Jornalista morta em ataque de Israel a hospital de Gaza deixou carta para filho: 'Ore por mim'
Mariam Abu Daggar, 33, está entre os cinco jornalistas mortos no bombardeio israelense no Hospital Nasser, em Gaza, na segunda-feira, 25
A jornalista Mariam Abu Daggar, morta em bombardeio israelense em Gaza, deixou uma emotiva carta póstuma ao filho de 5 anos, enquanto colegas e entidades condenam os ataques contra a mídia na região.
A jornalista Mariam Abu Daggar, de 33 anos, uma entre os cinco jornalistas mortos em bombardeios de Israel contra o Hospital Nasser, em Gaza, na segunda-feira, 25, deixou uma carta póstuma para o filho de 5 anos. O conteúdo do documento foi divulgado em meio a uma nova leva de críticas à brutalidade do conflito, após o ataque que deixou 15 mortos no hospital palestino.
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A carta de Mariam ao filho Ghaith foi destacada pela imprensa do Oriente Médio como um 'símbolo de amor, aconselhamento e um apelo por esperança'. Ela atuava como correspondente freelancer em Gaza para as agências Associated Press e Independent Arabia.
"Ghaith, você é o coração e a alma de sua mãe. Quero que ore por mim e não chore, para que eu possa continuar sendo feliz. Quero que mantenha sua cabeça erguida, que trabalhe duro, tenha sucesso e seja capaz, meu amado. Quero que você seja bem-sucedido", começou a carta de Mariam.
"Eu costumava fazer de tudo para fazê-lo feliz, para te manter alegre e confortável, e para te prover tudo. Quando você crescer, casar-se e tiver uma filha, dê a ela o nome de Mariam em minha homenagem", continuou a jornalista.
Ela finalizou com um apelo: "Você é meu amor, meu coração, meu apoio, minha alma e o filho do qual tenho orgulho. Sempre vou ficar feliz por ouvir sobre sua boa reputação. Te confio um pedido: suas orações, suas orações e suas orações, meu querido".
Mariam recebeu uma série de homenagens de colegas da imprensa do Oriente Médio, incluindo um artigo dedicado no Al Jazeera, escrito por sua amiga Youmna ElSayed.
Além de Mariam Abu Daggar, outros quatro jornalistas morreram nos bombardeios ao complexo médico palestino: o cinegrafista Hussam al-Masri, contratado da Reuters, foi morto em um primeiro ataque, atingido por um drone explosivo no telhado do hospital.
Outros jornalistas foram ao Hospital Nasser após a explosão e acabaram atingidos por um segundo ataque, entre os quais estava Mariam. Também morreram Mohammed Salam, do Al Jazeera, o fotógrafo Moaz Abu Taha e Ahmad Abu Azis, do Quds Feed. Hatem Khaled, também da Reuters, ficou ferido no ataque.
O Sindicato dos Jornalistas Palestinos condenou Israel pelos ataques, dizendo que representavam "uma guerra aberta contra a mídia livre, com o objetivo de aterrorizar os jornalistas e impedi-los de cumprir seu dever profissional de expor crimes ao mundo".
Mais de 240 jornalistas palestinos foram mortos por fogo israelense em Gaza desde o início da guerra contra o Hamas em 7 de outubro de 2023, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Palestinos.

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