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Papa Francisco

Religiosos recebem renúncia do Papa entre perplexidade e apoio

13 fev 2013 - 11h13
(atualizado às 11h55)
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Imagem cedida pelo L'Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, mostra Bento XVI durante consistório (reunião de cardeais) no Vaticano
Imagem cedida pelo L'Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, mostra Bento XVI durante consistório (reunião de cardeais) no Vaticano
Foto: AFP

Eram quase 9h da manhã no horário de Brasília quando a agência de notícias italiana Ansa pegou o mundo de surpresa ao anunciar que o papa Bento XVI deixaria o comando da Igreja Católica no dia 28 de fevereiro. Para muitos, a surpresa já começava no fato de um papa poder renunciar. Mas não só aqueles que desconhecem a burocracia católica se surpreenderam com a notícia, também a própria Igreja não esperava que tal decisão pudesse voltar a se repetir quase 600 anos após ser tomada pela última vez.

Em nota divulgada após o anúncio, o órgão religioso mais importante do Brasil, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou que foi surpreendida pela decisão do Papa. "A CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, o anúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro", diz a nota. "Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado", acrescenta o comunicado, que ainda afirma que Bento XVI "entrará para a história como o 'Papa do Amor' e o 'Papa do Deus Pequeno'".

Seguindo o tom da CNBB, a alta hierarquia da Igreja foi quase unânime em sua reação: surpresa misturada com admiração pelo ato.

A primeira manifestação veio do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, que logo cedo concedeu uma entrevista coletiva, ante jornalistas que ainda tentavam entender o que acontecera, para tentar elucidar a notícia. Tempesta reconheceu ter sido surpreendido com a renúncia, mas saudou a decisão de Bento XVI. "Vejo como um exemplo para tantas pessoas nesse mundo de hoje agarradas a situações de poderes, que às vezes não querem deixar os poderes. Ele podia ficar até o fim de sua vida, mas viu suas forças arrefecerem. É um exemplo para toda a humanidade. É um momento que ninguém esperava, mesmo possível", afirmou ele.

Na mesma linha, seguiu o secretário-geral da entidade, Dom Leonardo Steiner. "Surpresa é a expressão para dizer que não esperávamos um gesto tão importante dentro da Igreja, apesar de sabermos que não é o primeiro papa que renuncia. Mas, em plena atividade, ele dizer que não tem mais condições físicas e, nos tempos atuais, isso exige uma presença mais forte, mais viva já que tudo corre rapidamente", afirmou.

Ainda que não tenha afirmado esperar a renúncia, o presidente CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis, 75 anos, disse há meses já era possível sentir que a "idade já estava pesando" ao Papa. O arcebispo de Aparecida disse que o Papa estava magro e cansado quando o encontrou em outubro passado. "Deu para sentir ali que a idade já estava pesando. Que ele estava um pouco mais magro, cansado. O peso do magistério acho que conta também. E foram essas, justamente, as alegações para a sua renúncia", afirmou.

A valorização à renúncia - decisão tomada pela última vez por um Papa quando Gregório XII abdicou de seu papado em 1415 - foi a marca da reação do arcebispo primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, afirmou que a decisão do Papa foi um ato de coragem. "A renúncia pode parecer fuga, mas é um ato de coragem e lucidez. Os próximos papas não vão sentir mais o peso de ter que cumprir o mandato até a morte", disse o arcebispo primaz brasileiro - título dado ao arcebispo de Salvador, a primeira diocese criada no País.

Krieger também afirmou que a decisão de Bento XVI é uma mensagem diferente em um mundo marcado pela busca pelo poder. "Em um mundo que valoriza tanto o poder, onde a vaidade toma conta de tantas pessoas, estamos diante de alguém que diz 'eu não posso continuar, é melhor que outro, com melhores condições, assuma o meu lugar'", afirmou.

A voz dissonante - assim como em múltiplos assuntos da Igreja - veio do ex-integrante da ordem franciscana e um dos expoentes da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff, que disse não ter se surpreendido com a renúncia e saudou a decisão de Bento XVI.  "Recebo com naturalidade essa notícia. Essa decisão segue sua natureza objetiva", afirmou.

Boff, porém, apesar de ser um crítico das doutrinas de Bento XVI e de suas práticas enquanto Papa, também se uniu aqueles que saudaram a decisão. "Não é praxe um papa renunciar. Ele desmistificou a figura dos papas, que geralmente ficam no cargo até morrer. Provavelmente por entender o papado como um serviço. Essa atitude merece toda admiração e respeito", disse.

<a data-cke-saved-href=" http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/renuncia-papa/iframe.htm" href=" http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/renuncia-papa/iframe.htm">veja o infográfico</a>
Fonte: Terra
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