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Hitler roubou tumba de Dante, mas italianos trocaram ossada

História, que realmente ocorreu em 1944, foi revelada por testemunha do fato

30 jun 2021 - 15h17
(atualizado às 15h40)
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Hitler ao lado de Mussolini durante visita na Itália
Hitler ao lado de Mussolini durante visita na Itália
Foto: Wikimedia Commons

Em 1944, sob ordens diretas do líder nazista Adolf Hitler, militares da elite da Alemanha roubaram as ossadas do poeta italiano Dante Alighieri em Ravena. No entanto, os ossos que seriam levados para um mausoléu desenhado pelo arquiteto do regime, Albert Speer, em Berlim, foram trocados por italianos que descobriram o plano.

A história que parece roteiro de filme realmente aconteceu, segundo revelou uma testemunha do fato, Sergio Roncucci, nesta quarta-feira, 30. O idoso de 87 anos é irmão e filho de dois dos protagonistas que substituíram a ossada original e revelou a história em um artigo da 44ª edição da revista Pen Italia.

Graças à espionagem realizada pelos Estados Unidos, mais especificamente pelo Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), os membros da Organização para a Resistência Italiana (ORI) foram informados de que havia um plano em ação para roubar a tumba do grande gênio da poesia.

A ORI soube que o coronel da SS, Alexander Langsdorff, era o responsável pela "Operação Dante". O militar era um especialista em pré-história, arqueólogo que atuou em expedições no Oriente Médio e que, por seis anos, foi comandado por Heinrich Himmler. Ele ainda trabalhou na Ahnenerbe, um grupo que estudava e fazia buscas sobre relíquias do passado.

Já a organização italiana tinha como um de seus líderes Raimondo Craveri, genro de Benedetto Croce, famoso filósofo, historiador e político italiano.

Ao saber da história, Croce avisou o escritor e poeta Manara Valgimili que, por sua vez, era amigo do monsenhor Giovanni Messini, um sacerdote que era estudioso da vida de Dante em Ravenna.

O padre, com a ajuda dos amigos Bruno Roncucci, Giorgio Roncucci e Antonio Fusconi, que era o responsável por cuidar da lápide, trocaram as ossadas do túmulo entre a noite de 22 e 23 de março de 1944.

Ainda conforme conta Sergio, seus parentes souberam que os alemães descobriram a mudança, mas era tarde demais para tentar buscar os restos mortais certos, já que o regime nazista chegou ao fim pouco mais de um ano depois.

O italiano revelou que Hitler deu ordens semelhantes para roubar outras ossadas de gênios da literatura, como Miguel de Cervantes, William Shakespeare, Liev Tolstói, Jean-Baptiste Poquelin (Molière) e Émile Zola. Porém, ele não sabe dizer se os planos foram realizados ou se houve sucesso em alguma das tentativas.

Ansa - Brasil   
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