Na França, G7 exige fim imediato dos ataques no Oriente Médio e alerta para risco global no Estreito de Ormuz
Os ministros das Relações Exteriores do G7 fizeram um apelo nesta sexta-feira (27) por um "fim imediato dos ataques contra populações e infraestruturas civis" no Oriente Médio, em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã.
Em comunicado conjunto após reunião em Vaux-de-Cernay, nos arredores de Paris, o grupo afirmou que "não pode haver qualquer justificativa para o ataque deliberado a civis" nem para ações contra instalações diplomáticas. Os chanceleres também destacaram a "necessidade absoluta" de restabelecer de forma permanente a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que há um amplo consenso internacional sobre a importância de preservar essa liberdade. "É impensável viver em um mundo em que as águas internacionais estejam fechadas à navegação", disse.
A guerra no Oriente Médio dominou a reunião, ao lado do conflito na Ucrânia. Segundo Barrot, os países do G7 permanecem comprometidos em apoiar Kiev "contra o invasor".
Os Estados Unidos afirmaram que esperam encerrar suas operações no Irã nas próximas duas semanas, sem necessidade de envio de tropas terrestres, segundo o secretário de Estado Marco Rubio. Ele indicou que Teerã enviou sinais indiretos, mas ainda não respondeu a propostas de paz.
Os combates continuam intensos. O Irã denunciou ataques dos Estados Unidos e de Israel a instalações nucleares, incluindo uma usina de processamento de urânio em Ardakan e um reator de água pesada em Jondab. Bombardeios também atingiram importantes siderúrgicas no país.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, mais de 300 soldados americanos ficaram feridos, segundo o comando militar dos EUA, com ao menos dez em estado grave.
No Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter forçado o retorno de três navios porta-contêineres, mantendo o bloqueio que ameaça o fluxo global de petróleo.
Grave crise humanitária
A crise também se agrava no plano humanitário. A ONU lançou um apelo para arrecadar US$ 80 milhões destinados a quase dois milhões de refugiados no Irã. No Líbano, a agência da ONU para refugiados alertou para o risco de uma "catástrofe" diante do agravamento da situação.
A tensão diplomática permanece elevada. A Alemanha afirmou que Estados Unidos e Irã consideram abrir negociações diretas no Paquistão, após contatos indiretos.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas acusam Washington de ataques deliberados contra civis, incluindo o bombardeio de uma escola que teria deixado mais de 175 mortos, segundo Teerã — um balanço que não pôde ser verificado de forma independente.
Diante da escalada, a Guarda Revolucionária recomendou que civis evitem áreas onde estejam presentes forças americanas, enquanto cresce a especulação sobre um possível envio de até 10 mil soldados adicionais dos EUA para a região.
Em paralelo, países ao redor do mundo acompanham com preocupação os impactos do conflito, que já afeta o comércio global, a segurança energética e o equilíbrio geopolítico internacional.
EUA e Brasil
O Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participa na cúpula do G7, conversou, nesta sexta-feira, segundo dia da reunião, com o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio sobre questões comerciais e o diálogo em curso para o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional, de acordo com o Itamaraty.
Antes do início e também ao final da sessão matinal do segundo dia da reunião de chanceleres do G7, em Vaux-de-Cernay, na França, o Ministro Mauro Vieira conversou com o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. pic.twitter.com/i4C2ZzjrjE
— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) March 27, 2026
Na quinta-feira, à margem do encontro, o chanceler brasileiro se reuniu com Jean-Noël Barrot. Os dois discutiram a agenda bilateral e a cooperação no âmbito do G7, além da situação no Oriente Médio e de crises na América Latina, como Venezuela e Cuba. Também reafirmaram a intenção de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países.
O G7, que reúne as maiores potências economicamente desenvolvidas, acontece em formato ampliado, com a participação de outros países, há vários anos. Além do Brasil, os ministros das Relações Exteriores da Índia, Ucrânia, Arábia Saudita e Coreia do Sul foram convidados, assim como a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
com agências