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Quem é Sébastien Lecornu, 4° primeiro-ministro em um ano e fiel aliado de Macron?

Ex-ministro das Forças Armadas, o fiel macronista assume após a queda de François Bayrou e em meio a uma crise política

10 set 2025 - 07h10
(atualizado às 08h04)
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Resumo
Sébastien Lecornu é o novo primeiro-ministro da França, sucedendo François Bayrou em meio a uma crise política; ex-ministro das Forças Armadas e aliado de Macron, ele enfrenta forte oposição e terá como desafios estabilizar o governo e lidar com tensões parlamentares e sociais.
O presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda) e Sébastien Lecornu, em foto de 13 de julho de 2025.
O presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda) e Sébastien Lecornu, em foto de 13 de julho de 2025.
Foto: AP - Ludovic Marin / RFI

Desde a noite de terça-feira (9), a França tem um novo primeiro-ministro: Sébastien Lecornu, o quinto chefe de governo do segundo mandato do presidente francês, Emmanuel Macron, e o quarto em apenas um ano. Ex-ministro das Forças Armadas (equivalente à Defesa no Brasil), o fiel macronista assume após a queda de François Bayrou e em meio a uma crise política que leva parte da população às ruas nesta quarta-feira (10).

A passagem de poder ocorre ao meio-dia pelo horário local (7h em Brasília), algumas horas após o início do movimento "Vamos bloquear tudo", em que vários setores saem às ruas do país para expressar seu descontentamento com o governo. Fiel aliado de Macron e originário de partidos da direita, o novo primeiro-ministro ascendeu ao cargo sem grande alarde e apesar de ter liderado um ministério-chave em tempos de guerra, é desconhecido por grande parte dos franceses.

Sua discrição, no entanto, não significa falta de ambição. Aos 39 anos e na ativa há mais de 20 anos, Lecornu é conhecido como "um animal político" no círculo do poder. Originário da Normandia, no norte da França, filho de um técnico de aeronáutica e de uma secretária, ele jamais escondeu sua forte ligação com sua região, onde o avô foi um célebre resistente à invasão alemã durante a Segunda Guerra Mundial.

Aos 16 anos, Lecornu, passa a militar para o partido de direita União para um Movimento Popular (UMP) e dá sequência à carreira política na legenda conservadora Os Republicanos, fundada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Em 2014, aos 27, é eleito como prefeito de Vernon, no norte da França, tornando-se no ano seguinte o mais jovem governador do departamento do Eure. Grande admirador da política de Charles de Gaulle, aproxima-se de grandes figuras da direita francesa, como o ex-ministro da Economia Bruno Le Maire e o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe.

Desde a eleição de Macron, em 2017, Lecornu participou de forma intermitente de todos os governos, assumindo quatro ministérios. No último deles, das Forças Armadas ( o equivalente ao Ministério da Defesa no Brasil), convenceu a Assembleia Nacional a adotar a Lei da Programação Militar, dobrando o orçamento do setor. Reservista da polícia militar, apaixonado por História e bom orador, o novo primeiro-ministro tem forte reputação de dominar as questões ligadas às pastas que assumiu e ser suficientemente perspicaz para obter acordos.  

Fiel escudeiro

Ao escolher Lecornu, algumas horas depois de aceitar a renúncia de Bayrou, Macron faz uma escolha pela continuidade e fidelidade. Em uma sucinta mensagem publicada nas redes sociais após a divulgação de sua nomeação, o novo premiê agradece "a confiança" do presidente e se diz pronto para assumir a tarefa de defender "a independência, a potência e a estabilidade política e institucional pela união do país". 

Apesar de não ter uma grande popularidade entre os franceses, a escolha de Macron não causa surpresa. Lecornu já era um dos grandes cotados para assumir o governo em dezembro de 2024, não fosse a ameaça de Bayrou de acabar com a aliança com o partido governista.

Nove meses depois, o chefe Estado aposta em seu fiel escudeiro para evitar uma nova dissolução da Assembleia Nacional e tentar estabilizar o Executivo diante das pressões parlamentares e sociais. 

No entanto, se a nomeação de Lecornu é saudada entre a direita francesa, a virulenta reação da oposição deixa claro que o novo premiê terá de fazer valer seu apelido de "rei do flerte". Da esquerda radical, passando pelos socialistas e a extrema direita, a escolha do conservador não é bem vista. 

"O presidente está dando o último tiro do macronismo", afirma Marine Le Pen, do partido ultranacionalista Reunião Nacional. "Uma triste comédia", avalia Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, da esquerda radical. 

"Os franceses esperavam por mudanças: Lecornu no governo é Macron no governo. É difícil acreditar em uma retomada com o homem que apoiou o chefe de Estado em tudo", criticou Olivier Faure, secretário-geral do Partido Socialista.

Diante de um país e de uma classe política extremamente polarizados, Lecornu inaugura seu mandato para uma missão de alto risco. Sua primeira tarefa será consultar as forças parlamentares antes de formar um governo, a fim de aprovar um orçamento e evitar censura, como seus dois últimos antecessores.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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