Israel ordena saída da ONG Médicos Sem Fronteiras de Gaza após impasse sobre lista de funcionários
Israel anunciou neste domingo (1º) o fim iminente das operações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza, depois que a ONG internacional se recusou a fornecer uma lista detalhada de seus funcionários palestinos. O MSF denuncia que se trata de um pretexto para impedir a ajuda humanitária no território palestino, devastado por dois anos de guerra entre Israel e o movimento islâmico Hamas.
O Ministério de Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo de Israel, responsável pelo registro de organizações humanitárias, afirmou em comunicado à imprensa que a MSF deve deixar o território palestino até 28 de fevereiro.
Essa decisão segue a recusa da ONG em apresentar a lista de funcionários locais, uma exigência aplicável a todas as organizações humanitárias que operam na região, acrescentou o ministério, acusando a entidade de descumprir um compromisso assumido no início de janeiro. O ministério havia alegado anteriormente que dois funcionários da organização tinham ligações com os movimentos palestinos Hamas e Jihad Islâmica, o que o MSF nega veementemente.
37 ONGs afetadas
"A MSF não forneceu os nomes de seus funcionários porque as autoridades israelenses não ofereceram as garantias concretas necessárias para assegurar a segurança de nossas equipes, proteger seus dados pessoais e preservar a independência de nossas operações médicas", afirmou a organização em comunicado neste domingo.
"Este é um pretexto para impedir a assistência humanitária. As autoridades israelenses estão forçando as organizações humanitárias a fazer uma escolha impossível: expor seus funcionários a riscos ou interromper o atendimento médico essencial para pessoas em extrema necessidade", acrescentou.
A ONG havia anunciado, na sexta-feira (30), que inicialmente concordou, de maneira excepcional, em fornecer esses nomes, antes de revogar o acordo devido à falta de garantias de segurança para seus funcionários. Segundo a entidade, desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, 1.700 profissionais de saúde foram mortos em Gaza, incluindo 15 funcionários da MSF.
O ministro da Diáspora Israelense, Amichai Chikli, condenou essa mudança de posição, afirmando que os funcionários da organização "não atendiam aos critérios estabelecidos". O anúncio ocorre num momento em que Israel endureceu as condições sob as quais as organizações humanitárias operam. Em dezembro, as autoridades alertaram que 37 ONGs não teriam mais permissão para atuar em Gaza a partir de 1º de março.
Uma diretiva de março de 2025 impõe controles rigorosos sobre os funcionários palestinos que trabalham para organizações internacionais. Ao mesmo tempo, Israel está conduzindo uma ofensiva diplomática e administrativa contra a UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, acusando-a de conluio com o Hamas. Israel afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque sem precedentes do grupo palestino em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Em janeiro, as autoridades israelenses demoliram prédios na sede da UNRWA em Jerusalém Oriental, uma ação que a organização descreveu como um "ataque sem precedentes".
No início de janeiro, a UNRWA anunciou a demissão de 571 funcionários na Faixa de Gaza por motivos financeiros; esses trabalhadores já haviam deixado o território palestino.
A UNRWA está agora proibida de operar em Jerusalém Oriental, mas continua suas atividades em Gaza e na Cisjordânia ocupada por Israel.
Com AFP