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Papa diz que Cúria Romana não deve ser 'burocrática nem inquisidora'

21 dez 2013 11h35
| atualizado às 13h19
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<p>Papa Francisco falou pela primeira vez à Cúria Romana neste sábado</p><p> </p>
Papa Francisco falou pela primeira vez à Cúria Romana neste sábado
Foto: AP

O Papa Francisco afirmou neste sábado que a Cúria Romana não deve ser "uma alfândega burocrática, controladora e inquisidora" nem um lugar de "fofocas" em seu primeiro discurso para os membros deste organismo, o governo da igreja.

"Quando a atitude não é de serviço às igrejas particulares e a seus bispos, então cresce na estrutura da Cúria uma pesada alfândega burocrática, controladora e inquisidora", denunciou o Papa argentino ao criticar as atitudes de condenação e controle, em vez de perdão e de abertura às diversas igrejas locais.

Neste discurso muito aguardado na grande sala Clementina do Palácio Apostólico, Francisco não mencionou - como o seu antecessor Bento XVI em seu primeiro discurso à Cúria em 2005 - os problemas da Igreja nos cinco continentes, as suas orientações doutrinais e os desafios que ela enfrenta na sociedade contemporânea.

Seu discurso concentrou-se no perfil que devem ter os membros da Cúria, recentemente atingida por escândalos (de corrupção, sexuais, traições), e que Francisco deseja reformar profundamente com a ajuda de uma comissão de oito cardeais.

"A santidade na Cúria também significa fazer objeção de consciência às fofocas. Nós insistimos no valor da objeção de consciência, mas talvez devêssemos também exerce-la para nos opormos a uma lei não escrita que reina em nosso ambiente, que, infelizmente, é a da fofoca", disse o Papa, um ano após o escândalo do vazamento de documentos confidenciais, conhecido como "Vatileaks".

"A fofoca atrapalha a qualidade das pessoas, do trabalho e do meio ambiente", insistiu Francisco, reiterando um de seus frequentes apelos contra a frivolidade, desde que foi eleito Papa em março.

"Pode vir a calhar meditar sobre o papel de São José, tão calado e tão necessário ao lado da Virgem Maria", assegurou o Papa.

Sem fazer críticas específicas, o Papa citou as "características" que em sua opinião devem possuir um membro da Cúria, que reúne cerca de 2 mil pessoas, entre laicos e religiosos.

Antes de tudo, "o profissionalismo, que significa competência, estudo, atualização... Este é um requisito fundamental para trabalhar na Cúria", afirmou.

"Quando não há profissionalismo - prosseguiu - lentamente deslizamos em direção a uma região de mediocridade" e "os expedientes acabam se tornando em meros relatórios de 'clichês".

Francisco deu destaque à vocação do "serviço" à Igreja e acrescentou que a "santidade" implica, em sua opinião, nomeadamente, "profunda humildade" e "amor fraterno nas relações com os colegas".

Segundo revelaram vários vaticanistas na sexta-feira, a personalidade do Papa Francisco, sua popularidade, seu estilo pouco apegado às regras rígidas da Igreja irritam alguns círculos internos do Vaticano.

Em uma entrevista à rede de TV católica EWTN, o cardeal tradicionalista americano Raymond Burke, amigo próximo de Bento XVI, lamentou amargamente o fato de Francisco não defender de forma mais veemente a defesa da família e da vida, e que se limita a exortar com mais frequência os sacerdotes de todos mundo a condenar o aborto.

O cardeal americano, membro da Congregação dos Bispos, uma espécie de Ministério do Interior que nomeia a hierarquia da Igreja, foi recentemente destituído do cargo, junto com outro cardeal influente da mesma entidade da Cúria Romana, o espanhol Antonio Maria Rouco, presidente ultraconservador da conferência dos bispos espanhóis, a quem foi aceita a aposentadoria.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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