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Relatório de ONG denuncia restrições ao direito de manifestação e às liberdades civis na França

Um relatório publicado nesta quinta-feira (25) pelo Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos - um programa conjunto da Federação Internacional dos Defensores dos Direitos Humanos (FIDH) e da Organização Mundial contra a Tortura (OMCT), juntamente com a Liga dos Direitos Humanos (LDH) - afirma que "as liberdades civis estão passando por um declínio profundo e estrutural na França".

25 set 2025 - 12h55
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Um relatório publicado nesta quinta-feira (25) pelo Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos - um programa conjunto da Federação Internacional dos Defensores dos Direitos Humanos (FIDH) e da Organização Mundial contra a Tortura (OMCT), juntamente com a Liga dos Direitos Humanos (LDH) - afirma que "as liberdades civis estão passando por um declínio profundo e estrutural na França".

Uma pessoa usa um megafone durante uma manifestação na Place de la République, como parte do movimento de protesto "Vamos bloquear tudo", em Paris, em 10 de setembro de 2025.
Uma pessoa usa um megafone durante uma manifestação na Place de la République, como parte do movimento de protesto "Vamos bloquear tudo", em Paris, em 10 de setembro de 2025.
Foto: © Julien de Rosa / AFP / RFI

Ao longo de 88 páginas, a organização destaca as crescentes restrições à liberdade de associação e à liberdade de manifestação. Segundo o documento, narrativas hostis, dissoluções administrativas, repressão policial, cortes no financiamento público, assédio e violência contra defensores dos direitos humanos marcaram a redução do espaço cívico.

"A França gosta de relembrar seu papel histórico na defesa dos direitos humanos; apresenta-se prontamente como a 'pátria dos direitos humanos' e não hesita em dar lições a outros países sobre democracia e respeito às liberdades civis", disse Alice Mogwe, presidente da FIDH. "Mas hoje, seu próprio modelo democrático está sendo minado por práticas que desafiam os fundamentos do Estado de Direito e desrespeitam os direitos fundamentais."

O relatório destaca casos, como a dissolução pelo governo, em 2020, do Coletivo Contra a Islamofobia na França (CCIF). De acordo com o relatório, a medida "foi usada como instrumento político e mantida pelo Conselho de Estado", apesar de críticas. "Para a FIDH, a OMCT e a LDH, este caso emblemático ilustra como a luta contra o terrorismo foi instrumentalizada para silenciar vozes críticas", afirma.

"Este abuso do direito de dissolução, que agora é utilizado exclusivamente com base em comentários feitos por membros de associações fora de suas atividades, cria um clima de medo e ameaça toda a sociedade civil. Além disso, o Estado não está protegendo adequadamente as associações dos ataques virulentos da extrema direita", defende.

Difamação das associações

O relatório também documenta o que denuncia como proliferação de campanhas políticas e midiáticas de difamação contra associações. "Ameaças de retirada de financiamento, acusações de 'ecoterrorismo', deslegitimação de seu trabalho: esses discursos estigmatizantes, antes marginais, agora são sistemáticos", afirma.

"Em tempos de tensão política, o papel das organizações e defensores dos direitos humanos é crucial. Em uma democracia, organizações como a LDH devem poder levantar suas vozes e expressar suas preocupações", diz Gerald Staberock, secretário-geral da OMCT. "Isso inclui o direito de denunciar supostas violações, particularmente no que diz respeito à violência policial."

Essa deterioração foi observada especialmente desde 2017, com o fim oficial do estado de emergência que foi instaurado após os ataques terroristas de 2015, mas que, na prática, não marcou um retorno à normalidade.

Outros movimentos de cidadãos na mira das autoridades são as iniciativas ambientais. As mobilizações contra as construções da rodovia A69 e de reservatórios de água gigantes resultaram em uma repressão policial particularmente violenta. Prisões em massa, custódia policial abusiva, vigilância intrusiva e uso desproporcional da força: práticas que vão contra os compromissos internacionais da França.

O relatório destaca também o uso crescente de ordens de proibição de manifestações consideradas abusivas e que, em 80% dos casos, acabam sendo suspensas pelos tribunais. "É uma barreira, mas por quanto tempo? No caso da Secretaria de Segurança de Nice, por exemplo, essas ordens são comunicadas muito tarde, o que impossibilita que os responsáveis pelas manifestações busquem justiça", explica Aissa Rahmoune, secretária-geral da Federação Internacional de Direitos Humanos.

Banalização do uso da força

Outro ponto denunciado pelo relatório é a banalização do uso da força pelos serviços de segurança. As intervenções policiais frequentemente resultam no recurso em massa à custódia policial de manifestantes, sem qualquer processo judicial. Essa prática é descrita como uma tentativa de impedir que protestos se repitam.

"Defensores ambientais estão sendo criminalizados por exercerem um direito fundamental: protestar pacificamente", enfatiza Aissa Rahmoun. "A violência policial e a impunidade estão atingindo um nível crítico, colocando em risco as liberdades democráticas como um todo na França."

Segundo ela, embora alguns movimentos estejam enfrentando repressão crescente, o problema se estende a todas as lutas: do feminismo à causa dos exilados, passando pelo antirracismo e pelos direitos das minorias.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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