Na Eslováquia, Marco Rubio afirma que EUA não querem uma Europa 'dependente' ou 'vassala'
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou neste domingo (15) que os Estados Unidos não querem que a Europa seja "dependente" ou "vassala" do país, durante uma visita à Eslováquia, nação aliada do presidente norte-americano Donald Trump.
"Não queremos que a Europa seja dependente, não estamos pedindo que seja vassala dos Estados Unidos", disse ele em uma coletiva de imprensa na capital Bratislava, ao lado do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, acrescentando que desejava uma "parceira".
Um dia após seu discurso em Munique, onde pediu que os europeus abraçassem a visão de Donald Trump, o secretário de Estado norte-americano enfatizou que é do interesse dos EUA ter "uma Europa forte", em um momento em que as relações transatlânticas atravessam um período turbulento.
"Nunca desejamos que a Europa fosse um vassalo dos Estados Unidos. Queremos ser seu parceiro. Nossa posição permanece inalterada: quanto mais fortes forem os membros da OTAN, mais forte será a OTAN. Queremos uma aliança tão poderosa que ninguém ouse desafiá-la", declarou Rubio.
No sábado (14), durante um discurso proferido na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Rubio pediu aos europeus que se alinhassem à visão do presidente norte-americano sobre a ordem mundial, ao mesmo tempo em que defendeu a revitalização das relações com uma Europa "forte".
Rubio chegou à Eslováquia neste domingo para uma breve visita antes de viajar para Budapeste, na Hungria, dois países da Europa Central liderados por aliados de Donald Trump.
Encontro com Viktor Orban
Em seguida, o secretário de Estado norte-americano viaja para Budapeste, capital da Hungria, onde planeja se encontrar com o primeiro-ministro Viktor Orban nesta segunda-feira (16).
Trump não esconde seu apoio ao líder nacionalista húngaro, a quem chama de "homem forte e poderoso", às vésperas das eleições parlamentares marcadas para 12 de abril. Orban enfrenta seu maior desafio desde que retornou ao poder em 2010, e seu partido, Fidesz, está atrás do opositor Tisza nas pesquisas.
O primeiro-ministro húngaro também declarou sua intenção de viajar a Washington na próxima semana para participar da reunião inaugural do chamado "Conselho da Paz", promovido por Donald Trump.
Orban é muito próximo do governo de Trump devido às suas políticas de imigração desde a crise dos refugiados sírios, há uma década.
Diplomacia da energia
Durante a visita de Orban à Casa Branca no ano passado, a Hungria também recebeu uma isenção das sanções norte-americanas às importações de petróleo e gás russos.
O antecessor de Trump, o democrata Joe Biden, manteve uma relação muito mais tensa com Orban, a quem acusou de "caminhar rumo à ditadura", particularmente por silenciar a mídia independente e fazer campanha contra os direitos LGBTQ+.
Tanto a Eslováquia quanto a Hungria são países da Europa Central sem litoral, com laços estreitos com a Rússia e que permanecem dependentes de combustíveis fósseis russos, apesar das sanções decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Os dois países europeus estão em uma disputa de poder com a União Europeia sobre sua política de eliminação gradual das importações de gás russo, uma oportunidade que os Estados Unidos esperam explorar para fortalecer os laços.
Com AFP