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Governo do Equador aceita ajuda da ONU e decreta toque de recolher para apaziguar protestos

8 out 2019
20h40
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O governo do Equador aceitou nesta terça-feira a colaboração da Organização das Nações Unidas para abrir um diálogo com grupos indígenas que se opõem às medidas de austeridade do presidente Lenín Moreno e mantêm a capital Quito sitiada com protestos.

Manifestantes entram em confronto com forças de segurança em Quito
08/10/2019 REUTERS/Ivan Alvarado
Manifestantes entram em confronto com forças de segurança em Quito 08/10/2019 REUTERS/Ivan Alvarado
Foto: Reuters

Por conta da intensificação dos protestos em Quito nesta terça, Moreno restringiu a liberdade de trânsito e mobilidade nas áreas vizinhas a prédios do governo e instalações estratégicas, de acordo com um decreto assinado pelo presidente.

O toque de recolher nessas áreas ocorrerá de segunda-feira a domingo, entre as 20h e 5h, enquanto durar o estado de emergência, acrescentou o documento, publicado num momento em que crescem os protestos contra as medidas de austeridade do governo.

Milhares de manifestantes indígenas chegaram à cidade de áreas andinas no centro e norte do país para pressionar o presidente a desistir da eliminação do subsídio ao diesel e gasolina, que estava em vigor há décadas.

Um grupo de indígenas conseguiu romper o cerco das forças de segurança e entrou brevemente na sede da Assembleia Nacional, antes de ser despejado por policiais e militares pacificamente, segundo testemunhas da Reuters.

"Viva o povo!", gritavam alguns manifestantes eufóricos no órgão legislativo, que estava fechado na terça-feira. Fora do Parlamento, a polícia usava gás lacrimogêneo para afastar os indígenas.

Moreno declarou estado de emergência e transferiu na noite de segunda-feira as operações do governo para a cidade costeira de Guayaquil, onde tem ocorrido menos tumultos.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Equador disse que o governo está disposto a receber o acompanhamento das Nações Unidas, "que favoreça o retorno à paz social e entendimentos dentro do país".

O Ministério das Relações Exteriores também denunciou que os atos de violência registrados durante os protestos incluíram saques, danos a propriedades públicas e privadas, ataques a ambulâncias, queima de mais de uma dezena de veículos da força pública e sequestro de vários de seus membros.

Os protestos começaram na quinta-feira, quando o governo pôs fim aos subsídios para combustíveis, como parte de um pacote de reformas econômicas sob um acordo de 4,2 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Cerca de 570 pessoas foram presas nos dias de protesto, incluindo um deputado próximo do ex-presidente Rafael Correa, segundo o governo. Moreno acusou seu antecessor de tentar um golpe de Estado com a ajuda do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Querem levar o Equador junto da Venezuela", disse o secretário da Presidência, Juan Roldán, a uma rádio local.

Peru, Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala e Paraguai rejeitaram qualquer tentativa de Maduro de desestabilizar a democracia na região e apoiaram o presidente equatoriano.

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