode ser sempre unilateral", disse a autoridade.

TROCA DE ACUSAÇÕES

Embora a autoridade não tenha descartado novas medidas, afirmou ‌que Washington atribui grande importância ao relacionamento com Brasília e respeita o povo brasileiro, independentemente do governo que ele escolher por meio de eleições livres e justas.

"Queremos voltar a ter uma relação normal, produtiva e transparente com nossos colegas", disse a autoridade.

A tensa ⁠troca de acusações foi marcada por alegações de ambos os países de interferência indevida nos assuntos internos um do outro.

Questionado na semana passada sobre o atraso do Brasil em conceder o agrément a Perez, um porta-voz do Departamento de Estado disse que o órgão rejeita qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em processos internos.

Enquanto autoridades do governo Trump acusaram o governo de Lula de censurar conservadores ou de inclinar a balança contra eles em processos judiciais, o Brasil rebateu o que considera esforços dos EUA para influenciar a política latino-americana em favor dos conservadores.

Lula afirmou na semana passada que o Brasil negou vistos a dois diplomatas norte-americanos que vinham "para se intrometer nas eleições brasileiras".

Trump tem se manifestado abertamente sobre as recentes disputas políticas na América Latina, incluindo as eleições na Colômbia, no Chile e em Honduras. A soberania nacional tornou-se um grito de guerra para Lula, que concorre a um quarto mandato não consecutivo em outubro.

Quando Washington impôs, no mês passado, uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, alegando o que descreveu como práticas comerciais desleais, Lula rapidamente acusou a família Bolsonaro de ajudar a arquitetar as tarifas para obter ganhos eleitorais, o que eles negam.

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