Gaza: poderio militar do Hamas está bastante enfraquecido mas o recrutamento continua
No plano do presidente norte-americano Donald Trump para Gaza, o desarmamento do Hamas ocupa lugar de destaque. É uma exigência de Israel, mas também de um número crescente de Estados, incluindo países árabes. Um tema que, até o momento, os líderes do Hamas não aceitaram, nem sequer mencionaram. Os negociadores do grupo armado estão negociando atualmente no balneário egípcio de Charm el-Sheikh, com um contingente bastante enfraquecido.
No plano do presidente norte-americano Donald Trump para Gaza, o desarmamento do Hamas ocupa lugar de destaque. É uma exigência de Israel, mas também de um número crescente de Estados, incluindo países árabes. Um tema que, até o momento, os líderes do Hamas não aceitaram, nem sequer mencionaram. Os negociadores do grupo armado estão negociando atualmente no balneário egípcio de Charm el-Sheikh, com um contingente bastante enfraquecido.
Frédérique Misslin, correspondente da RFI em Jerusalém, e agências
O Hamas se esforça para superar "todos os obstáculos" que possam impedir um acordo que ponha fim à guerra em Gaza, declarou nesta terça-feira (7) Faouzi Barhoum, alto dirigente do movimento islamista palestino.
"A delegação do movimento que participa das atuais negociações no Egito está se empenhando para superar todos os obstáculos a fim de alcançar um acordo que atenda às aspirações do nosso povo e das nossas famílias em Gaza", explicou Barhoum em uma mensagem em vídeo transmitida pelo canal catari Al Jazeera, por ocasião do segundo aniversário do ataque que desencadeou as hostilidades, em 7 de outubro de 2023.
Relembrando que o Hamas deseja alcançar "um cessar-fogo permanente e abrangente", "a retirada completa das forças [israelenses] de todas as áreas da Faixa de Gaza", bem como "a entrada irrestrita de ajuda humanitária e médica", Barhoum alertou "contra as tentativas [do primeiro-ministro israelense Benjamin] Netanyahu de sabotar" as negociações.
Estado das forças do Hamas
É difícil avaliar com precisão o estado das forças do Hamas. O terreno é inacessível à imprensa estrangeira e as declarações de ambos os lados são frequentemente usadas como propaganda. Mas, segundo muitos especialistas — incluindo israelenses e palestinos — as brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas em Gaza, já não têm nada do exército inicial que enfrentou Israel há dois anos.
Seus principais líderes foram dizimados. Como resultado, o grupo voltou essencialmente a métodos de guerrilha descentralizada, com emboscadas conduzidas por grupos autônomos através da rede de túneis que ainda permanecem intactos. Essa estratégia exige muitos homens e é viável graças ao recrutamento, que continua forte.
"Conversei com pessoas de al-Mawasi, esse grande campo de refugiados, e elas me disseram: 'Sabe, é muito simples. Você pega um jovem palestino de 16, 17, 18 anos. Durante dois anos, ele não teve escola, nem trabalho, nem nada. Você dá a ele ou ao pai US$ 40 dizendo que ele vai se tornar um combatente, um membro do braço armado do Hamas. E então, ele pega um lançador de foguetes RPG, um AK-47 e se torna um combatente'", explica à RFI Michael Milshtein, especialista do departamento de estudos palestinos do Instituto Moshe Dayan.
O grupo nem sequer menciona a questão do desarmamento. Considera isso uma capitulação, simplesmente porque acredita que, se entregar os reféns — que representam sua única vantagem nas negociações — do outro lado não há garantias, nem sobre o fim da guerra, nem sobre a perspectiva de um Estado palestino.
O Hamas sabe que, apesar da situação catastrófica em Gaza, a pouca capacidade militar que ainda possui representa uma linha vermelha para muitos palestinos. Mas, mesmo assim, com certo peso político.
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