Irã alerta para risco de conflito regional caso EUA ataquem
Lideranças do Irã alertaram neste domingo para o risco de um conflito regional caso os Estados Unidos ataquem o país, alimentando a tensão entre Washington e Teerã, e designaram os exércitos da União Europeia como "grupos terroristas", em uma medida de retaliação.
Os Estados Unidos intensificaram sua presença naval no Oriente Médio depois que o presidente Donald Trump ameaçou repetidamente o Irã com intervenção, caso o país não concorde com um acordo nuclear ou não pare de matar manifestantes.
Apesar do impasse entre os líderes religiosos do Irã e o governo Trump, ambos os lados sinalizaram estar prontos para retomar as negociações. Aliados regionais como a Turquia buscaram reduzir as tensões.
Um funcionário iraniano negou uma reportagem anterior da emissora estatal Press TV, que afirmava que as forças navais da Guarda Revolucionária realizariam exercícios com munição real no Estreito de Ormuz neste domingo e na segunda-feira. Ele disse à Reuters que não existe tal plano e que as reportagens da imprensa estão erradas.
Já o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi citado pela mídia estatal dizendo que, embora Trump afirme ter enviado navios para a região, "a nação iraniana não deve se assustar com essas coisas, o povo iraniano não se deixará perturbar por essas ameaças".
"Não somos os iniciadores e não queremos atacar nenhum país, mas a nação iraniana desferirá um forte golpe contra qualquer um que a ataque e a assedie", disse.
A marinha dos EUA possui atualmente seis destróieres, um porta-aviões e três navios de combate litorâneo na região, aumentando o risco de guerra após a repressão violenta do Irã em janeiro contra os protestos no país contra a liderança iraniana.
Segundo informações da Reuters, citando múltiplas fontes, Trump estava avaliando opções contra o Irã, inclusive de ataques direcionados às forças de segurança.
No sábado, Trump disse a repórteres que o Irã estava "conversando seriamente" com Washington, horas depois de o principal oficial de segurança de Teerã, Ali Larijani, ter afirmado no X que os preparativos para as negociações estavam em andamento.
Trump também disse: "Espero que eles negociem algo aceitável. É possível chegar a um acordo negociado que seja satisfatório, sem armas nucleares."
Teerã afirma estar pronta para negociações "justas" que não visem restringir suas capacidades defensivas.
Os protestos -- que começaram devido a dificuldades econômicas, mas se transformaram no desafio político mais agudo à República Islâmica desde a sua fundação, em 1979 -- diminuíram após a repressão.
Os números oficiais apontam para 3.117 mortos relacionados aos distúrbios, enquanto o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou neste domingo que já havia verificado a morte de 6.713 pessoas. A Reuters não conseguiu verificar os números de forma independente.
Em uma mudança simbólica em resposta à repressão aos protestos, a União Europeia designou, na quinta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista.
Em resposta, neste domingo o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os exércitos da UE também seriam designados como tal e que as autoridades deliberariam sobre a expulsão dos adidos militares dos Estados da UE.
"Ao tentar atingir a Guarda Revolucionária... os europeus, na verdade, deram um tiro no próprio pé", disse ele aos colegas parlamentares, que vestiam uniformes da Guarda Revolucionária Islâmica em apoio à força de elite.