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Suspense no Vaticano à espera dos primeiros cardeais de Francisco

10 jan 2014
13h47

As previsões se multiplicavam nesta sexta-feira no Vaticano sobre a nomeação nos próximos dias ou semanas dos cerca de 14 novos cardeais, que deverão dar mais peso aos países da América do Sul e Latina no "Colégio Sagrado".

O primeiro consistório do Papa argentino está marcado para 22 de fevereiro.

Com a nomeação dos novos purpurados, o Papa modificará o equilíbrio do Colégio Cardinalício, órgão mais importante da Igreja, e indicará o direção a ser tomada pela instituição, abalada recentemente por uma série de escândalos e com a perda de vocações.

Segundo o padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, é tradição que o Papa anuncie com mais de um mês de antecedência os nomes dos novos "príncipes da Igreja", para que eles tenham tempo de preparar sua viagem a Roma para receber o barrete cardinalício.

Vários especialistas começaram a divulgar suas listas de potenciais favoritos, enquanto o anúncio pode ser feito durante qualquer Angelus ou audiência geral.

O anúncio é muito aguardado, enquanto o Papa tem frequentemente denunciado um carreirismo na Igreja. Alguns temem seu estilo autoritário e estão com medo de perder seu poder.

Tornar-se cardeal deveria significar para o sortudo ser um conselheiro do Papa.

Francisco pode nomear pelo menos 14 novos cardeais com menos de 80 anos - eleitores em caso de conclave para a eleição de um novo Papa - para preencher as vagas vazias desde o último conclave de Bento XVI em 2012.

Francisco deve nomear cardeais da América Latina, continente com o maior número de católicos do mundo.

Entre os possíveis candidatos a receber o barrete estão os arcebispos de Buenos Aires, Santiago e Rio de Janeiro, e provavelmente outros.

Por uma questão de equilíbrio, ele deverá nomear cardeais da África, um continente que não lhe é familiar, e da Ásia, onde a Igreja, minoritária, está se expandindo.

O Papa é quase forçado, salvo uma grande surpresa, nomear como cardeal seu novo secretário de Estado, o "jovem" (58 anos) italiano Pietro Parolin, o alemão Gerhard Ludwig Müller, "guardião do dogma" (prefeito da Congregação da Doutrina da Fé) e o novo prefeito do clero, o italiano Beniamino Stella. Deve também dar o barrete a outro italiano, Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, que desempenha um papel de confiança na preparação dos grandes encontros de bispos no final de 2014 e 2015 sobre a família.

Também é possível que alguns novos cardeais representem aldeias e comunidades negligenciadas que sofreram terrorismo religioso, os que enfrentam complexos processos de paz, temas que o Papa jesuíta acompanha com particular atenção.

No conclave de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio, recém nomeado Papa deu seu barrete ao bispo Baldisseri, dizendo: "Agora você é metade cardeal", segundo o vaticanista Marco Tosatti.

A alta representação dos italianos no "Colégio Sagrado", que reúne todos os cardeais, incluindo os 120 eleitores do conclave, tem sido muitas vezes criticado.

Antes do consistório, o pontífice presidirá uma reunião da equipe de oito cardeais de todos os continentes que o aconselham na reforma da Cúria Romana e que estudam medidas profundas na Constituição, para regulamentar o funcionamento do governo central da Igreja.

Outras reuniões foram programadas antes da cerimônia de nomeação, entre elas a dos quinze cardeais responsáveis por vigiar as reformas econômicas do Vaticano

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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