Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Número de vítimas de terremoto na Venezuela ultrapassa 900; buscas se intensificam por centenas de soterrados

26 jun 2026 - 08h50
(atualizado às 21h16)
Compartilhar
Exibir comentários

Venezuelanos desesperados e equipes de resgate corriam contra o tempo nesta sexta-feira ‌para encontrar sobreviventes, enquanto o número de mortos pelos terremotos gêmeos subia para mais de 900, com equipes estrangeiras e ajuda humanitária começando a chegar às áreas devastadas apenas quase dois dias após os tremores.

O governo informou que 172 pessoas permanecem presas nos escombros, 920 morreram e 3.360 ficaram feridas após os terremotos que devastaram partes de Caracas e arredores na noite de quarta-feira. Mais de 50.000 pessoas foram dadas como desaparecidas.

A terra tremeu novamente na tarde desta sexta-feira, um tremor mais fraco de magnitude 4,9 que foi sentido na capital Caracas e na cidade vizinha de Maracay.

Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram uma região ⁠a cerca de 160km a oeste de Caracas.

A frustração só aumentava diante do ritmo desigual do socorro em algumas das áreas mais atingidas, incluindo o Estado de La ‌Guaira, onde moradores e voluntários ainda estavam cavando nos escombros com as próprias mãos, em meio à escassez de equipamentos pesados e à presença limitada de autoridades.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos previu um alto potencial para mais de 10.000 mortes, o que situaria o duplo terremoto entre os mais mortais da América ‌Latina no último século.

La Guaira, cidade costeira nos arredores de Caracas, foi a mais afetada, com ‌pelo menos 100 edifícios, incluindo prédios residenciais de diversos andares, desabando completamente.

Jennifer Palacios, de 25 anos, disse que os tremores ocorreram quando ela estava ⁠por um breve momento fora de casa, no complexo habitacional Hugo Chávez, composto por oito torres e nomeado em homenagem ao falecido líder socialista da Venezuela, soterrando seu filho de 6 anos e outros cinco parentes.

"Foi a comunidade que conseguiu resgatar as pessoas com vida", disse ela, sentada em uma cadeira de plástico em frente aos escombros. "Precisamos que tragam guindastes para remover as lajes. Ainda há pessoas presas."

Testemunhas da Reuters percorreram rodovias rachadas pelos terremotos e passaram por dezenas de prédios reduzidos a pedaços de concreto quebrado e metal retorcido. Algumas ruínas estavam pichadas com os nomes dos edifícios, numa tentativa de ajudar os socorristas a identificar os ‌locais.

AJUDA ESPARSA

O governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem seu antecessor, em janeiro, prometeu um grande envio de ajuda. A televisão ‌estatal exibiu imagens dela em visita a La ⁠Guaira na quinta-feira.

Mas por enquanto a ajuda tem ⁠sido, de modo geral, irregular nesta sexta-feira, com autoridades como bombeiros, polícia, defesa civil e militares nas ruas em alguns lugares, mas ausentes ou com presença mínima em outros.

O ⁠advogado Ricardo Trias, de 73 anos, tentava obter uma certidão de óbito para seu afilhado, cujo corpo ‌foi retirado dos escombros de seu prédio na ‌cidade de Caraballeda na noite de quinta-feira e permanece no local, coberto com um pano verde.

"Queremos que nos entreguem o corpo... não podemos levá-lo e aqui ele vai apodrecer", disse Trias. "Nenhuma autoridade forense apareceu."

Trias disse que sua afilhada, de 33 anos, foi resgatada e levada para um hospital em Caracas.

Moradores que vasculhavam os escombros com as próprias mãos ou ferramentas improvisadas denunciaram a falta de ajuda do Estado e de equipamentos pesados, enquanto voluntários ⁠traziam suprimentos em motocicletas de Caracas e Valência.

Rodríguez, segundo quem o Estado de La Guaira seria "militarizado" para facilitar os trabalhos de resgate, agradeceu às caravanas de voluntários e disse que o governo já havia distribuído 2.600 toneladas de alimentos.

Uma equipe da Reuters observou patrulhas de motocicleta da polícia e da guarda nacional na estrada que leva à comunidade de Los Corales, em La Guaira, uma das mais atingidas.

O desastre pode ter consequências políticas para Rodríguez, que tem procurado se apresentar como uma agente de mudança política, apesar de ter sido vice-presidente do deposto Nicolás Maduro.

MOBILIZAÇÃO INTERNACIONAL

Equipes ‌de resgate estrangeiras -- incluindo algumas de países que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica -- começaram a chegar na noite de quinta-feira, com um pequeno contingente da República Dominicana sendo o primeiro a acessar La Guaira.

Diversos países, incluindo a Índia e a Suíça, enviaram ⁠equipes de resgate e suprimentos. O México, com sua própria experiência em recuperação de terremotos, enviou 250 militares de resgate, além de cinco cães de resgate e outros equipamentos.

Mais de 60 colombianos chegaram nesta sexta-feira, assim como mais de 180 socorristas de uma equipe salvadorenha prometida de 300 pessoas e quase 100 da Espanha.

Os Estados Unidos anunciaram a mobilização de US$150 milhões em ajuda e o relaxamento das sanções para facilitar o socorro às vítimas do terremoto. As Forças Armadas norte-americanas enviaram dois navios e informaram que helicópteros e aeronaves darão suporte às operações de busca e resgate.

Em Los Corales, 50 pessoas da equipe de El Salvador avaliavam as ruínas dos três prédios de 10 andares que compunham o complexo Coral Mar, usando drones, câmeras térmicas e cães farejadores para descobrir se ainda havia sobreviventes no interior dos edifícios.

"As pessoas nos disseram que conseguem ouvir outras pessoas. Elas ligam para elas, elas atendem o telefone e conseguem ouvir pessoas gritando e chamando", disse o Dr. Roberto Gavidia, chefe da equipe, que também trabalhou no Haiti e na Turquia.

A equipe ainda não havia encontrado nenhum sobrevivente.

O terremoto atingiu uma nação já fragilizada por décadas de turbulência econômica e política que empobreceu seus habitantes, forçou milhões a emigrar e deteriorou a infraestrutura e os serviços básicos.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra