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Turquia: Erdogan faz gesto conciliatório e suspende reforma em parque

Premiê turco se reuniu como representantes de movimentos envolvidos nos protestos e prometeu suspender a reforma do parque Gezi até um pronunciamento da Justiça

14 jun 2013
09h34
atualizado em 4/12/2013 às 15h20
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O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse nesta sexta-feira que vai suspender o projeto de reforma do parque Gezi, em Istambul, até que a Justiça se pronuncie, o que marca um tom notoriamente mais conciliador do governo após semanas de protestos contra o premiê.

Manifestantes dão as mãos para proteger outros que rezam na Praça Taksim, em Istambul, nesta sexta-feira
Manifestantes dão as mãos para proteger outros que rezam na Praça Taksim, em Istambul, nesta sexta-feira
Foto: AP

Os mercados financeiros registraram alta, refletindo a expectativa de que ambientalistas contrários às obras no parque fiquem satisfeitos. Não está claro, no entanto, se outros protestos que se espalharam pelo país a partir de Istambul, encampando causas variadas, serão dissolvidos.

Erdogan fez a promessa em uma reunião com manifestantes durante a noite. O gesto foi em grande medida simbólico, porque o governo já teria mesmo a obrigação de cumprir uma eventual liminar judicial contra a reforma do parque.

Até agora, no entanto, Erdogan vinha adotando um tom desafiador contra os manifestantes que se concentram na praça Taksim, vizinha ao parque. "É claro que o governo respeita as decisões judiciais e está obrigado a implementá-las", disse Huseyin Celik, vice-presidente do partido governista AK, que também participou da reunião. "Até que a sentença judicial seja finalizada, não haverá nenhuma ação no parque Gezi."

A repressão policial contra manifestantes pacíficos no parque, há duas semanas, provocou uma onda de protestos sem precedentes contra Erdogan e seu partido AK, de tendência islâmica. Os protestos reúnem principalmente cidadãos laicos, nacionalistas, profissionais liberais, sindicalistas e estudantes.

Segundo o último balanço publicado na terça-feira pelo sindicato dos médicos turcos, as manifestações deixaram quatro mortos, três manifestantes e um policial, e 5.000 feridos, dez deles em estado grave.

Na reunião noturna, Erdogan recebeu uma delegação composta principalmente por artistas, mas que incluía também dois membros do coletivo Solidariedade Taksim. Os participantes elogiaram a promessa de Erdogan de respeitar uma eventual decisão judicial contra o projeto, que reproduz um quartel da época otomana. Na quarta-feira, o governo já havia oferecido realizar um referendo sobre o assunto caso a Justiça se pronuncie em favor do governo.

"O primeiro-ministro disse que, se os resultados da votação pública saírem de forma a deixar essa área como parque, eles irão cumprir", disse Tayfun Kahraman, integrante do grupo de protesto, a jornalistas após a reunião.

"A nota positiva da noite são as explicações do primeiro-ministro dizendo que o projeto não seguirá adiante até que a justiça dê seu veredicto final", declarou Kahraman. "Esperamos que (os manifestantes) avaliem o enfoque positivo que saiu desta reunião", acrescentou.

Ainda na quinta-feira à noite, Erdogan - acusado por seus críticos de ter um estilo autoritário - insinuou que os centenas de manifestantes acampados no parque Gezi poderiam ser expulsos à força.

"Nossa paciência está no final. Estou fazendo um alerta pela última vez. Digo às mães e pais, por favor peguem seus filhos pela mão e os levem embora. O parque Gezi não pertence às forças ocupantes, e sim ao povo".

Com informações adicionais da agência AFP

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