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Manifestantes em Hong Kong miram aeroporto em protesto, mas voos continuam

1 set 2019 - 13h29
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Milhares de manifestantes bloquearam estradas e transportes públicos para o aeroporto de Hong Kong neste domingo, em uma tentativa de chamar a atenção do mundo para sua luta pela democracia na cidade controlada pela China, que tem enfrentado sua maior crise política em décadas.

Os aviões continuavam a decolar e pousar, com atrasos, mas os trens foram suspensos e as estradas próximas do aeroporto interditadas, com manifestantes derrubando carrinhos e erguendo barricadas no aeroporto e na cidade vizinha de Tung Chung.

Alguns passageiros foram forçados a chegar a pé até o aeroporto, arrastando suas bagagens.

A estação de metrô MTR em Tung Chung foi fechada, e os manifestantes quebraram câmeras de vigilância e lâmpadas com postes de metal e catracas de estações depredadas. A polícia entrou e fez várias prisões.

O aeroporto de Chek Lap Kok, construído em uma pequena ilha afastada no período final do domínio colonial britânico, é um dos mais movimentados e eficientes do mundo, ao qual se chega por uma série de pontes que costumam ter trânsito intenso.

"Se interrompermos a operação do aeroporto, mais estrangeiros vão ler as notícias sobre Hong Kong", disse um manifestante de 20 anos, pedindo para não ser identificado.

Manifestantes vestidos de preto chegaram o aeroporto há três semanas, bloqueando o terminal em confrontos às vezes violentos com a polícia e levando alguns voos a serem cancelados ou adiados.

A polícia disse neste domingo que manifestantes atiraram postes de ferro, tijolos e pedras na linha férrea perto da estação do aeroporto. No início da noite, manifestantes haviam deixado o aeroporto, mas continuavam em Tung Chung.

"Não temos ideia de como sair. Estamos presos", disse um manifestante, enquanto outros procuravam ônibus e balsas para voltar para casa.

Polícia e manifestantes entraram em conflito durante a noite, em alguns dos episódios mais violentos desde que as manifestações começaram há mais de três meses, em protesto contra a intervenção de Pequim sob a autonomia concedida ao território quando foi devolvido à China em 1997.

A China nega a acusação de intromissão e diz que Hong Kong é um assunto interno. O governo denunciou os protestos e alertou sobre os danos à economia.

O número de turistas despencou nas últimas semanas, e feiras internacionais foram canceladas no momento em que o território enfrenta sua primeira recessão em uma década.

A China está ansiosa para conter a agitação antes do 70º aniversário da fundação da República Popular da China em 1º de outubro. Ela acusou potências estrangeiras, particularmente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, de fomentar a agitação.

Várias centenas de manifestantes também se reuniram do lado de fora do consulado britânico no centro de Hong Kong, agitando bandeiras do Reino Unido e cantando "Deus salve a rainha".

VIOLÊNCIA NO METRÔ

Partes do sistema de metrô pararam quando os conflitos se espalharam no sábado, com a televisão mostrando pessoas sendo espancadas enquanto se escondiam no chão atrás de guarda-chuvas.

A polícia disse que prendeu 63 pessoas com idades entre 13 e 36 anos.

A Anistia Internacional disse que a violência no metrô precisa ser investigada.

Os protestos ocorreram no quinto aniversário da decisão da China de conter reformas democráticas e descartar o sufrágio universal em Hong Kong.

A agitação começou em meados de junho, alimentada pela indignação com um projeto de extradição agora suspenso que permitiria que as pessoas na cidade fossem enviadas à China para julgamento em tribunais controlados pelo Partido Comunista.

Mas a turbulência evoluiu ao longo de 13 semanas para se tornar uma demanda generalizada por mais democracia.

Os manifestantes anunciaram uma greve geral na segunda-feira, mas não ficou claro de imediato quantas pessoas deverão participar.

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