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Confrontos em cidade do Afeganistão deixam 3 mortos

Segundo a Al Jazeera, a manifestação começou após os talibãs removerem a bandeira do país de um monumento e colocarem a sua

18 ago 2021 10h55
| atualizado às 11h17
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Membro do talibã exibe armas pelas ruas de Cabul, no Afeganistão
Membro do talibã exibe armas pelas ruas de Cabul, no Afeganistão
Foto: Reuters

Um protesto por conta da remoção de uma bandeira afegã de uma praça de Jalalabad terminou com, ao menos, três mortos e 12 feridos nesta quarta-feira, 18, informam diversos veículos de comunicação locais.

Segundo a Al Jazeera, a manifestação começou após os talibãs removerem a bandeira do país de um monumento e colocarem a sua.

A alteração irritou os moradores e "centenas" deles foram para as ruas protestar. O grupo fundamentalista ainda retirou as flâmulas nacionais de prédios públicos da cidade.

A repressão dos membros do grupo foi intensa. Nas redes sociais, alguns usuários postaram vídeos da situação em Jalalabad, dizendo que não se opõe ao governo Talibã "por não ter escolha", mas exigindo respeito à bandeira nacional.

Já na cidade de Bamiyan, a estátua de um líder político xiita foi derrubada também nesta quarta-feira. Abdul Ali Mazari, um político da minoria hazara, era homenageado por sua luta contra o Talibã. Ele morreu na década de 1990 enquanto estava detido pelos extremistas.

Acordo político

Segundo fontes do grupo extremista e aliados do ex-presidente Hamid Karzai, as partes estão tentando a chegar a um acordo para formar um "governo inclusivo".

Conforme a mídia local, Karzai se reuniu nesta quarta com Anas Haqqani, líder da Rede Haqqani, uma das forças militares jihadistas que faz parte dos talibãs. As fontes ainda relatam que o ex-presidente se reuniu também com Abdullah Abdullah, ex-enviado do governo de Ashraf Ghani para a reconciliação, e com Amir Khan Motaqi, um dos expoentes do Talibã.

Karzai é um civil que governou o Afeganistão na maior parte do tempo da ocupação dos Estados Unidos, entre 2001 e 2014. É considerado um líder moderado e é a principal figura política desde a derrubada do Talibã. Agora, ele surge como uma possível voz mais moderada em um governo que quer usar a lei islâmica (sharia) para governar o país.

Evacuações

A retirada de representantes ocidentais e civis afegãos por Cabul continua sendo acelerada na capital. Após as cenas caóticas registradas entre o domingo, 15, e a terça-feira, 17, a situação no aeroporto está mais calma.

O Exército dos Estados Unidos informou que o país evacuou mais de 3,2 mil pessoas do Afeganistão, incluindo os funcionários do país, utilizando os aviões militares. Uma fonte do governo destacou que, entre eles, estariam cerca de dois mil refugiados civis afegãos.

Afegãos retirados do país por forças alemãs chegam ao Uzbequistão
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Foto: Bundeswehr im Einsatz

Em mais uma nota, assinada por diversos países, incluindo os membros da União Europeia, os EUA, o Reino Unido e o Brasil, alerta para as preocupações sobre os direitos das mulheres. "Estamos profundamente preocupados pelas mulheres e meninas afegãs, o seu direito à educação, ao trabalho e à liberdade de movimento. Pedimos a quem ocupar as posições de poder e autoridades de todo o Afeganistão que garantam a sua proteção", diz o comunicado.

O Itamaraty também divulgou a nota em seu site e ressaltou que o "Brasil espera o rápido engajamento das Nações Unidas para o estabelecimento de canais de diálogo e espera que o Conselho de Segurança possa atuar para assegurar a paz na região".

Investigação nos EUA

Senadores democratas, do mesmo partido do presidente Joe Biden, de três comissões diferentes (Inteligência, Assuntos Externos e Forças Armadas) querem investigar a saída "humilhante e caótica" do país do Afeganistão.

"Estou decepcionado que a administração Biden não conseguiu avaliar corretamente as implicações sobre uma rápida retirada dos EUA. Nós fomos testemunhas de resultados horríveis de muitos anos de falências políticas e de Inteligência", disse o presidente da Comissão de Assuntos Externos, Bob Menendez.

A mídia norte-americana vem revelando que os agentes da Inteligência de Washington estavam alertando o governo do risco da rápida retomada de poder do Talibã - apesar de, publicamente, Biden e seus assessores terem dito que era "impossível" prever a situação caótica que foi vista no domingo.

Em menos de 10 dias, os talibãs reconquistaram todo o território nacional quase sem conflitos pesados. Cabul caiu nas mãos dos terroristas, que têm uma vertente política, no domingo e, desde então, os aliados dos norte-americanos fizeram uma evacuação caótica e repleta de cenas de desespero, com afegãos se agarrando em trens de pouso de aeronaves para fugir.

Em coletiva nesta terça-feira, um porta-voz do grupo afirmou que o Talibã "vai manter" os direitos sob a lei islâmica porque "não quer problemas com a comunidade internacional". Mas, há o temor de que o país volte a ser o emirado islâmico que controlou o país até 2001.

Ansa - Brasil   
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