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Governador do Wisconsin declara estado de emergência; Kenosha terá 3ª noite de protestos

25 ago 2020
20h40
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A família do homem negro baleado pela polícia em Kenosha, no Estado norte-americano do Wisconsin, fez nesta terça-feira uma defesa emocionada do valor da vida de seu filho e pediu o fim dos protestos violentos que emergiram na cidade. 

Autoridades derrubam prédios queimados por manifestantes em Kenosha, no Wisconsin, EUA
25/08/2020
REUTERS/Stephen Maturen
Autoridades derrubam prédios queimados por manifestantes em Kenosha, no Wisconsin, EUA 25/08/2020 REUTERS/Stephen Maturen
Foto: Reuters

"Eles atiraram no meu filho sete vezes. Sete vezes! Como se ele não importasse", disse Jacob Blake Sr., com a voz embargada de emoção, em um pronunciamento à imprensa após o incidente no domingo, no qual seu filho de 29 anos foi baleado. "Meu filho tem importância. Ele é um ser humano e ele importa".

O pronunciamento foi convocado pelos advogados da família enquanto autoridades estaduais e locais se preparam para uma terceira noite de distúrbios devido ao incidente, no qual Jacob Blake Jr. levou sete tiros da polícia à queima-roupa.

Mais cedo nesta terça-feira, o governador do Wisconsin, Tony Evers, declarou estado de emergência e disse que iria usar mais tropas da Guarda Nacional para combater saqueadores e incendiários que causaram danos generalizados a prédios públicos e empresas durante a noite.

Os advogados disseram que Blake ficou paralisado da cintura para baixo --possivelmente de maneira permanente-- e que teve perfurações em seu estômago, sofreu danos nos rins e fígado e que precisará ter parte de seu intestino removido. 

Julia Jackson, mãe de Jacob, fez um apelo emocionado por união, dizendo que estava rezando pelos policiais. Ela também disse estar desapontada com os prejuízos à cidade.

"Isso não reflete meu filho ou minha família", disse. "Se Jacob soubesse que isso está acontecendo, o quão longe está indo, com violência e destruição, ele ficaria muito insatisfeito". 

Blake, que estava tentando separar uma briga entre duas mulheres, foi atingido por quatro dos sete tiros, todos eles executados por um policial, em frente a seus três filhos, de acordo com o advogado especialista em direitos civis Ben Crump, que representa a família Blake. 

Um vídeo captado por uma pessoa mostra Blake se dirigindo à porta do lado do motorista de seu veículo SUV, dando as costas para dois policiais que apontavam as armas em direção às suas costas. Depois que ele abre a porta e se inclina para dentro do carro, sete tiros são disparados, com um dos policiais puxando sua camisa. A polícia ainda não explicou por que Blake foi baleado.

O incidente está sendo investigado pelo Departamento de Justiça do Wisconsin, que não publicou nenhum detalhe. A polícia de Kenosha repassou todas as perguntas para os investigadores estaduais. 

Mas o episódio, o mais recente em uma série de casos que expõe o tratamento da polícia aos cidadãos afro-americanos, provocou indignação em Kenosha, uma cidade de cerca de 100 mil pessoas à margem do Lago Michigan, localizada entre Chicago e Milwaukee.

O tiroteio acontece três meses após o assassinato de George Floyd em Mineápolis que provocou protestos por todo o país contra a brutalidade policial e o racismo.

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