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Oceania

Brasileira feita refém em Sydney: 'não sei como estou viva'

Para responder cerca de trinta perguntas que foram ao ar durante uma hora e meia de programa, Marcia teria recebido AU$ 350 mil (R$ 756 mil)

13 fev 2015 - 08h25
(atualizado em 13/2/2015 às 21h42)
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"Não sei como estou viva, não entendo. Acho que é um milagre. Alguém estava cuidando de mim”, disse a brasileira
"Não sei como estou viva, não entendo. Acho que é um milagre. Alguém estava cuidando de mim”, disse a brasileira
Foto: Channel 7 / Reprodução

A brasileira Marcia Mikhael, refém do sequestro no Lindt Cafe, em Sydney, em dezembro de 2014, criticou o trabalho da polícia do país em entrevista ao programa Sunday Night, do Channel 7, neste domingo. Marcia foi mantida como refém durante quase 17 horas, no dia 15 de dezembro de 2014, juntamente com outras 17 pessoas. Para responder cerca de trinta perguntas que foram ao ar durante uma hora e meia de programa, Marcia teria recebido AU$ 350 mil (R$ 756 mil), de acordo com a mídia australiana.

Apesar de o sequestro ter sido inicialmente considerado um ato terrorista, as operações de resgate dos reféns foram coordenadas pela polícia do estado de New South Wales. “Foi um jogo de espera. Eles (os policiais) estavam esperando Man Monis matar ou atirar em alguém. A operação policial foi reativa, não proativa”, condenou Marcia. Os policiais só invadiram a cafeteria depois de o sequestrador matar o gerente Tori Johnson. “Eu sei que vários policiais arriscaram a vida por nós e agradeço a eles do fundo do meu coração, mas penso que o Exército seria mais apropriado para resolver a situação”, declarou, referindo-se às unidades militares de contraterrorismo.

Durante o sequestro, Marcia foi forçada a telefonar para a imprensa e a polícia com as exigências do iraniano. “Ele não estava interessado em falar com os policiais ou mais ninguém até que conversasse com o Primeiro-Ministro, mas a polícia me disse que Tony Abbott era um homem muito ocupado. Foi quando perdi as esperanças porque percebi que não haveria negociação e que estávamos abandonados ali. Ninguém viria nos salvar”, lembrou.

Na segunda-feira do sequestro, a brasileira não queria ir ao Lindt Cafe, mas os colegas do banco Westpac insistiram. Eles notaram o homem estranho com uma mochila nas costas conversando com o gerente da cafeteria, mas só perceberam que alguma coisa estava errada quando as portas foram trancadas. “Man Monis levantou, nos mostrou a arma e mandou todo mundo ficar sentado, sem se mexer”, lembra Marcia, que foi forçada a levantar a bandeira com uma mensagem islâmica na janela. “No início, estava chorando histericamente, com minhas mãos para cima”, contou.

Para responder cerca de trinta perguntas que foram ao ar durante uma hora e meia de programa, Marcia teria recebido R$ 756 mil
Para responder cerca de trinta perguntas que foram ao ar durante uma hora e meia de programa, Marcia teria recebido R$ 756 mil
Foto: Channel 7 / Reprodução

Marcia relatou, ainda, que o iraniano teve a oportunidade de atirar em um dos reféns que fugiu. “Ele não atirou, mas ficou muito bravo e avisou que, para cada pessoa que fugisse, ele mataria duas”, salientou. Conforme a brasileira, Man Haron Monis disse que libertaria todos os reféns se suas demandas fossem atendidas. “Quando perguntei como pretendia sair dali, ele me respondeu: ‘não se preocupe, tenho um plano pra mim’. Então entendi que ele não queria sair vivo e, por isso, fiquei com mais medo de como iria terminar”, acrescentou. 

A brasileira foi tratada como heroína por outras reféns do sequestro da cafeteria. Com conhecimentos de primeiros-socorros, Marcia saiu da janela para ajudar duas funcionárias do estabelecimento, que apresentavam sintomas de ataque de pânico. As duas garotas acabaram fugindo, e Marcia ficou até o final do sequestro. “Dizem que as coisas acontecem por uma razão e, se essa era a razão de eu estar lá, para ajudar alguém a lidar com a situação e sair vivo de lá, então estou feliz comigo mesma”, declarou.

A advogada Katrina Dawson morreu ao lado de Marcia, logo após a polícia invadir o local. “Eu estava em posição fetal e senti minhas pernas serem atingidas. Estava em agonia. Ficamos no meio do fogo cruzado e me arrastei para um canto, enquanto rezava: “Por favor, Deus, por favor, preciso sair daqui viva”. Chorando, Marcia acrescentou: “Katrina estava ao meu lado e não sobreviveu. Não sei como estou viva, não entendo. Acho que é um milagre. Alguém estava cuidando de mim”, conclui.

Vítima de sequestro em Sydney foi morta por bala policial:

O depoimento de Marcia, assim como de outros reféns do sequestro, foi disputado pelos canais australianos. Conforme a mídia local, o Channel 9 teria oferecido AU$ 300 mil (R$ 648 mil) pela entrevista. De acordo com o Sydney Morning Herald, outras empresas de comunicação terão a oportunidade de fazer ofertas em um leilão pela entrevista com Marcia dez dias após a exibição do programa do Channel 7.

Segundo o jornal The Telegraph, o advogado da brasileira, Jason Arraj, avisou que a cliente tinha “uma história maravilhosa para contar” em troca de um “valor de seis dígitos”, ou seja, pelo menos AU$ 100.000 (R$216.000). “Tem que ser uma negociação ganha-ganha... Quando digo que não quero ser insultado, estou dizendo que não quero um valor de AU$ 10 mil (R$ 21,6 mil)”, publicou o jornal.

Arraj explicou que o dinheiro iria para uma fundação a ser criada pela brasileira. “(O pagamento por entrevistas) não é com o objetivo de fazer dinheiro para a Marcia, mas beneficiará sua fundação. Ainda não sabemos precisamente o que será a fundação ou o que vai representar. Estamos tentando dar a consideração que o assunto merece”, declarou Arraj. Uma fundação já foi criada pelos familiares de Katrina Dawson, a advogada que morreu durante o sequestro, com o objetivo de investir na educação de mulheres.

Fonte: Especial para Terra
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