Sob calor extremo, Portugal recorre à União Europeia para reforçar o combate aos incêndios
Atingido por uma intensa onda de calor, Portugal decidiu, nesta sexta-feira (3), acionar o mecanismo europeu de proteção civil, além de seus acordos bilaterais com a vizinha Espanha e com o Marrocos, para obter reforços no combate aos incêndios florestais. A França também foi palco de incêndios que preocupam as autoridades.
"Decidimos, neste momento, acionar o mecanismo europeu de proteção civil, bem como os acordos bilaterais com a Espanha e com o Marrocos. Não porque nossas capacidades já estejam esgotadas, mas porque, na situação atual, todo o nosso território está exposto a um risco muito elevado", declarou o primeiro-ministro Luis Montenegro, ao fim de uma reunião do Conselho de Ministros. O governo espanhol já disponibilizou um dos dois aviões Canadair solicitados por Portugal para apoiar o combate ao fogo.
Um incêndio florestal que devasta o norte de Portugal desde a madrugada da quarta-feira para a quinta-feira deixou quatro feridos, durante o terceiro dia de uma intensa onda de calor. "Há três bombeiros com ferimentos leves e um civil gravemente ferido, com queimaduras", declarou um porta-voz da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
O incêndio, que começou nas primeiras horas da quinta-feira no município de Vouzela, no distrito de Viseu, mobilizava, nesta sexta-feira, cerca de mil bombeiros, apoiados por aproximadamente 300 veículos e oito aviões e helicópteros. Outros quatro focos de menores dimensões também eram combatidos por pelo menos uma centena de bombeiros cada.
Devido ao clima muito quente e seco, com temperaturas que podem atingir 44°C em algumas áreas, o instituto meteorológico português colocou 12 dos 18 distritos de Portugal continental em alerta vermelho. Esse nível máximo de alerta será mantido no sábado e no domingo em cerca de dez regiões.
Atingido todos os verões por incêndios florestais, Portugal continua marcado pelos incêndios mortais que causaram mais de uma centena de mortes em 2017.
França também sofre com incêndios
A França também sofre com incêndios florestais. Embora os principais focos ativos no sul do país já estejam controlados, a ocorrência precoce preocupa o governo, declarou, nesta sexta-feira, o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Ao mesmo tempo, um alto comandante dos bombeiros fez um apelo à população para que seja mais vigilante. "A mudança climática é uma realidade. Estamos vivendo suas consequências. E ainda estamos apenas no início de julho; a temporada será longa para os soldados do fogo. Portanto, ajudem-nos a adotar os comportamentos corretos e a garantir que não haja focos de incêndio", pediu o coronel Eric Belgioïno, diretor do Serviço Departamental de Incêndio e Resgate dos Pirineus Orientais, durante uma entrevista coletiva realizada no fim da tarde de sexta-feira em Perpignan.
Centenas de bombeiros continuavam a combater as chamas nesta sexta-feira, após conseguirem controlar os incêndios de Canet-en-Roussillon (Pirineus Orientais) e aquele que tinha como epicentro a região de Pouzols-Minervois (Aude), o qual atingiu 900 hectares em 48 horas.
Uma área significativa, mas quase irrisória diante dos 17 mil hectares atingidos e dos 11 mil hectares totalmente destruídos em agosto de 2025 pelo incêndio que ficou conhecido como 'Ogro de Corbières', um incêndio de grandes proporções que devastou o maciço de mesmo nome naquele agosto e cuja lembrança esteve presente em todos os pensamentos nos últimos dias.
(Com agências)
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