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UE e China celebram meio século de relações em meio a desafios geopolíticos e desconfiança mútua

União Europeia e China comemoram 50 anos de relações diplomáticas e, para marcar a ocasião, lideranças dos dois lados estiveram reunidos nesta quinta-feira (24) em Pequim. Especialistas apostam em uma cúpula mais simbólica do que relevante e decisiva. Ao receber os europeus no Palácio do Povo, o presidente chinês, Xi Jiping, instou Pequim e Bruxelas a reforçarem sua "confiança mútua". O apelo do líder chinês, no entanto, encontra desafios em meio a disputas comerciais mais que acirradas.

24 jul 2025 - 09h40
(atualizado às 11h28)
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União Europeia e China comemoram 50 anos de relações diplomáticas e, para marcar a ocasião, lideranças dos dois lados estiveram reunidos nesta quinta-feira (24) em Pequim. Especialistas apostam em uma cúpula mais simbólica do que relevante e decisiva. Ao receber os europeus no Palácio do Povo, o presidente chinês, Xi Jiping, instou Pequim e Bruxelas a reforçarem sua "confiança mútua". O apelo do líder chinês, no entanto, encontra desafios em meio a disputas comerciais mais que acirradas.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

O encontro estava inicialmente previsto para durar dois dias, mas foi reduzido a apenas um, a pedido de Pequim, diante das baixas expectativas de avanços concretos.

Durante a cúpula realizada nesta quinta-feira (24) em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping pediu aos líderes da União Europeia que "gerenciem de forma apropriada as divergências e fricções" entre os dois lados. A declaração foi feita em meio a críticas às recentes medidas comerciais adotadas por Bruxelas contra produtos chineses, em um encontro marcado por tensões sobre comércio e a guerra na Ucrânia.

O líder chinês também criticou indiretamente as políticas protecionistas europeias, afirmando que "melhorar a competitividade não pode significar erguer muros e fortalezas".

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou para "soluções reais" nas relações bilaterais que se encontram, segundo ela, em um "momento crucial". Nos últimos anos, as trocas comerciais entre o bloco europeu e o gigante asiático, apesar de intensas, se tornaram complexas por causa das tensões econômicas e divergências políticas.

A China busca estreitar seus laços com o continente europeu, apresentando-se como um parceiro estável e mais confiável do que os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. No entanto, von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegaram a Pequim com uma extensa pauta de divergências, incluindo o desequilíbrio comercial em desfavor da UE, preocupações com a entrada de produtos chineses baratos e subsidiados no mercado europeu, e o estreitamento das relações entre China e Rússia desde a invasão da Ucrânia.

Durante a cúpula, Costa também expressou diretamente às autoridades chinesas as preocupações da União Europeia em relação à situação dos direitos humanos no país. Embora o tema não tenha sido o foco principal das discussões — dominadas por questões comerciais e geopolíticas —, a menção reforça a postura crítica da UE diante de temas sensíveis, como repressão a minorias, liberdade de expressão e o respeito ao Estado de Direito.

Em Pequim, uma das prioridades europeias é procurar melhor acesso aos minerais de terras raras chinesas, essenciais na fabricação de produtos de alta tecnologia. Apesar do meio século de laços sino-europeus, o encontro na capital chinesa acontece sob um clima de desconfiança mútua, provocado principalmente pelas questões comerciais, e pelo apoio da China à Rússia.

Tabuleiro de xadrez

Desde o início da guerra na Ucrânia a China se tornou o principal parceiro econômico da Rússia e Moscou depende cada vez mais de Pequim para comercializar matérias-primas que financiam sua campanha militar. No encontro desta quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, pediu à China para que "use sua influência sob a Rússia para respeitar a carta da ONU e pôr fim à sua guerra de agressão contra a Ucrânia", durante a conversa com o presidente chinês, Xi Jiping.

No campo geopolítico, o apoio chinês à Rússia continua sendo motivo de preocupação para os europeus. A UE, inclusive, aprovou recentemente novas sanções contra Moscou, atingindo dois bancos chineses. "Não somos ingênuos", afirmou o representante europeu. "Não pedimos que a China rompa com a Rússia, mas que reforce seus controles alfandegários e financeiros."

Às vésperas da reunião em Pequim, a China apresentou uma queixa formal à União Europeia pela inclusão de dois bancos chineses nas últimas sanções contra a Rússia. "Quanto mais grave e complexa a situação internacional, mais China e União Europeia devem intensificar o diálogo, reforçar a confiança mútua e aprofundar a cooperação", declarou Xi Jinping no Palácio do Povo, tradicional sede de recepções diplomáticas em Pequim. Ele também afirmou que os desafios enfrentados pela Europa não têm origem na China e que não há conflitos de interesse ou desacordos geopolíticos fundamentais entre os dois lados.

Em reunião separada, o primeiro-ministro chinês Li Qiang classificou a cooperação estreita entre China e UE como um "caminho natural" e defendeu que, enquanto ambos os lados mantiverem o compromisso com o livre comércio, a economia global continuará dinâmica.

Cooperação ambiental

Além dos desafios geopolíticos globais, as relações bilaterais são destaque na agenda em Pequim. Na reunião com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, Von der Leyen e Costa se concentram nas questões econômicas e comerciais. Nesta quinta-feira, Pequim e Bruxelas assinaram um comunicado conjunto sobre clima à margem da Cúpula reafirmando o compromisso de lidar com as mudanças climáticas. O documento prevê maior cooperação na transição energética, aceleração do uso global de fontes renováveis e ampliação do acesso a tecnologias verdes. Segundo o texto, os dois lados se comprometem "a implementar fielmente" os objetivos do Acordo de Paris.

Com a saída dos EUA do Acordo de Paris, União Europeia, China e Brasil se tornaram atores indispensáveis nas negociações internacionais sobre o clima. A China, maior poluidor do planeta, produz mais da metade dos veículos elétricos no mundo, 70% das turbinas eólicas e 80% dos painéis solares.

Disputas comerciais

Entre as principais preocupações europeias está o déficit comercial com a China, que em 2024 chegou a US$ 357 bilhões. Von der Leyen pediu que Pequim amplie o acesso ao seu mercado para empresas europeias e flexibilize as restrições à exportação de minerais de terras raras, essenciais para tecnologias modernas.

UE e China representam quase 30% do comércio mundial de bens e serviços e mais de um terço do PIB mundial, porém, o desequilíbrio comercial atual - que registrou um déficit recorde de € 88 bilhões para o lado europeu no primeiro trimestre deste ano - fez soar o alarme em Bruxelas e aumentou as tensões diplomáticas.

A UE impôs tarifas sobre veículos elétricos chineses, alegando concorrência desleal devido a subsídios estatais. Em resposta, a China iniciou investigações sobre importações europeias de carne suína, conhaque e laticínios.

A Europa reclama das práticas comerciais desleais, da superprodução subsidiada pelo Estado chinês e da discriminação contra empresas estrangeiras, mas há disputas comerciais em ambos os lados, como a imposição de impostos pela UE nos veículos elétricos fabricados na China e as taxas retaliatórias impostas pelos chineses sobre as bebidas alcoólicas europeias. Tudo isso faz com que as duas superpotências econômicas não tenham expectativas de avanços nos contenciosos durante as conversas desta quinta-feira.

Domínio chinês

A China domina há anos a produção de minerais de terras raras usados para fabricar produtos de alta tecnologia - de smartphones a automóveis elétricos - elementos também fundamentais nas indústrias de defesa e de energias renováveis. Quando o presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas nos produtos chineses, a China reagiu impondo controles rígidos nas exportações de sete destes insumos essenciais abalando a indústria das montadoras dos EUA; a decisão afetou a União Europeia.

Embora as restrições tenham sido atenuadas nas últimas semanas, Von der Leyen criticou Pequim durante a reunião do G7, em junho, no Canadá. A chefe do Executivo europeu acusou a China de perpetuar um "padrão de domínio, dependência e chantagem" em relação aos seus parceiros comerciais e de "transformar o comércio em uma arma" geopolítica. A União Europeia depende da China para 98% dos seus ímãs de terras raras e quer tentar negociar um melhor acesso a estas matérias-primas. A China tem cerca de 45% das reservas mundiais de terras raras, seguida pelo Brasil, Índia e Austrália.

(Com informações da AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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