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O que se sabe sobre pior naufrágio envolvendo imigrantes no Canal da Mancha

Pelo menos 27 pessoas morreram, entre as quais sete mulheres, sendo uma grávida, e três crianças; França e Reino Unido trocaram acusações e realizaram reuniões de emergência.

24 nov 2021 15h51
| atualizado em 25/11/2021 às 09h44
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Número de imigrantes tentando atravessar Canal da Mancha, que separa Grã-Bretanha do norte da França, bateu recorde neste ano
Número de imigrantes tentando atravessar Canal da Mancha, que separa Grã-Bretanha do norte da França, bateu recorde neste ano
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Pelo menos 27 pessoas morreram afogadas depois que um barco com destino ao Reino Unido virou no Canal da Mancha.

É a pior tragédia envolvendo imigrantes já registrada no canal, que separa a ilha da Grã-Bretanha e o norte da França, desde que dados desse tipo começaram a ser coletados, em 2014.

A travessia é considerada perigosa por suas tempestades, frequentes neblinas que reduzem a visibilidade e correntes fortes.

Apesar disso, todos os dias, dezenas de imigrantes se arriscam no trajeto, com o objetivo de chegar ao território britânico.

Inicialmente, o governo francês havia anunciado que 31 pessoas morreram, mas posteriormente revisou o número para baixo.

Dos 27 mortos, havia pelo menos sete mulheres e três crianças.

Ainda não se sabe a nacionalidade dos que morreram, tampouco o que causou a tragédia. Acredita-se, no entanto, que a maioria vinha do Oriente Médio.

A polícia francesa prendeu cinco pessoas suspeitas de ligação com a travessia fatal.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram em "fazer todo o possível para impedir as gangues responsáveis"

Mas houve troca de acusações. Johnson cobrou maior esforço da França para impedir a travessia de migrantes, enquanto Macron disse que o Reino Unido precisa parar de politizar a questão.

Apesar das mortes trágicas e do frio extremo, cerca de 40 imigrantes foram resgatados por uma ONG ao tentar chegar ao Reino Unido nesta manhã (25/11) em dois barcos.

O que aconteceu?

Um barco de pesca soou o alarme na tarde de quarta-feira (24/11) após avistar várias pessoas no mar na costa norte da França.

O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, disse inicialmente que 31 imigrantes haviam se afogado.

O número foi posteriormente revisado para 27 — 17 homens, sete mulheres (das quais uma grávida) e três crianças.

Darmanin disse que o barco tinha 34 pessoas a bordo. Duas pessoas foram resgatadas, de nacionalidades somali e iraquiana, e uma pessoa ainda está desaparecida.

Duas pessoas estão em estado crítico no hospital.

Autoridades francesas e britânicas conduziram uma operação de resgate por ar e mar.

Ainda não se sabe o que causou naufrágio
Ainda não se sabe o que causou naufrágio
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O que fez o barco afundar?

A causa do acidente permanece desconhecida. Darmanin disse que a embarcação inflável parecia estar seriamente esvaziada.

Ele descreveu o barco longo e inflável que os migrantes usavam como "bote" e "extremamente frágil".

Segundo o ministro francês, "era como uma dessas piscinas infláveis de jardim".

A polícia francesa afirma que o barco partiu da área de Dunquerque, a leste de Calais.

Pescadores da região disseram que o tempo calmo fez com que mais migrantes do que o normal tentassem fazer a travessia na quarta-feira.

Há relatos de que cerca de 25 barcos tentaram a travessia durante o dia.

Cinco supostos traficantes ligados ao incidente foram presos.

Duas pessoas já compareceram ao tribunal e uma investigação sobre homicídio culposo foi aberta pelos promotores, disse Darmanin.

Reação internacional

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que o incidente representou a maior perda de vidas no Canal desde o início da coleta de dados em 2014.

Boris Johnson, disse que estava "chocado, horrorizado e profundamente triste" e prometeu não deixar "pedra sobre pedra" para impedir a ação das gangues de tráfico de pessoas" que estão escapando impunes de assassinatos". Ele presidiu uma reunião de emergência sobre o assunto na noite de quarta-feira.

O presidente Emmanuel Macron disse que não permitiria que o Canal se tornasse um "cemitério" e prometeu descobrir quem foi o responsável.

Seu governo está realizando uma reunião de emergência nesta quinta-feira (25/11).

Johnson e Macron falaram na quarta-feira à noite. Downing Street disse concordar com a importância de atuar em conjunto com as vizinhas Bélgica e Holanda, bem como outros países europeus, para resolver o problema antes que as pessoas cheguem à costa francesa.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que o incidente foi uma "tragédia" e que os que morreram foram vítimas de "contrabandistas criminosos".

Em declarações à BBC News, o responsável pelos portos de Calais e Boulogne, Jean-Marc Puissesseau, disse: "Mesmo que o mar não pareça tão agitado, no meio (do Canal da Mancha) há sempre muitas ondas. É perigoso."

Segundo Macron, desde o início de 2021, 1.552 criminosos foram presos no norte da França e 44 redes de contrabandistas foram desmanteladas.

Apesar disso, 47 mil tentativas de travessia do Canal da Mancha da França para o Reino Unido ocorreram apenas neste ano e 7,8 mil imigrantes foram resgatados, acrescentou o presidente francês.

O Reino Unido se comprometeu a pagar à França 62,7 milhões de euros (R$ 400 milhões) durante 2021-22 para ajudar a aumentar o patrulhamento policial ao longo de sua costa, a vigilância aérea e a infraestrutura de segurança nos portos.

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