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Os craques de origem africana que jogam pela Alemanha na Copa

18 jun 2026 - 15h46
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Alemanha tem seis jogadores filhos de pai ou mãe de diferentes países da África. Um reflexo da sociedade alemã, após décadas de imigração - e também de colonialismo no continente africano.A maioria das notícias sobre a seleção alemã na Copa do Mundo falava sobre o retorno de Manuel Neuer, 40 anos, que já havia se aposentado do time e seguia jogando no Bayern de Munique. Mas, por trás das manchetes sobre o goleiro, há outra história. Ou histórias.

Nmecha e Musiala são destaques da seleção alemã que estreou com goleada de 7 a 1 sobre Curaçao
Nmecha e Musiala são destaques da seleção alemã que estreou com goleada de 7 a 1 sobre Curaçao
Foto: DW / Deutsche Welle

Dos 26 jogadores que representam a Alemanha, seis têm raízes africanas: Jonathan Tah (pai marfinense), Antonio Rüdiger (mãe de Serra Leoa), Leroy Sané (pai senegalês), Felix Nmecha e Jamal Musiala (ambos filhos de pai nigeriano) e Jamie Leweling (pai ganês).

Na verdade, se forem analisadas as convocações da seleção alemã no último ano, houve um total de 17 jogadores de ascendência africana. A ligação que os jogadores de futebol da Alemanha têm com essas outras nações é inegável e de enorme importância para a Copa do Mundo de 2026.

"Com a ultradireita liderando as pesquisas na Alemanha, em algumas com vantagem de cinco, seis, sete pontos, acho que é realmente importante, neste momento em que um quarto dos imigrantes que chegaram à Alemanha estão pensando em partir novamente, mostrar que há pessoas aqui que estão prosperando, que não são brancas, que têm origens de outros lugares, que cresceram aqui, que se mudaram para cá e fizeram da Alemanha seu lar", afirma Musa Okwonga, autor e podcaster de futebol ugandês-britânico que mora em Berlim há mais de uma década.

A Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão) não se esforçou explicitamente para destacar a diversidade dessa seleção, mas reconhece sua importância: "No fim das contas, todos estão unidos por uma decisão [de jogar pela Alemanha] por convicção, e não tanto por determinado caminho no qual o sucesso esportivo é mais provável", diz o diretor da DFB, Andreas Rettig.

"Ficamos felizes em ver um compromisso precoce com a seleção alemã, e isso nos impressionou", afirma, citando o exemplo do zagueiro Jonathan Tah.

"Sabemos disso pela economia: equipes mistas, com homens e mulheres ou de diferentes nacionalidades, jovens ou idosos, são sempre vantajosas para o produto final; por isso, estamos felizes por ter essa diversidade na equipe", acrescenta.

Jogadores foram à África

No início de 2025, Tah visitou a Costa do Marfim pela primeira vez desde os 14 anos, explicando em uma entrevista à DW que a viagem foi "extremamente revigorante". Rüdiger também criou uma fundação em Serra Leoa.

"Voltar a um lugar onde você se beneficiou da exploração colonial da Europa Ocidental e encontrar parentes com quem, há apenas duas gerações, você ainda convivia, isso é difícil para muitas pessoas", afirma Okwonga.

Levando em conta que a Alemanha tem um passado colonial na Namíbia, na Tanzânia, em Camarões e Togo, para citar apenas alguns exemplos, fica claro por que sentir-se conectado a duas nações evoca emoções tão conflitantes e complexas.

Okwonga acredita, no entanto, que a visibilidade de jogadores de futebol que têm raízes africanas, mas que também se orgulham de ter a Alemanha como pátria, carrega um simbolismo importante.

Impacto além do futebol

Na preparação para a Euro 2024, o técnico da seleção alemã, Julian Nagelsmann, comentou uma pesquisa realizada pela emissora pública alemã WDR que revelou que 21% dos entrevistados queriam mais jogadores brancos na seleção nacional.

"Uma seleção de futebol pode ser um exemplo de como unir diferentes culturas, origens, religião e cor da pele. Está tudo bem do jeito que está. Jogamos a Eurocopa para toda a população do país, e quem joga futebol de alto nível é convidado a integrar a seleção", afirmou Nagelsmann.

Sua postura firme em temas à parte do esporte chamou a atenção, pois o valor simbólico e a influência da seleção alemã e do futebol como um todo são bastante difundidos.

"Nos 12 anos em que estou aqui [na Alemanha], essa seleção alemã, a equipe que vi na Eurocopa, foi a melhor versão. Em termos do futebol que jogou, como trabalhou junto, como se apoiou mutuamente. É tudo o que se poderia desejar de um time de futebol, de um coletivo, de uma comunidade", opina Okwonga, que também diz que a presença de Vincent Kompany como técnico do Bayern de Munique teve um impacto positivo no ambiente para os jogadores alemães com raízes africanas - Kompany é um ex-jogador belga filho de pai congolês.

É claro que muita coisa mudou desde que Gerald Asamoah se tornou o primeiro alemão nascido na África a disputar uma Copa do Mundo, em 2006. Mas a discussão continua, a exemplo do incidente ocorrido em 2023, quando dois jogadores com raízes africanas de uma seleção de base alemã foram alvo de uma enxurrada de comentários racistas nas redes sociais após perderem pênaltis.

Problemas sistêmicos tendem a ser resolvidos por meio de políticas, e não pelas ações ou palavras de um time de futebol, mas isso não torna seu simbolismo menos significativo.

"Acho que, na verdade, a diversidade dessa equipe não tem a ver com as pessoas que detestam ver isso. Trata-se de mostrar que a amizade entre todos os grupos é perfeitamente possível. Se eles não vencerem, não será porque o projeto multiétnico foi um fracasso. Será porque foram derrotados por uma equipe melhor", argumenta Okwonga.

O que o título significaria para a Alemanha?

A Alemanha não é uma das favoritas para a Copa do Mundo deste ano, mas, caso vença, há uma tentação óbvia de considerar o impacto social e político no país. Será que isso traria a alegria observada em 2014 ou mesmo em 2006, quando a Alemanha sediou o torneio e viveu um "conto de fadas de verão", como os alemães dizem, apesar de não ter vencido?

"Se a Alemanha vencer a Copa do Mundo, será, antes de tudo, um triunfo para esse grupo de jogadores e para os torcedores que os apoiaram. Não acho que seja um ponto de influência política no sentido progressista, porque acredito que muitas outras coisas estão dando errado na Alemanha no momento", opina Okwonga.

"Acredito que o sucesso em campo de uma seleção diversificada pode ser um catalisador no contexto político certo. Infelizmente, não acredito que este seja o contexto certo", conclui.

Com ou sem o contexto correto, a diversidade desta seleção alemã merece reconhecimento.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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