China diz ter iniciado contatos com a oposição síria
A China informou nesta quinta-feira que uma delegação da oposição síria visitou o país nesta semana e se reuniu com um vice-chanceler, no primeiro contato desse tipo a ser relatado por Pequim, depois do veto chinês a uma resolução da ONU contra o governo de Damasco.
Luta por liberdade revoluciona norte africano e península arábica
A delegação do grupo de oposição Corpo Nacional de Coordenação Síria para a Mudança Democrática, comandada por Hassan Mana, passou quatro dias na China e foi embora na quinta-feira, segundo Liu Weimin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
O grupo se reuniu com o vice-chanceler Zhai Jun e com outros diplomatas de alto escalão.
"Os dois lados trocaram opiniões sobre a atual situação na Síria, e a China explicou seus princípios e sua posição... e pediu a todos os lados que parem imediatamente a violência", disse Liu.
"O governo Sírio deve cumprir seriamente suas promessas, iniciando urgentemente um processo inclusivo de reformas que tenha ampla participação, e resolvendo disputas e conflitos via conversas e consultas", disse o porta-voz, reiterando a amizade da China com o povo sírio.
"A China está disposta a manter contatos e comunicações com grupos relevantes da oposição síria, está disposta a pressionar e encorajar o diálogo e a fazer grandes esforços para melhorar a situação", afirmou o porta-voz.
Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.
A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.
Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.