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Praia para mulheres de Abu Dhabi proíbe câmeras e celulares

Somente mulheres, meninas e meninos menores de 6 anos podem entrar em praia, que é cercada e possui seguranças

21 jul 2014 10h45
| atualizado às 10h49
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Praia exclusiva para mulheres é criada em Abu Dhabi (foto ilustrativa)
Praia exclusiva para mulheres é criada em Abu Dhabi (foto ilustrativa)
Foto: David Cannon / Getty Images

Uma nova praia exclusiva para mulheres de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, não só veta a entrada dos homens: os celulares e as câmeras fotográficas também são proibidos para manter as banhistas totalmente afastadas dos olhares ou visores "indiscretos".

A recente inauguração desta praia responde à reivindicação de várias mulheres locais, que, apesar da repressão em torno do hábito, passaram a exigir a criação de um espaço para se sentirem cômodas "tomando sol ou um banho de mar", como declararam várias frequentadoras à Agência EFE.

Após cruzar uma cerca que percorre a praia até chegar ao mar, as banhistas entram no local custodiadas por um guarda de segurança e, normalmente, vestidas com as conservadoras "abaya" e "hiyab" - a túnica preta e o véu islâmico, respectivamente.

Na sequência, elas se dirigem aos vestiários ou diretamente a redes e sofás situados na areia, onde retiram suas roupas e ficam mais à vontade para, assim, aproveitar um dia de praia.

"Adoro a ideia de haver uma praia só para mulheres. Posso vir com minhas filhas e minha família com total liberdade; deveria haver mais lugares como este", disse uma banhista síria, que, apesar da euforia, preferiu não revelar seu nome.

Essa opinião é divida pela maioria das banhistas, embora haja outras que não se mostram de acordo com a utilização de maiôs, considerados impróprios segundo a "sharia" ou lei islâmica.

Duas mulheres presentes na praia, também de origem síria e que usavam um traje popularmente chamado de 'burkini' - acrônimo de burka e biquíni -, se mostraram surpreendidas com a "nudez" de algumas de frequentadoras que se encontravam nas redes.

"O que vemos aqui não é o que nos ensina nossa tradição. Há muita roupa indecente e este não é o exemplo que quero dar à minha família", reprovou uma delas.

As mulheres costumam ir acompanhadas de suas filhas e filhos, já que a entrada de meninos abaixo dos seis anos é liberada no local, situado na zona de Al Batin, ao oeste de Abu Dhabi.

Os homens não podem estar nesta exclusiva praia e também não podem olhar de fora. Uma grande cerca rodeia o recinto, assim como um palmeiral que, em muitos pontos, acompanha a orla marítima.

As câmeras fotográficas e os telefones celulares não estão permitidos e, por isso, costumam ficar nos veículos. Caso não possua um carro, a frequentadora deve entregar os itens citados ao guarda de segurança.

"A polícia de Abu Dhabi ordena que todos os dispositivos fotográficos, incluindo os celulares, sejam deixados em casa ou no carro", explicou o agente ao receber e orientar uma família local formada por quatro mulheres e três crianças.

Embora a proibição destes dispositivos seja para "o próprio bem das mulheres", como fez questão de ressaltar o agente de segurança, muitas tentam burlar a norma e entrar com seus celulares, levando em conta a dificuldade de "se separar" deles.

"Minha irmã e eu tivemos que assinar dois documentos na entrada da praia que autorizam que nos confisquem os telefones celulares, já que viemos sem carro e não temos onde deixá-los", se queixou uma das banhistas, que considerou a medida desnecessária.

A praia de Al Batin, cujo acesso custa cinco euros, pode abrigar mais de mil pessoas na água e mais cinco mil na areia.

Redes com sombrinhas, sofás com esteiras e, inclusive, um bangalô, instalação não muito frequente nos Emirados Árabes Unidos, também ficam à disposição dos clientes, que, no geral, costumam ter um alto poder aquisitivo.

Além da área da praia, o local também conta com um parque infantil coberto e um cinema, assim como áreas para a prática de esportes aquáticos, vôlei e ioga. Isso tudo para que as mulheres, em abaya, burkini ou biquíni, possam desfrutar da praia com total privacidade.

EFE   
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