Novas revelações sobre alertas antes do 7 de outubro colocam Netanyahu sob pressão às vésperas das eleições
O que Benjamin Netanyahu sabia sobre a ameaça ao país antes do ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023? A um mês das eleições legislativas, veículos de imprensa dos Estados Unidos e de Israel afirmam que o primeiro-ministro israelense teria sido alertado de que algo estava sendo preparado. Seu gabinete nega categoricamente.
Às vésperas das eleições em Israel, Benjamin Netanyahu enfrenta forte pressão por falhas ligadas aos ataques de 7 de outubro. Embora afirme não ter sido alertado e culpe o Exército, revelações indicam que o premiê recebeu avisos prévios da inteligência israelense e de líderes do Egito e dos Emirados Árabes sobre ameaças do Hamas. Negando os alertas e recusando uma comissão independente de inquérito, Netanyahu vê o caso se tornar o tema central da campanha eleitoral.
Frédérique Misslin, correspondente da RFI em Jerusalém
As falhas de segurança relacionadas aos ataques de 7 de outubro de 2023 estão no centro da campanha para as eleições legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro. Três anos após a ofensiva do Hamas, os israelenses querem saber quais informações o governo possuía para tentar evitá-la e se houve falhas na resposta das autoridades.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que não foi acordado na manhã de 7 de outubro para ser informado sobre o ataque. No início de setembro, ele criticou duramente o Exército, acusando a cúpula militar de tê-lo mantido deliberadamente afastado das informações, a fim de evitar o que chamou de "erro de cálculo" que poderia levar a uma escalada militar com o Hamas.
Seu principal rival nas eleições, Gadi Eisenkot, respondeu com um videogame lançado em uma plataforma de jogos que ironiza a situação. Batizado de Bibi, o Dorminhoco, o jogo propõe ao participante ajudar "Bibi" a continuar dormindo tranquilamente, desviando de todos os alertas de segurança que surgem pelo caminho.
Abu Dhabi: o primeiro alerta
A julgar pelas reportagens publicadas nos últimos dias, os alertas não faltaram. O primeiro teria vindo dos Emirados Árabes Unidos, segundo o jornal israelense Haaretz. A publicação relata que o presidente emiratense, Mohamed bin Zayed, telefonou para Benjamin Netanyahu antes de 7 de outubro para alertá-lo de que Yahya Sinwar, mentor dos ataques, preparava uma ação de grande porte contra Israel.
Segundo a reportagem, Bin Zayed teria informado pessoalmente o primeiro-ministro israelense sobre a ameaça em uma conversa que teria durado 45 minutos.
Benjamin Netanyahu nega categoricamente a versão. Ainda assim, o Haaretz afirma que, no último fim de semana, o chefe de governo israelense esteve em Abu Dhabi para tentar convencer Mohamed bin Zayed a desmentir a existência desse telefonema.
O Egito também teria feito alertas
Além disso, o Wall Street Journal revelou que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, também ligou para Benjamin Netanyahu poucos dias antes dos ataques do Hamas para alertá-lo sobre uma ameaça iminente vinda de Gaza.
Os primeiros alertas teriam sido enviados em junho de 2023. Depois, segundo a revista The Atlantic, em 26 de setembro, apenas onze dias antes, Abbas Kamel viajou a Israel e reforçou o aviso. Segundo ele, a situação em Gaza era desastrosa e poderia "explodir na cara de todo mundo".
Na ocasião, as autoridades israelenses teriam respondido que "tudo estava sob controle". Mais uma vez, o gabinete do primeiro-ministro negou as informações.
Vale ressaltar que nenhum desses alertas continha informações precisas sobre a data ou a magnitude do ataque planejado. Benjamin Netanyahu também recebeu avisos de seus próprios serviços de inteligência. Entre março e julho de 2023, ele recebeu quatro relatórios de alerta da Diretoria de Inteligência Militar e uma advertência do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel.
O primeiro-ministro israelense sempre se recusou a criar uma comissão de inquérito independente para investigar as circunstâncias que cercaram os ataques do Hamas.
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