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O brasileiro no centro do escândalo que levou ex-embaixador do Reino Unido a renunciar filiação ao partido do governo

Peter Mandelson afirma não ter registro ou lembrança de ter recebido as quantias e que desconhece a autenticidade dos documentos.

2 fev 2026 - 09h17
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Peter Mandelson foi embaixador do Reino Unido nos EUA, secretário do governo Gordon Brown e membro da Câmara dos Lordes
Peter Mandelson foi embaixador do Reino Unido nos EUA, secretário do governo Gordon Brown e membro da Câmara dos Lordes
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O ex-embaixador britânico Peter Mandelson decidiu deixar, na noite deste domingo (01/02), o Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Keir Starmer, alegando que não queria "causar mais constrangimento" por causa de suas ligações com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

O nome de Mandelson e de seu marido, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, aparecem entre os milhões de documentos divulgados na sexta-feira relacionados a Epstein — o maior número compartilhado pelo governo dos EUA desde que uma lei determinou sua divulgação no ano passado.

Os arquivos também revelaram trocas de emails com menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Sila e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Alguns documentos sugerem que Epstein fez pagamentos entre 2003 e 2004, totalizando US$ 75 mil (R$ 394,4 mil). Mandelson afirma não ter nenhum registro ou lembrança de ter recebido essas quantias e não saber se os documentos são autênticos.

Em sua carta ao secretário-geral do Partido Trabalhista, ele disse: "Fui novamente associado neste fim de semana ao compreensível furor em torno de Jeffrey Epstein e sinto muito e lamento por isso."

Ser mencionado ou ter sua imagem incluída nos arquivos divulgados pelo governo americano não implica, necessariamente, um delito.

"Quero aproveitar esta oportunidade para reiterar minhas desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo", escreveu ele em seu comunicado.

Os pagamentos a Mandelson

Nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça americano estão comprovantes de pagamento feitos por Epstein a Peter Mandelson.

Entre 2003 e 2004, Epstein parece ter enviado três pagamentos separados de US$ 25 mil (R$ 130 mil) cada.

Os extratos bancários recentemente divulgados, noticiados inicialmente pelo jornal Financial Times, são da época em que o britânico era deputado pelo partido trabalhista Labor.

Os pagamentos teriam sido enviados das contas bancárias de Epstein no banco JP Morgan.

O primeiro deles, datado de 14 de maio de 2003, foi enviado para uma conta bancária do banco Barclays na qual Reinaldo Avila da Silva aparece como titular. Peter Mandelson foi nomeado como beneficiário do pagamento.

Mandelson e Silva são casados desde 2023.

O segundo e o terceiro pagamento de US$ 25 mil foram feitos para contas do HSBC com poucos dias de diferença em junho de 2004. Em ambos, Peter Mandelson é a única pessoa mencionada como beneficiário.

Não está claro se os três pagamentos chegaram a ser depositados em alguma das contas mencionadas.

Empréstimo a Silva

Uma troca de emails incluída no lote de documentos publicados nesta sexta também indica que Epstein teria enviado 10 mil libras (R$ 72 mil) diretamente para Reinaldo Avila da Silva, em um empréstimo para pagar os custos de um curso de osteopatia.

Em um email para Epstein de 2009, Silva detalha os custos do curso, fornece seus dados bancários e agradece ao financista por "qualquer ajuda que você possa me dar".

Epstein responde algumas horas depois dizendo que transferiria o valor do empréstimo e Silva responde com um agradecimento no dia seguinte.

Os emails são de 16 de junho de 2009, quando Epstein cumpria pena de prisão por solicitar prostituição de uma pessoa menor de 18 anos.

Durante grande parte de sua sentença, Epstein tinha permissão para trabalhar em seu escritório durante o dia e retornava à prisão todas as noites.

Questionado sobre o empréstimo de da Silva, Mandelson disse que havia sido "muito claro" sobre seu relacionamento com Epstein em entrevistas à BBC.

"Não tenho nada mais a acrescentar", disse ele.

Fotos do ex-embaixador

Imagens do ex-embaixador do Reino Unido nos EUA de cueca também foram descobertas no último lote de arquivos de Epstein. Em uma das fotos editadas, ele aparece ao lado de uma mulher, cujo rosto foi censurado.

Ele disse que "não consegue precisar o local ou a mulher e não consigo imaginar quais eram as circunstâncias".

Não se sabe quando ou onde as imagens de Mandelson e da mulher foram tiradas.

Mandelson aparece nesta imagem dos arquivos de Epstein
Mandelson aparece nesta imagem dos arquivos de Epstein
Foto: US Department of Justice / BBC News Brasil

Mandelson foi nomeado para a Câmara dos Lordes e ocupou os cargos de secretário de Negócios e vice-primeiro-ministro durante o governo do então primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010).

Posteriormente, em dezembro de 2024, foi nomeado pelo primeiro-ministro Keir Starmer para ser embaixador do Reino Unido nos EUA, mas foi demitido em setembro de 2025, após novas revelações sobre sua amizade com Epstein.

Emails revelaram que ele havia entrado em contato com Epstein após a condenação do financista americano em 2008, enviando uma série de mensagens de apoio.

Mandelson concedeu entrevista à jornalista da BBC Laura Kuenssberg em 11 de janeiro e disse que seu relacionamento com Epstein foi um "erro terrível".

Ele também disse acreditar que foi "mantido separado" da vida sexual de Epstein por ser gay e negou ter visto meninas jovens nas propriedades do americano.

Dias depois, ele ofereceu um pedido de desculpas mais direto às vítimas do financista, dizendo ao programa Newsnight da BBC que estava "errado" em continuar se associando a Epstein.

O Secretário de Habitação do governo britânico, Steve Reed, foi questionado por Laura Kuenssberg se o governo tinha conhecimento das supostas ligações financeiras de Mandelson com Epstein e confirmou que não.

"Estamos falando de coisas que aconteceram há mais de 20 anos", disse ele, enfatizando que "não havia conhecimento" sobre o que estava acontecendo naquela época.

Reed acrescentou que o motivo da remoção de Mandelson do cargo de embaixador nos EUA foi porque "havia coisas que ele não havia divulgado" ao governo.

"Acho que ele deveria responder a perguntas sobre sua própria vida, não eu."

A condenação de Epstein em 2008 fez parte de um acordo judicial que ele firmou na Flórida. Ele foi sentenciado a 18 meses de prisão após se declarar culpado de duas acusações, incluindo aliciar meninas de até 14 anos para prostituição.

Em 2019, Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova York enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

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